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Açúcar: Exportação

Exportações de açúcar caíram 25% em 2018, mas Raízen mantém dianteira [ranking]

Brasil exportou 18,67 milhões de toneladas da commodity em 2018; ranking traz volume por companhia


novaCana.com - 31 jan 2019 - 11:00 - Última atualização em: 05 set 2019 - 15:24

Seis milhões e duzentas mil toneladas: este é o tamanho da queda no volume de açúcar exportado pelo Brasil em 2018 em relação ao ano anterior. Uma redução nessas proporções – mais especificamente, de 25% – trouxe impactos significativos para as principais companhias exportadoras da commodity no país.

Ainda assim, apesar das mudanças no ranking geral do segmento, as lideranças se mantiveram, com Raízen e Copersucar representando 20% do volume total comercializado.

O balanço semestral, lançado pelo novaCana em agosto, já traçava este panorama. À época, as exportações haviam caído 18% na comparação entre os dois anos. Os principais motivos eram os mesmos: a oferta elevada da commodity no mercado internacional, resultando em preços nada favoráveis; usinas com dificuldades financeiras, o que limitou investimentos nos canaviais e na indústria; e a maior competitividade do etanol nos postos.

A redução foi agravada pela seca que assolou as principais regiões produtoras do país e até pela greve dos caminhoneiros, em maio, que encareceu insumos e prejudicou a produção no período.

Apesar disso, o volume inferior da produção de açúcar no Brasil transformou a safra global, que seria gigantesca..., em apenas enorme. Uma quantidade ainda maior vinda dos canaviais brasileiros empurraria os preços da commodity mais para baixo, piorando a situação das usinas. Assim, neste cenário, as companhias puderam concentrar a produção no etanol, que atingiu 64,5% do direcionamento da matéria-prima em 2018/19.

Segundo a agência marítima Williams, que acompanha as saídas de açúcar pelos portos brasileiros, o país exportou 18,67 milhões de toneladas de açúcar via porão de navio em 2018, 25% a menos que os 24,89 milhões de toneladas de 2017 e o menor volume da série histórica iniciada em 2011. De lá para cá, o montante nunca havia sido inferior a 22 milhões de toneladas.

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O número se diferencia do divulgado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) por excluir os embarques por contêiner e por diferenças metodológicas na captação dos dados. Segundo o ministério, o Brasil exportou 21,3 milhões de toneladas de açúcar em 2018, queda de 25,8% em relação às 28,7 milhões de toneladas de 2017.

Ranking: 30 maiores exportadoras de 2018

Entre as maiores exportadoras do país, a Raízen segue na dianteira do ranking, mas com um volume bem menor do que em 2017: foram 2,09 milhões de toneladas ante as 3,1 milhões de toneladas vistas um ano antes, uma redução de 32,37%. Das 18,67 milhões de toneladas totais exportadas em 2018, a companhia corresponde a 11,23%.

O segundo lugar permanece com a Copersucar, que registrou um volume 39,56% menor no comparativo entre os dois anos. O total exportado caiu de 2,72 milhões de toneladas para 1,64 milhões de toneladas.

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Na sequência, em terceiro e quarto lugares, estão as empresas Santa Terezinha e Biosev. As companhias trocaram de posição no comparativo anual graças a uma menor queda no volume exportado pela primeira, de 4,22%, ante a redução de 21,10% vivida pela segunda. Em 2018, a Santa Terezinha comercializou 1,28 milhões de toneladas, enquanto a Biosev vendeu 1,19 milhões de toneladas.

Com 10 usinas no Paraná, a Santa Terezinha teve uma redução menos significativa nas exportações de açúcar que as demais companhias de porte similar, o que pode ser explicado pelo perfil tradicionalmente açucareiro do estado. No atual contexto de preços, entretanto, a companhia pode acabar sendo financeiramente prejudicada. Em julho do ano passado, por exemplo, a Santa Terezinha decidiu vender 65% da sua participação em um terminal de açúcar no porto de Paranaguá – reflexo do alto endividamento e da baixa remuneração da commodity.

A Biosev, por sua vez, também enfrentou dificuldades em 2018. A companhia possui um endividamento considerado alto e, em março, precisou de uma injeção de capital de sua controladora, a trading de commodities Louis Dreyfus. Posteriormente, duas unidades do grupo foram vendidas.

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Dentre as 30 maiores exportadoras de açúcar brasileiro, somente sete companhias apresentaram uma variação positiva no comparativo anual. Dentre elas, a SJC, joint venture entre a Cargill e o Grupo USJ, foi a que apresentou maior elevação nas vendas, de 84,42%. Em contrapartida, a Atvos teve a maior redução no volume exportado, uma queda de 51,99%.

