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Financeiro

Câmbio faz Biosev fechar safra 2018/19 com perda de R$ 1,2 bilhão; margem melhora


Reuters - 07 jun 2019 - 07:29

A Biosev, uma das maiores produtoras de etanol e açúcar do Brasil, fechou a safra 2018/19 (encerrada em março) com prejuízo de 1,2 bilhão de reais, devido ao impacto do câmbio sobre a dívida da companhia, que registrou também melhora de margens na temporada passada, informou a companhia nesta quinta-feira.

A perda, ligeiramente menor que o prejuízo líquido de 1,27 bilhão de reais da temporada anterior, “é meramente um efeito de câmbio, não caixa”, disse à Reuters o diretor financeiro da Biosev, Gustavo Theodozio.

“É só um lançamento contábil, considerando que a dívida foi renegociada e o primeiro vencimento só vai acontecer em 2021”, acrescentou.

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Segundo a Biosev, o resultado financeiro antes da variação cambial foi negativo em 344,5 milhões de reais, melhora ante 859 milhões negativos na temporada 2017/18. Já o mesmo resultado em 2018/19, com variação cambial incluída, ficou negativo em mais de 1,3 bilhão de reais.

“Fizemos questão de mostrar a variação cambial separada”, disse o presidente-executivo Juan José Blanchard.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado somou 1,526 bilhão de reais, queda de 3,8% ante a temporada passada. Mas a margem Ebitda ajustado subiu 2,2 pontos percentuais, para 24,5%, ressaltaram os executivos.

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Dívida

A empresa, braço sucroenergético do grupo de commodities Louis Dreyfus, anunciou no ano passado acordo com instituições financeiras para reestruturar sua dívida, recebendo cerca de 1 bilhão de dólares do acionista controlador.

A companhia encerrou a temporada 2018/19 com dívida líquida de 4,65 bilhões de reais, ante 3,3 bilhões de reais no mesmo período do ano anterior, enquanto em 31 de março de 2019 o dólar estava cotado a 3,8967 reais, versus cotação de 3,3238 reais no mesmo dia de 2018.

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Melhora da margem

A companhia, contudo, ressaltou melhoras operacionais, apontando ganhos na margem em meio a um recuo na moagem de cana de 10,7%, para cerca de 29 milhões de toneladas em 2018/19.

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A queda na moagem se explica pela seca que atingiu as lavouras onde a companhia opera com suas oito unidades, além de uma opção de não moer cana em março, visando garantir uma melhor matéria-prima na safra 2019/20.

De acordo com o CEO, a companhia encerrou a safra passada destinando uma fatia recorde de 65% da cana para a produção de etanol, e está “levemente acima” disso na nova safra, uma vez que o biocombustível tem se mostrado mais rentável que o açúcar.

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Com as chuvas no início do ano, a executivo considerou acertada a decisão de deixar para iniciar a moagem da nova safra mais adiante. “Cortar cana em março com pouco ATR (concentração de açúcar) é destruir valor”.

Ainda assim, em relação à receita líquida, houve uma queda de 13,2% no comparativo anual, totalizando 6,32 bilhões de reais na safra 2018/19.

Desse total, 1,7 bilhão de reais foram obtidos com as vendas de açúcar (-45%) e 2,7 bilhões de reais com as etanol (+20,2%). A cogeração de energia e outros produtos somaram 1,9 bilhão de reais.

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Roberto Samora
Com informações adicionais novaCana.com