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[Entrevista] Cana transgênica dominará os canaviais em dois ciclos, diz Viler Janeiro, do CTC

Em conversa com o NovaCana, diretor de assuntos corporativos do CTC explora o futuro da CTC4, da cana transgênica e dos canaviais brasileiros, passando pelas mudanças na Lei de Proteção de Cultivares

NovaCana 8 min de leitura

Com duas variedades de cana-transgênica já aprovadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), uma subsidiária nos Estados Unidos em funcionamento desde o último trimestre de 2018 e uma das variedades de maior destaque no mais recente censo dos canaviais, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) parece estar de olho no futuro.

Mesmo assim, o diretor de assuntos corporativos da companhia, Viler Janeiro, não descola os dois pés do chão. Em entrevista ao NovaCana, ele comentou as perspectivas do CTC para este e para os próximos anos, sempre atento às tendências já apresentadas pelo setor.

“A estratégia para crescimento do market share está baseada na demonstração para os usuários dos resultados de produtividade e margens obtidos com o uso das principais variedades comerciais”, afirma. De acordo com ele, o CTC também deve realizar o lançamento de novas variedades com desempenho “significativamente superior” ao dos principais padrões do mercado e prestação de serviços de assistência técnica “sem paralelo”.

Ao mesmo tempo, Janeiro também comenta assuntos delicados, como o pleito do CTC por mudanças na Lei de Proteção de Cultivares. Pelas regras atuais, a CTC4 – atual ‘campeã’ da companhia e segunda maior variedade de cana em concentração no Centro-Sul – deixará de render royalties em 2020, o que pode ter impacto no caixa do CTC.

“Trata-se de uma questão abrangente e de vital importância para o setor”, garante e defende: “As discussões em torno da extensão da Lei de Proteção de Cultivares visam viabilizar as iniciativas de melhoramento genético e pesquisa em cana-de-açúcar”.

“Estimamos que, possivelmente, em um prazo inferior a dois ciclos da cana, as variedades geneticamente modificadas representarão a maior parte do canavial brasileiro”

Na entrevista concedida ao NovaCana, Janeiro também explora as perspectivas para a cana transgênica, a CTC4 e a pesquisa de novas variedades no Brasil.

Com duas variedades de cana-transgênica já aprovadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), uma subsidiária nos Estados Unidos em funcionamento desde o último trimestre de 2018 e uma das variedades de maior destaque no mais recente censo dos canaviais, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) parece estar de olho no futuro.

Mesmo assim, o diretor de assuntos corporativos da companhia, Viler Janeiro, não descola os dois pés do chão. Em entrevista ao NovaCana, ele comentou as perspectivas do CTC para este e para os próximos anos, sempre atento às tendências já apresentadas pelo setor.

“A estratégia para crescimento do market share está baseada na demonstração para os usuários dos resultados de produtividade e margens obtidos com o uso das principais variedades comerciais”, afirma. De acordo com ele, o CTC também deve realizar o lançamento de novas variedades com desempenho “significativamente superior” ao dos principais padrões do mercado e prestação de serviços de assistência técnica “sem paralelo”.

Ao mesmo tempo, Janeiro também comenta assuntos delicados, como o pleito do CTC por mudanças na Lei de Proteção de Cultivares. Pelas regras atuais, a CTC4 – atual ‘campeã’ da companhia e segunda maior variedade de cana em concentração no Centro-Sul – deixará de render royalties em 2020, o que pode ter impacto no caixa do CTC.

“Trata-se de uma questão abrangente e de vital importância para o setor”, garante e defende: “As discussões em torno da extensão da Lei de Proteção de Cultivares visam viabilizar as iniciativas de melhoramento genético e pesquisa em cana-de-açúcar”.

Na entrevista concedida ao NovaCana, Janeiro também explora as perspectivas para a cana transgênica, a CTC4 e a pesquisa de novas variedades no Brasil.

No ano passado, o CTC realizou diversos anúncios importantes. Quais serão as próximas novidades?
No curto prazo, teremos dois novos materiais convencionais e a CTC9001BT, segunda variedade geneticamente modificada para o controle da broca.

O CTC já tem duas variedades de cana transgênica aprovadas pela CTNBio. Teremos mais no futuro? Em que estágio estão os próximos lançamentos?
Sim. Estamos trabalhando na expansão do portfólio de variedades resistentes à broca. Ao mesmo tempo, em uma segunda frente, já começamos os trabalhos para criar variedades resistentes não apenas à broca, mas também ao bicudo (Sphenophorus levis), e tolerantes a herbicidas como o glifosato.

