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Estimativas iniciais para 2020/21: Clima influencia negativamente a produtividade dos canaviais

Mesmo com expectativa de maior moagem nesta e na próxima safra, qualidade da cana-de-açúcar segue em baixa

NovaCana 11 min de leitura

A influência do clima é determinante para o sucesso de uma lavoura e serve como base para as estimativas e previsões de colheitas futuras. No caso dos canaviais, as variações climáticas deste ano tiveram impactos que vão repercutir nos números finais da safra 2019/20 e nas possibilidades para a 2020/21.

A queda de temperatura registrada no início de julho – inclusive em regiões predominantemente quentes, como a de Ribeirão Preto – teve incidência direta na qualidade da matéria-prima, podendo comprometer o acúmulo de sacarose na planta, que é essencial para a produção de açúcar.

O analista da Agroconsult, Fabio Meneghin, afirma que, para a safra 2020/21 – que começa em abril do ano que vem –, as chuvas no início da moagem deste ano ajudaram na rebrota da soqueira, especialmente em São Paulo. Além disso, as precipitações de agosto animaram os produtores, que investiram no mercado de insumos e pensaram no plantio, mesmo que setembro tenha sido “inesperadamente seco”.

“A primavera é um período crucial para o desenvolvimento da cana considerando os índices de vegetação, então eles devem ser observados nos próximos meses, pois poderão demonstrar o potencial que a cana vai entregar na próxima safra. Claro que as chuvas de verão também têm uma grande contribuição nisso, mas é justamente este arranque na soqueira que mostra para a gente o potencial da safra para o próximo ano”, explica Meneghin.

As declarações fizeram parte de um painel sobre perspectivas de safra realizado na NovaCana Ethanol Conference, que aconteceu dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo.

Confira, na versão completa, as previsões para a produtividade nesta e na próxima safra, as possibilidades do direcionamento do mix e as primeiras estimativas para 2020/21.

A influência do clima é determinante para o sucesso de uma lavoura e serve como base para as estimativas e previsões de colheitas futuras. No caso dos canaviais, as variações climáticas deste ano tiveram impactos que vão repercutir nos números finais da safra 2019/20 e nas possibilidades para a 2020/21.

A queda de temperatura registrada no início de julho – inclusive em regiões predominantemente quentes, como a de Ribeirão Preto – teve incidência direta na qualidade da matéria-prima, podendo comprometer o acúmulo de sacarose na planta, que é essencial para a produção de açúcar.

O analista da Agroconsult, Fabio Meneghin, afirma que, para a safra 2020/21 – que começa em abril do ano que vem –, as chuvas no início da moagem deste ano ajudaram na rebrota da soqueira, especialmente em São Paulo. Além disso, as precipitações de agosto animaram os produtores, que investiram no mercado de insumos e pensaram no plantio, mesmo que setembro tenha sido “inesperadamente seco”.

“A primavera é um período crucial para o desenvolvimento da cana considerando os índices de vegetação, então eles devem ser observados nos próximos meses, pois poderão demonstrar o potencial que a cana vai entregar na próxima safra. Claro que as chuvas de verão também têm uma grande contribuição nisso, mas é justamente este arranque na soqueira que mostra para a gente o potencial da safra para o próximo ano”, explica Meneghin.

As declarações fizeram parte de um painel sobre perspectivas de safra realizado na NovaCana Ethanol Conference, que aconteceu dias 16 e 17 de setembro, em São Paulo.

Condições para 2020/21 já estão postas

Meneghin espera uma pequena recuperação na produtividade média em 2020/21, ainda que abaixo da linha de tendência estatística, e um aumento na moagem. A expectativa é que a produção chegue a quase 600 milhões de toneladas, considerando a previsão de boas chuvas nos principais estados produtores. Com este aumento, ele também espera uma recuperação na produção de açúcar e de etanol.

A gerente de pesquisa da Bunge, Luciana Torrezan, concorda que as variações climáticas vão influenciar na moagem da próxima safra, porém, elas não estarão sozinhas. A área disponível, a produtividade agrícola e o índice de renovação terão influência direta no resultado, que, de acordo com ela, pode ser parecido ou até menor que o de 2019/20.

