Documentação das unidades foi disponibilizada pela firma inspetora SGS do Brasil em setembro, mas acabou sendo retirada após alguns dias
Começa hoje (28) a consulta pública das três unidades do grupo Zilor localizadas em São Paulo. De acordo com informações disponibilizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na semana passada, a documentação das usinas ficará disponível para comentários no site da SGS do Brasil até 26 de novembro.
Essa, contudo, não é a primeira vez que a firma inspetora inicia a consulta pública destas unidades. Em setembro, os documentos chegaram a ser disponibilizados por alguns dias e os dados inclusive aparecem no levantamento publicado pelo NovaCana em 12 de setembro.
Até aquele momento, outras duas usinas – Ferrari e Cevasa, também clientes da SGS – já haviam tido suas consultas públicas retiradas do site. Segundo uma fonte consultada na ocasião, que pediu para não ser identificada, a ANP demorou mais do que os cinco dias habituais para fazer a liberação da consulta pública. O site da firma inspetora, porém, estava programado para colocar os documentos no ar.
Até o momento, no entanto, a documentação destas usinas não voltou a ser disponibilizada.
No texto completo, saiba mais sobre as notas de eficiência energético-ambiental obtidas pelas usinas do grupo Zilor, a quantidade de litros necessários para cada unidade gerar um CBio e as projeções de rendimento das usinas.
Começa hoje (28) a consulta pública das três unidades do grupo Zilor localizadas em São Paulo. De acordo com informações disponibilizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) na semana passada, a documentação das usinas ficará disponível para comentários no site da SGS do Brasil até 26 de novembro.
Essa, contudo, não é a primeira vez que a firma inspetora inicia a consulta pública destas unidades. Em setembro, os documentos chegaram a ser disponibilizados por alguns dias e os dados inclusive aparecem no levantamento publicado pelo NovaCana em 12 de setembro.
Até aquele momento, outras duas usinas – Ferrari e Cevasa, também clientes da SGS – já haviam tido suas consultas públicas retiradas do site. Segundo uma fonte consultada na ocasião, que pediu para não ser identificada, a ANP demorou mais do que os cinco dias habituais para fazer a liberação da consulta pública. O site da firma inspetora, porém, estava programado para colocar os documentos no ar.
Até o momento, no entanto, a documentação destas usinas não voltou a ser disponibilizada – diferente do que ocorreu com as unidades do grupo Zilor.
As notas da Zilor
Existe diferenças entre os dados divulgados pela SGS em setembro e os desta semana. As notas de eficiência energético-ambiental de todas as unidades do grupo mudaram, modificando também os fatores de emissão.
Desta forma, de acordo com os dados divulgados, a unidade Quatá tem as melhores notas de eficiência energético-ambiental do grupo. Localizada em Quatá (SP), ela obteve as notas 57,8 e 57,5 gCO2/MJ para seu etanol anidro e hidratado, respectivamente – valores menores que os divulgados anteriormente.
Considerando a quantidade de matéria-prima elegível, a quantidade de litros necessária para a emissão de 1 CBio é de 779,42 para o etanol anidro e 820,34 para o hidratado, valores maiores que os de setembro.
Na sequência, está a unidade São José, de Macatuba (SP), com as notas 54 e 53,7 gCO2/MJ para anidro e hidratado, respectivamente e, por fim, a usina Barra Grande, de Lençóis Paulista (SP), obteve 51,3 e 50,9 gCO2/MJ, respectivamente.
Comparando com os valores divulgados em setembro, ambas as unidades apresentaram melhora nas suas notas de eficiência energético ambiental.
Ainda assim, estas duas usinas possuem as notas mais baixas já registradas nas usinas que entraram em consulta pública. Um dos principais motivos é a utilização de dados-padrão da RenovaCalc – a calculadora do programa – para toda a produção agrícola. Com isso, as unidades tiveram uma espécie de penalização nos resultados, com o preenchimento de valores que estão acima da média do mercado e que consideram, entre outras questões, colheita com queima em toda a área.
Assim, para a São José, são necessários 846,02 litros de hidratado ou 890,47 litros de anidro para a geração de um CBio. No caso da Barra Grande, os volumes passam a ser de 895,26 litros e 945,18 litros, respectivamente.
Outra mudança entre os documentos divulgados em setembro e os de agora é a redução da área elegível de todas as unidades. Assim, mesmo que tenha ocorrido um aumento na nota de eficiência energético-ambiental, como foi o caso da São José e da Barra Grande, a redução da área tem efeito negativo no fator de emissão do CBio.
Projeção de receita
Considerando a capacidade autorizada de produção das usinas determinada pela ANP e três cenários de preço para os CBios – conforme documentação disponibilizada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) –, o NovaCana calculou a receita adicional das usinas para uma safra com operação de 180 dias.
No caso da usina Quatá, a comercialização dos CBios pode gerar a entrada de R$ 6,55 milhões em um cenário considerado pessimista pelo ministério, no qual os títulos seriam vendidos, em média, a R$ 17. Na outra ponta, em um cenário otimista, esta receita passaria a ser de R$ 56,28 milhões – neste caso, o CBio custaria R$ 146.
O cenário considerado mais provável pelo ministério, entretanto, envolve o preço de R$ 34 por CBio. Assim, a Quatá receberia R$ 13,1 milhões ao longo de uma safra. Para a usina São José, o valor seria de R$ 12,98 milhões, enquanto a Barra Grande receberia R$ 11,9 milhões.
Somadas, as três usinas receberiam R$ 38,1 milhões por safra no cenário de preços médios do CBio. Com as mudanças entre os dados divulgados em setembro e hoje, a projeção de lucros do grupo diminuiu.
Rafaella Coury e Renata Bossle – NovaCana
Com reportagem adicional de Gabrielle Rumor Koster