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Com nova postura do governo, usinas voltam a se reunir no Palácio do Planalto

palacioplanaltodivAbertura maior do governo em relação ao etanol coincidiu com a queda nas intenções de voto e crescimento da rejeição da presidente Dilma Rousseff
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A cúpula do setor de etanol e a Anfavea retornam amanhã (dia 18) ao Palácio do Planalto para conhecer o plano de trabalho que guiará as análises para o aumento da mistura do etanol na gasolina.

A cúpula do setor de etanol e a Anfavea retornam amanhã (18) ao Palácio do Planalto para conhecer o plano de trabalho que guiará as análises para o aumento da mistura do etanol na gasolina.

O Fórum Nacional Sucroenergético e a Unica, representantes do segmento nas discussões, estão confiantes. Segundo o presidente do Fórum, André Rocha, a expectativa é que entre agosto e setembro um novo patamar da mistura seja realidade. A presidente da Unica, Elizabeth Farina classificou como "firme" a posição do governo em relação ao aumento da mistura na reunião da semana passada.

Nesta quarta-feira espera-se que sejam definidos quais testes serão realizados pelo Inmetro e o Centro de Pesquisas da Petrobras dentro do prazo estabelecido de dez semanas.

A Anfavea, embora aponte que alteração do percentual geraria prejuízo aos veículos mais antigos, apresentou apenas ensaios indicando para a possibilidade de surgirem problemas técnicos.

Já o Inmetro chegou a apresentar, baseado em um levantamento de estudos pelo mundo, um relato favorável ao aumento da mistura de etanol, de acordo com informações da Unica. Entre os trabalhos estaria um realizado pela Petrobras já há alguns anos nos Estados Unidos indicando a viabilidade da mistura de até 30% de etanol na gasolina.

Na câmara dos Deputados emendas parlamentares à MP do Biodiesel sugerem também que a composição de etanol na gasolina seja alterada para o teto de até 30%. No entanto, Rocha afirma que, no momento, o foco é o percentual de 27,5%, que seria mais viável tecnicamente.

Apesar desta expectativa, o jornal O Estado de S. Paulo publicou hoje (17) que o governo chegou a um consenso informal de que seria aceitável elevar inicialmente a mistura para apenas 26%

Os deputados estão também incluindo artigos na MP do biodiesel alterando o limite mínimo da variação do etanol na gasolina, atualmente entre 18% e 25%, a Unica informa que está solicitando apenas a alteração do limite máximo.

Mais expectativa

Paralelamente outra medida também está na pauta do grupo de trabalho, a ideia é criar um dispositivo de estímulo ao aumento da eficiência no do uso do etanol por motores flex de modo a alterar a relação atual de eficiência no uso biocombustível em comparação à gasolina. Além disso, o setor pede para que a fabricação e importação dos carros híbridos, que podem funcionar com baterias elétricas, também tenham motores flex.

No final do ano passado o vice-presidente da Anfavea Henry Joseph Júnior afirmou ser inviável alterar a correlação de eficiência para reduzir o gap de 30% no uso do etanol. No entanto o presidente do Fórum Naconal Sucroenergético afirmou que a entidade que representa as montadoras em nenhum momento se manifestou contrária a essa proposta.

Mudança de postura

Segundo André Rocha, o que parece uma súbita mudança, iniciada há pouco mais de duas semanas, na relação entre o governo e o setor sucroenergético, começou ainda em fevereiro. Na época foi ampliado o diálogo com os ministérios que passou a abranger também as pastas da Fazenda e da Indústria, Comércio e Desenvolvimento (MDIC), parte do "núcleo duro" do governo.

No entanto, o evento definitivo nessa virada de mesa foi o jantar promovido pela senadora Kátia Abreu, ao final de maio, com a presença do primeiro escalão federal, inclusive a presidente Dilma Rousseff, que na ocasião incumbiu o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, de articular a negociação com o setor.

Essa abertura maior do governo coincidiu com a queda nas intenções de voto e crescimento da rejeição da presidente Dilma Rousseff para a próxima eleição.

Mesmo com a mudança de postura política do governo em relação a estas duas medidas, Elizabeth Farina fez questão de ressaltar que isto não equaciona a falta de capacidade produtiva, que continuará muito distante da necessidade do país até o final da década. "O setor precisa muito de decisões imediatas, mas o aumento da mistura não soluciona o problema da falta de investimentos."

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