“Se as usinas renovarem um pouco mais, talvez a área disponível para a moagem seja um pouco menor. Assim, a gente está estimando, a princípio, que a área de cana de 18 meses para o ano que vem tende a ser um pouco menor que a deste ano”, explica a gerente, que completa: “A renovação de 18 meses deste para o próximo ano está sendo menor que a do ano passado para colher neste ano, então isso acaba pesando um pouco na produtividade”.

Com isso, pelo menos para os próximos três anos, a empresa espera uma expansão de moagem limitada no Centro-Sul, especialmente por causa das margens operacionais baixas. “Não esperamos que [a moagem] passe de 600 milhões de toneladas tão cedo”, afirma.

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Torrezan também acredita que a demanda de ATR para a produção de etanol crescerá mais que a de açúcar nos próximos anos. Isso se deve ao aumento na frota de veículos flex e da participação do hidratado no consumo do Ciclo Otto. “O consumo global de açúcar não necessita de capacidade adicional de cristalização vinda do Centro-Sul do Brasil no horizonte de quatro a cinco anos”, completa.

Entretanto, ela aponta que o mix de produção em 2020/21 pode ser mais açucareiro do que o observado nesta safra. De acordo com a projeção de preços para o ano que vem feita pela Bunge, o preço açúcar poderá estar mais próximo do etanol no pico da safra – e o mix é frequentemente definido por essa relação entre os valores.

Com isso, ela espera que a demanda por etanol direcione a expansão e a renovação da área de cana. Assim, as usinas terão duas alternativas: maximizar sua produção ou investir em capacidade de cristalização nos próximos cinco anos.

O gerente de inteligência de mercado e energia da Biosev, Luiz Fernandes, também vê uma pequena recuperação na produção de açúcar para a próxima safra, mesmo que a tendência seja a continuidade da maximização da produção de etanol. “[Isso ocorre] por conta da necessidade do mercado de açúcar de tentar limpar um pouco o nível de estoques e reduzir o superávit global”, explica.

Sobre as escolhas das usinas, o especialista em inteligência de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho, afirma que, no terceiro trimestre da safra, o normal é o açúcar pagar mais que o etanol – porém, este ano está acontecendo totalmente o contrário. “A gente teve o etanol pagando mais que o açúcar durante quase toda a safra, acima também das médias históricas vistas nos últimos cinco anos”, afirma.

Com a alta demanda de etanol, ele reforça que o Brasil registrou o mix de produção mais alcooleiro dos últimos 20 anos.

Produtividade em questão

Luiz Fernandes, da Biosev, trouxe dados mais distantes sobre a produtividade média do país, demonstrando que existe uma tendência de queda acentuada no histórico. O índice, entretanto, está estável quando se leva em consideração apenas os últimos cinco anos.

Desta forma, a companha afirma que suas expectativas para as próximas safras são de moagens ainda na casa dos 585 milhões a 595 milhões de toneladas. “A não ser que tenha algum evento climático muito anormal, esperamos certa estabilidade na oferta de cana do Centro-Sul nos próximos anos”, conclui o gerente.

Ainda assim, ele afirma que os indicadores de plantio melhoraram um pouco na comparação com o ano passado e que a idade média do canavial, após atingir o máximo de 3,7 anos, deve apresentar alguma redução – fatores que influenciam na estabilidade na moagem que vem sendo observada desde 2013/14.

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Meneghin, da Agroconsult, concorda que o envelhecimento do canavial continua sendo uma constante, pois a taxa de plantio de cana-planta se manteve em relação aos dois anos anteriores, em torno de 11%. “No máximo, em algumas hipóteses, o canavial parou de envelhecer. [A taxa de plantio] deveria estar em torno de 15% a 16% para começarmos a ter uma renovação mais significativa dos canaviais”, determina.

Ao mesmo tempo, no curto prazo, há alguma esperança: “O índice de vegetação de São Paulo está acima do observado no ano passado, trazendo uma produtividade média maior. Há uma pequena melhora em relação ao ano passado”, acrescenta.

