Problemas na administração e cancelamentos de contratos impediram a realização de novos investimentos. Administradora judicial tem 60 dias para apresentar plano de recuperação
O Grupo Vignis, referência em biotecnologia voltada ao setor da cana-de-açúcar desde 2010, entrou com um pedido de recuperação judicial no dia 4 de junho e recebeu seu deferimento na última semana.
O grupo tinha grandes expectativas de produção para a safra atual, mas dificuldades na administração do projeto e o cancelamento de contratos com grandes empresas sucroenergéticas impediram a realização de novos investimentos. A Vignis, então, decidiu entrar com um recuperação judicial no valor de R$ 10 mil.
Com o pedido, o empresa quer encontrar novas perspectivas e reformular seu modelo de gestão de negócios a fim de obter lucros para a manutenção das atividades.
A Vignis tem 60 dias a partir da data da sentença para apresentar o plano de recuperação para deliberação dos credores.
Confira na versão completa:
- Empresas tiveram contratos com a Vignis quebrados
- O que levou a Vignis a pedir a recuperação judicial
- Próximos passos e manutenção das atividades
- Histórico da companhia
O Grupo Vignis, referência em biotecnologia voltada ao setor da cana-de-açúcar desde 2010, entrou com um pedido de recuperação judicial no dia 4 de junho e recebeu seu deferimento na última semana.
O grupo tinha grandes expectativas de produção para a safra atual, mas dificuldades na administração do projeto e o cancelamento de contratos com empresas como a Raízen, a Zilor e a Odebrecht impediram a realização de novos investimentos. A Vignis, então, decidiu entrar com um recuperação judicial no valor de R$ 10 mil.
Segundo a documentação do processo, o pedido foi feito para que o grupo encontre novas perspectivas e reformule seu modelo de gestão de negócios a fim de obter lucros para a manutenção de suas atividades. Assim, será possível seguir com o desenvolvimento de novas variedades de cana-energia, ajustando o caixa por meio de um plano de reestruturação.
A juíza da 2ª Vara do Foro de Jaguariúna do Tribunal de Justiça do estado de São Paulo, Ana Paula Arias, considerou que existe viabilidade econômica no pedido da Vignis. Ela declara que há a possibilidade de restauração do fluxo econômico das empresas, mesmo com as atuais quebras de contrato e falhas na gestão.
Com o pedido de recuperação judicial atendido, o grupo tem 60 dias a partir da data da sentença para apresentar o plano para deliberação dos credores.
Após a apresentação do plano de reestruturação, os credores deverão deliberar e apresentar divergências ao administrador judicial. O pedido da juíza é que o processo tramite em regime de urgência para que a assembleia geral de credores não leve mais do que 150 dias, a partir da data sentença, para ocorrer.
Empresa segue em funcionamento
Neste meio tempo, a empresa também pediu a preservação dos bens essenciais para a manutenção do seu funcionamento.
Para isso, a Vignis precisa da concessão de tutela de urgência para que sejam mantidas ativas suas linhas telefônicas, a posse dos veículos e dos bens, insumos e máquinas utilizados na produção, bem como para que seja restabelecida a prestação de serviços do sistema utilizado para gestão da empresa.
Nesta primeira análise, a juíza postergou a apreciação do pedido para depois da manifestação do administrador judicial, Maurício Dellova de Campos, que deverá apresentar um parecer sobre a real essencialidade dos bens.
Além disso, para que a recuperação possa acontecer, a juíza determinou a suspensão de todas as ações contra a Vignis e a dispensa da apresentação de certidões negativas em grande parte dos casos. Ela também ordenou que as contas administrativas sejam apresentadas mensalmente enquanto o processo estiver vigente.
Histórico do grupo Vignis
O grupo Vignis foi criado em 2010 para atuar no desenvolvimento de melhoramentos genéticos dedicados à cana-energia, que possui potencial de produção agrícola superior ao da cana-de-açúcar. O modelo de negócio da companhia era baseado nessa vantagem competitiva, permitindo o investimento no uso exclusivo de variedades adaptadas ao projeto de cada cliente.
Sua primeira unidade de produção de biomassa foi inaugurada em 2015, e a expectativa era colher mais de 4 milhões de toneladas de cana na safra 2019/20. Para 2018, o plano era plantar uma área superior a 25 mil hectares, graças a contratos com empresas como Caramuru Alimentos, Votorantim, Citrosuco, Raízen e Odebrecht.
Por mais que os negócios tenham expandido até 2017, problemas na administração culminaram no cancelamento do projeto da Odebrecht, que envolvia um recebimento de mais de 750 mil toneladas ao ano.
Após essa quebra de contrato, outros investimentos não puderam ser realizados. Isso fez com que as negociações com a Zilor e a Raízen, em 2017, e com a Caramuru, em 2018, também fossem canceladas, quebrando as expectativas da companhia.
“Novas perspectivas de negócios foram buscadas pelos administradores da Vignis, com intuito de reformular o modelo de gestão de negócio, onde, ao invés de pesquisa e posterior cultivo, com entrega do bagaço ao cliente, a empresa desenvolverá novas variedades de cana-energia e, com isso, licenciará o uso a terceiros, obtendo, assim, lucros e permitindo, com isso, o soerguimento da empresa”, explica a petição inicial.
Assim, para que o futuro possa trazer um prognóstico favorável, a empresa conta com a realização da recuperação judicial, que possibilitará a renegociação de débitos e adoção de novas medidas para recuperar as expectativas de rendimento.
Rafaella Coury - NovaCana