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USJ pode entrar em default nos próximos 6 meses, aponta S&P

canavial grande 200815De acordo com a classificadora, caso não haja melhora do cenário externo, a USJ Açúcar e Álcool não terá caixa para cumprir suas obrigações dos próximos seis meses

NovaCana 4 min de leitura

As possibilidades de recuperação da USJ Açúcar e Álcool parecem diminuir cada vez mais. Após ter seu rating rebaixado por quatro vezes em 2015 (duas pela Fitch e duas pela Standard & Poor’s), a empresa começou 2016 com mais uma notícia negativa: a S&P anunciou mais um rebaixamento na nota do grupo, que passou de B- para CCC- na escala global e brB- para brCCC- no Brasil.

Com uma estrutura de capital insustentável, sem caixa para pagar as dívidas dos próximos seis meses, o documento aponta apenas três consequências possíveis para a USJ:

As possibilidades de recuperação da USJ Açúcar e Álcool parecem diminuir cada vez mais. Após ter seu rating rebaixado por quatro vezes em 2015 (duas pela Fitch e duas pela Standard & Poor’s), a empresa começou 2016 com mais uma notícia negativa: a S&P anunciou mais um rebaixamento na nota do grupo, que passou de B- para CCC- na escala global e brB- para brCCC- no Brasil.

De acordo com a classificadora, caso não haja melhora do cenário externo, a usina não terá caixa para cumprir suas obrigações dos próximos seis meses. Com esta estrutura de capital insustentável, o documento aponta apenas três consequências possíveis: um default, uma oferta de troca de dívidas sob condições desfavoráveis ou resgate.

Sair desse prognóstico negativo só seria possível com uma estrutura de capital robusta, seja por meio de vendas de ativos substanciais, refinanciamento e acesso a outras fontes de liquidez.

O relatório considera que a empresa enfrenta crescentes pressões de liquidez, com vencimentos de dívidas de curto prazo e cargas de juros consideráveis, além de uma estrutura de capital enfraquecida e ambiente mais desafiador para refinanciamento da dívida.

A agência também classificou a sucroenergética com um rating de recuperação nível 4, o que indica perspectivas de melhora entre 30% e 50%.

Fundamentos

A agência de classificação aponta que, em função da baixa posição de caixa e estoques insuficientes para atender as obrigações de curto prazo, a estrutura de capital da USJ tornou-se insustentável. Fatores como condições desfavoráveis para refinanciamento da dívida e ritmo lento das vendas de terras contribuíram para piorar a situação.

Os melhores resultados da safra 2015/16 podem fortalecer o fluxo de caixa para o início da próxima safra, mas ainda de maneira insuficiente para segurar os resultados da influência cambial.

O impacto da depreciação do real diante do dólar também teve forte influência no aumento da dívida da usina, visto que cerca de 75% dos vencimentos estão na moeda estrangeira. A alavancagem considerando o câmbio chega a 7,4x.

Maiores cargas de juros por causa da depreciação da moeda, métricas de crédito fracas e investimentos e aportes elevados para joint-venture com a SJC Bioenergia resultaram em fluxos de caixa operacional livre negativos e maior endividamento.

Mesmo com possibilidade de alongar os vencimentos – a maioria das dívidas não é garantida por ativos e há grandes quantidades de terras que podem servir de garantia – os ratings de recuperação de dívida do bond da empresa poderiam se deteriorar diante desse cenário.

Liquidez fraca

Segundo a análise da S&P a empresa deve sofrer uma defasagem entre as fontes e necessidades de caixa perto dos R$ 200 milhões nos próximos 12 meses, ficando exposta aos riscos de refinanciamento mediante condições apertadas de liquidez. A alta carga de juros deve persistir.

No curto prazo, a dívida da usina chega a R$ 308 milhões, enquanto as principais fontes de liquidez somam R$ 250 milhões. Além disso, a agência aponta que existem outros gastos de cerca de R$ 112 milhões envolvendo saídas de capital de giro, capex e pagamento de dividendos.

Cenário negativo continua

A avaliadora ainda comenta que o rating da USJ pode continuar caindo. “Rebaixaremos os ratings se a USJ não atender suas futuras obrigações financeiras ou se a empresa perseguir uma troca de dívida que vejamos como desfavorável aos credores”, escreve no documento.

Uma ação de rating positiva é classificada como improvável pela Standard & Poor’s.

Jorge Mariano – NovaCana

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