Considerando a baixa e estável oferta de ATR, as consultorias analisaram como será a sua distribuição entre a produção de açúcar ou de etanol nesta e na próxima safra. Para João Paulo Botelho, da FCStone, a perspectiva para até o fim de 2019/20 é de moagem em alta e ATR em queda, o que condiz com o histórico recente.

Os dados da consultoria concordam com os apresentados pela Biosev e apontam que o ATR do Centro-Sul está “totalmente estagnado” desde 2013/14. “A maior variação de ATR que tivemos neste período foi de 2,5 milhões de toneladas, o que praticamente não varia a produção de açúcar ou de etanol”, afirma Botelho, que complementa: “O principal determinante do que está sendo produzido no Centro-Sul não é a disponibilidade de cana, e sim, o ATR, e já faz sete anos que ele tem se mantido praticamente constante”.

estimativas 2020 21 081019 atr

Desta forma, de acordo com a FCStone, a produção de açúcar e etanol nesta e na próxima safra vai depender apenas do direcionamento do mix e de questões estratégicas das usinas – levando em consideração o mercado internacional de açúcar, o balanço interno de etanol e o RenovaBio.

Para 2019/20, Fabio Meneghin, da Agroconsult, explica que espera um volume similar de etanol, enquanto o de açúcar será menor na comparação com a safra anterior. Isso se dá justamente por causa da queda do volume de ATR, mesmo que a moagem possa vir a ter um incremento.

O RenovaBio na safra 2020/21

Ao comentarem as possibilidades para a próxima safra, todos os analistas citaram a influência do RenovaBio. Luiz Fernandes, da Biosev, por exemplo, contou que a empresa está otimista com o programa.

“Acreditamos que os patamares atuais de produção de etanol devam aumentar em 45%, então, o setor precisa de investimento. Acreditamos muito no programa e estamos otimistas a médio e a longo prazo por conta do valor do CBio e das perspectivas que o programa como um todo traz”, afirma o gerente.

Já Luciana Torrezan, da Bunge, espera que o RenovaBio tenha um papel importante na recuperação dos preços, “considerando que haja uma receita adicional para as usinas com o potencial de CBios dos biocombustíveis, já que existe uma meta a ser cumprida”.

Por sua vez, Botelho acredita que, se o programa realmente tiver início em dezembro, a próxima safra já começará com as usinas ganhando dinheiro. Com isso, elas colocarão o CBio na conta da relação entre os preços de açúcar e etanol. “O CBio pode permitir que o açúcar suba um pouco mais, sem puxar a paridade para esse produto e vender menos de etanol. Essa dinâmica tem que ser bem analisada no próximo ano”, conclui.

Influência do clima sobre 2019/20

Fazendo um resgate da safra 2019/20, Meneghin observa que o início da temporada foi mais chuvoso, atrapalhando o desempenho da moagem. Posteriormente, a colheita acabou se recuperando, com avanços no segundo trimestre graças à seca.

Porém, essas mesmas chuvas de abril e maio fizeram com que o ATR médio dos canaviais do Centro-Sul caísse na comparação com a safra passada. “Está quase 3,5% abaixo do que foi visto no acumulado do ano passado”, determina o analista, que completa: “O volume de cana do ano passado foi muito afetado pela seca, porém isso também se refletiu na qualidade, culminando em um melhor resultado para 2018/19”.

Assim, na previsão da consultoria para o fim da safra 2019/20, o volume total de cana ficará um pouco acima que o do ano anterior – aproximadamente 585 milhões de toneladas contra 573 milhões –, mas a oferta de ATR será mais baixa. “Este é um problema do setor, uma oferta de ATR que não cresce há uns quatro ou cinco anos”, lamenta Meneghin.

Em relação ao índice de vegetação acumulado desta safra, os dados da consultoria demonstram que ele está 4,1% acima do de 2018/19, o que deve trazer uma produtividade média mais elevada. Segundo o analista, aliás, a produtividade desta safra melhorou tanto em relação ao ano passado quanto em relação à média dos últimos cinco anos.

Rafaella Coury – NovaCana

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