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Cana: Meio ambiente

Incêndios geram reflexos imediatos e futuros para os canaviais – e para a saúde

Somente em São Paulo, estado com a maior produção de cana, já foram detectados mais de 5 mil focos de incêndio entre janeiro e 4 de outubro deste ano


NovaCana - 07 out 2021 - 08:37
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Haroldo Torres (Pecege): “Incêndios em canaviais trazem prejuízos irreparáveis para as usinas e produtores rurais, uma vez que toda a estrutura foi adaptada para o processamento sem queima”

Em um ano de seca extrema, o mais recente reflexo da crise hídrica foram as tempestades de poeira. Conforme noticiado na BBC, o fenômeno que atingiu o interior de São Paulo e também o triângulo mineiro no último dia 26, tem vínculo direto com grandes áreas de solo seco e sem cobertura vegetal. Ainda de acordo com a reportagem, a região com forte presença do agronegócio dispõe de um dos menores índices de cobertura florestal original do país. A cana-de-açúcar é a principal cultura da área afetada.

Além disso, o clima vem prejudicando a produção da matéria-prima do setor sucroenergético. A quebra da safra 2021/22, decorrente da retração da área de plantio, da seca e das geadas também é derivada dos incêndios. Durante os meses de agosto e de setembro, diversas queimadas acometeram as áreas canavieiras.

Os dados deixam esse cenário mais claro. De janeiro até o dia 4 deste mês, já foram detectados 5,33 mil focos de incêndio somente no estado de São Paulo. No acumulado de 2020, foram 6,12 mil focos e, em 2019, 3,07 mil – portanto, 2021 já supera a marca de dois anos atrás.

Os números são do monitoramento de focos de incêndio ativos detectados via satélite, disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em agosto deste ano, especificamente, foi atingida a marca de 2,27 mil focos de incêndio em São Paulo – a maior quantidade desde 2010 –, contra 1,11 mil de um ano antes e 742 em 2019. Já no mês de setembro, foram verificados 1,66 mil focos de queimadas no estado paulista, superando os 872 casos de 2019. Em 2020, foram 2,25 mil durante todo mês, atual recorde do período, na série histórica iniciada em 1998. Em somente quatro dias de outubro, 34 incêndios foram reportados no estado.

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Se for considerado o acumulado de 2021, até o dia 4 de outubro, já foram registrados 17,54 mil focos de incêndios na região Sudeste, onde se concentra a maior parte da produção de cana-de-açúcar. A quantia é a maior no acumulado anual desde 2010 – lembrando que ainda faltam pouco mais de dois meses para o fim do ano.

Com isso, os canaviais ficam cada vez mais fragilizados. A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) enxerga para 2021/22 uma retração de 75 milhões de toneladas na moagem ante o ciclo anterior devido aos impactos das queimadas e das geadas. A visão é semelhante ao levantamento feito pelo NovaCana com 27 consultorias.

Conforme o diretor técnico da Unica, Antônio de Pádua Rodrigues, o fogo prejudica tanto a cana que restou para ser colhida, reduzindo a sua produtividade, quanto a matéria-prima disponível para a próxima temporada, uma vez que o ciclo de plantio é alterado.

Além disso, a entidade estima que 3% dos canaviais do estado de São Paulo foram destruídos por incêndios desde agosto desse ano, equivalendo a 150 mil hectares com estragos que devem refletir para o próximo ano.

Sobre este assunto, o NovaCana conversou com o economista do Instituto de Pesquisa e Educação Continuada em Economia e Gestão (Pecege), Haroldo Torres, que trouxe alguns pormenores em relação aos incêndios, especialmente focado nos reflexos para o setor sucroenergético. A entrevista completa foi originalmente enviada por meio do newsletter NC+ e, agora, está disponível para os assinantes do portal.


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