Açúcar: Mercado

Analista da MB Agro projeta impacto do coronavírus para setor de açúcar e etanol


Globo Rural - 17 mar 2020 - 07:49

A Comissão Europeia anunciou nesta segunda-feira (16) que suas fronteiras estão fechadas por pelo menos 30 dias, em 27 países da União Europeia e quatro membros da Zona Schengen, como medida de combate à pandemia de coronavírus. O anúncio da medida, que visa coibir principalmente o trânsito de pessoas entre os países, não detalha o transporte de alimentos ou se os portos europeus também serão fechados para o recebimento de mercadorias.

A União Europeia é um dos principais blocos compradores do Brasil e a demanda por alimentos, como carnes, vinha crescendo em 2020. Agora, a expectativa é que haja uma queda. “Com a determinação do isolamento social na Europa, a demanda por carnes deve cair nos próximos dois ou três meses, ou enquanto durar essa crise”, disse Rafael Ribeiro, da Scot Consultoria. “Com a redução do volume, pode haver uma renegociação de preços”.

Com os países da União Europeia fora do jogo, a China, que já passou pela fase mais aguda da crise provocada pelo novo coronavírus, e está retomando sua rotina, pode pedir renegociação de contratos. “Certamente haverá um impacto em médio prazo, mas também uma retomada do consumo no segundo semestre”, diz.

Para o diretor da consultoria MB Agro, José Carlos Hausknecht, a cadeia produtiva de açúcar e etanol deve sentir mais os efeitos da pandemia de coronavírus sobre os mercados em relação a outros segmentos do agronegócio. Segundo ele, a tendência é, de um modo geral, uma redução de consumo, mas os alimentos seriam menos afetados.

“Os alimentos seriam menos afetados, porque, no final das contas, a população acaba consumindo de alguma maneira. Obviamente, existem algumas mudanças de padrão de consumo. Cada lugar vai ter uma cultura diferente”, analisa.

O consultor explica que o setor de açúcar e etanol está mais atrelados ao mercado do petróleo, que vem sofrendo forte baixa de preços nas últimas semanas. Um movimento ligado a incertezas trazidas pela pandemia e também pelo impasse entre Arábia Saudita e Rússia em relação a ajustes de produção da commodity.

“O etanol cai por conta da gasolina. E o preço do açúcar caiu também”, diz. “A situação ainda é bastante razoável, especialmente aqui no Brasil, porque o câmbio tem ajudado muito”, avalia o consultor.

Viviane Taguchi, Mariana Grilli e Raphael Salomão


Acompanhe as notícias do setor

Assine nosso boletim

account_box
mail