Para quem as usinas venderam?

A líder do ranking, Raízen, teve o seu açúcar comercializado em 15 países por meio de 14 empresas – sendo que todos os embarques saíram de Santos. Dentre as tradings para quem o grupo vendeu, a maior compradora foi a Wilmar, com quem a empresa possui uma joint venture, a RaW. O volume foi de 917,62 mil toneladas, mas não há informação de destino deste montante.

Em seguida, a compradora Sucden adquiriu 363,73 mil toneladas da Raízen. Essa quantia foi destinada para países como Nigéria (85,72 mil t), Bangladesh (57,74 mil t), Marrocos (42,75 mil t) e Singapura (40 mil t). Já a Nolis comprou 269,68 mil toneladas da Raízen, a maioria destinada à Argélia.

A Copersucar teve a Alvean como a maior compradora em 2018 (745,30 mil t) e o principal país de destino foi a Arábia Saudita (240,52 mil t). Inclusive, todo o volume do açúcar da empresa exportado para lá foi justamente por meio da Alvean, joint venture formada pela própria Copersucar e pela Cargill.

No total, 17 países receberam o adoçante produzido pela Copersucar, enviado por meio de 13 empresas, embora 467,32 mil t não possuem informação de destino. Dos embarques, 62 foram por Santos e cinco por Paranaguá.

Já o açúcar fabricado pela Santa Terezinha chegou a 11 países por meio de sete compradoras. A trading que adquiriu o maior volume foi a Alvean (518,22 mil t), enviando a maior parte para o Iraque (478,22 mil t). Um volume de 231,67 milhões foi comercializado com a Louis Dreyfus, tendo a Argélia como principal destino (72,9 mil t). Todos os embarques foram pelo porto de Paranaguá.

Dentre as cinco maiores vendedoras de açúcar de 2018, a Biosev bateu o recorde de empresas com quem comercializou e de destinos: foram 21 tradings que mandaram a commodity para 20 países. A maior compradora foi a própria controladora do grupo sucroenergético, a Louis Dreyfrus, com 378,11 mil t.

Além disso, no total, foram 58 embarques pelo porto santista e 17 pelo porto parnanguara. O maior volume, 690,66 mil toneladas, não contém informação de destino.

Já a Cofco vendeu predominantemente para a Wilmar (300,17 mil t) e, em seguida, para sua própria trading (205,14 mil t). Neste segundo caso, o açúcar desembarcou em países como Argélia, China, Índia, Singapura e Venezuela. Todos os 48 embarques de 2018 foram pelo porto de Santos.

Portos de saída do adoçante

Em 2018, Santos e Paranaguá seguiram como os principais portos de exportação do açúcar brasileiro. Pelo primeiro, embarcaram 14,38 milhões de toneladas, ou 77,03% do total. Já por Paranaguá foram 3,17 milhões de toneladas, ou 17% do montante. Volumes menores embarcam pelos portos de Maceió, Recife e Suape.

Contudo, seguindo a tendência geral, os portos tiveram quedas consideráveis em suas saídas. Santos teve uma redução de 23,4% ante os despachos de 18,78 milhões de toneladas em 2017, resultando no menor volume que saiu pelo porto desde 2012. Já Paranaguá registrou uma queda de 49,5% frente às 4,74 milhões de toneladas de 2017, o menor montante da série histórica.

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Principais destinos

O principal destino do açúcar brasileiro no período foi a Argélia, com um total de 1,73 milhões de toneladas. O adoçante chegou até o país despachado pelos portos de Santos (1,10 mi t), Paranaguá (412,33 mil t) e Maceió (214 mil t). Além disso, a empresa que produziu a maior parte do produto comprada por lá, 257,37 mil toneladas, foi a Raízen.

Em seguida, o segundo maior destino foi o Iraque, com 1,18 milhões de toneladas, preponderantemente produzidas pela Santa Terezinha (478,22 mil t). Outras 1,14 milhões de toneladas foram para a Nigéria, terceiro maior destino do adoçante nacional. Do montante, 146 mil toneladas procederam da Copersucar.

Canadá, Arábia Saudita e Bangladesh receberam 850,95 mil, 720,53 mil e 705,77 mil toneladas respectivamente.

Ao mesmo tempo, o relatório da Williams apresenta um montante relevante sem informações de país de desembarque: 7,03 milhões de toneladas.

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Gabrielle Rumor Koster – novaCana.com