“O CTC pretende lançar nos próximos anos um amplo portfólio de variedades geneticamente modificadas, de forma a cobrir os diferentes ambientes de produção e épocas de colheita do setor”

Como está acontecendo a inserção das variedades transgênicas no mercado? Qual é a área plantada atual e a perspectiva de crescimento para as próximas safras?
Assim como acontece na introdução de qualquer nova variedade, os primeiros anos serão de multiplicação, visando expandir a área cultivada; não para a produção de açúcar e etanol. Atualmente, mais de 100 usinas da região Centro-Sul do Brasil plantaram a variedade CTC20BT, devendo atingir aproximadamente 4000 hectares plantados no final desta safra. Na safra 2019/20 será feita uma introdução ainda maior para a segunda variedade geneticamente modificada, a CTC9001BT, que já ocupará as primeiras posições na intenção de plantio em várias regiões produtoras.

“Estimamos que, possivelmente, em um prazo inferior a dois ciclos da cana, as variedades geneticamente modificadas representarão a maior parte do canavial brasileiro”

Por que um produtor deve optar pela cana transgênica em vez dos caminhos convencionais para evitar a broca-da-cana e outras pragas?
O combate a pragas é uma demanda antiga do setor, porém, o problema se intensificou com a introdução da mecanização da colheita. Com a biotecnologia, o setor contará com uma maneira moderna e mais eficaz para o controle de certas pragas. No entanto, as alternativas de controle existentes, sejam elas químicas (inseticidas) ou biológicas, ainda que com níveis de controle inferiores aos proporcionados pelas plantas geneticamente modificadas, continuarão fazendo parte do manejo integrado de pragas.

Como tem sido a receptividade dos produtores em relação à cana transgênica?
Até o momento temos recebido relatos muito positivos em relação ao controle da broca da cana com a variedade BT. As primeiras avaliações comprovam o desempenho do produto, que apresentou eficiência média de controle de 98,5% quando comparada com variedades convencionais em áreas adjacentes.

Os canaviais brasileiros têm vivenciado taxas de renovação abaixo das desejáveis. O CTC acredita que pode ter um papel para mudar esse quadro?
Nos últimos cinco anos houve evolução no perfil varietal. Na safra 2013/14, as três principais variedades cultivadas representavam cerca de 50% da área e eram variedades desenvolvidas na década de 1980. Na safra 2018/19, apenas uma delas ainda continua no grupo das três principais e duas foram substituídas por variedades mais modernas, tais como a CTC4, lançada em 2005. Nosso papel é o desenvolvimento de variedades que atendam às necessidades dos produtores, contribuindo para o aumento de produtividade.

Com a chegada do RenovaBio, em 2020, quais são as expectativas em relação à renovação dos canaviais e à utilização de novas variedades?
O RenovaBio deve incentivar a expansão de biocombustíveis, garantindo a previsibilidade de investimentos e estimulando a inovação tecnológica. Existe, portanto, clara chance de novo ciclo de crescimento do setor e o CTC terá um papel relevante neste processo, principalmente devido ao maior incentivo aos produtores na busca de eficiência e produtividade.

A CTC4 tem se destacado como uma das variedades mais plantadas do Brasil. Quais são as expectativas em relação a ela? Por quanto tempo essa tendência deve se manter e por quê?
Na safra 2018/19, a CTC4 foi a terceira variedade mais plantada e poderá ser a primeira em intenção de plantio nos próximos anos. Tipicamente, uma variedade atinge adoção máxima aproximadamente 20 anos após sua introdução comercial, portanto, podemos esperar que a CTC4 permaneça ainda mais alguns anos com importante participação no canavial brasileiro.

O CTC tem sido uma das principais vozes na defesa da extensão do prazo para proteção de variedades. Por que esse pleito ganhou força nos últimos meses e quais são os riscos para a companhia caso a extensão não seja aprovada pelo congresso?
Na cana-de-açúcar, em função da complexidade genética, o desenvolvimento de uma nova variedade é extremamente lento (8 a 15 anos) e, após seu lançamento, uma variedade levará aproximadamente 20 anos para atingir sua adoção máxima devido às restrições impostas por sua forma de plantio. Os Projetos de Lei em discussão no Congresso Nacional propõem o aumento do prazo de proteção, visando reestabelecer o equilíbrio econômico necessário para continuidade ao processo de pesquisa e ao círculo virtuoso de geração de tecnologia.

O CTC defende que a extensão para 25 anos também seja aplicada a variedades que já estão no campo. Por que não se restringir a variedades a serem lançadas?
Para que a Lei de Proteção de Cultivares cumpra com seus objetivos, é necessário que a correção proposta tenha efeito imediato.

As pesquisas na área estão efetivamente ameaçadas se não for realizada essa mudança na Lei de Proteção de Cultivares?
À exceção do CTC, há décadas, apenas instituições públicas atuam no desenvolvimento de variedades de cana. A Lei de Proteção de Cultivares em vigor não incentiva atuação de empresas privadas de tecnologia no melhoramento genético, e como consequência, o plantel de variedades é antiquado e de baixa produtividade, traduzindo-se em perda de oportunidade para o setor.

Renata Bossle – NovaCana

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