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Usinas brasileiras devem exportar cinco vezes mais etanol para a Califórnia

bomba-abastecimento-270214Consultoria internacional prevê que a participação do biocombustível brasileiro no estado dos EUA salte para 1,9 bilhão de litros nos próximo anos
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Quase a mesma quantidade de etanol que o Brasil enviou aos Estados Unidos em 2012 poderá ser absorvida por um único estado norte-americano nos próximos anos. A expectativa é de que a demanda da Califórnia pelo etanol de cana brasileiro aumente pelo menos cinco vezes até 2016 ou 2017.

Confira a seguir os detalhes do estudo que analisou como deve ser a participação do etanol brasileiro no mercado californiano e porque as usinas brasileiras desejam tanto entrar neste mercado.

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Quase a mesma quantidade de etanol que o Brasil enviou aos Estados Unidos em 2012 poderá ser absorvida por um único estado norte-americano nos próximos anos. A expectativa é de que a demanda da Califórnia pelo etanol de cana brasileiro aumente pelo menos cinco vezes até 2016 ou 2017, seguindo com demanda constante até o final da década. O motivo é a busca pelo cumprimento da mais rígida legislação para redução dos gases de efeito estufa no transporte, o Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono (Low Carbon Fuel Standard – LCFS).

A projeção é feita pela consultoria ICF Internacional em um trabalho dedicado às perspectivas para alcançar a conformidade do LCFS até o final da década. O estudo é de 2013 e foi encomendado pela Coalização do Transporte Elétrico da Califórnia (CalETC, na sigla em inglês), uma organização que promove o uso de veículos elétricos como meio de atingir as metas de ar limpo do estado, em parceria com empresas e entidades norte-americanas ligadas à área de biocombustíveis e gás natural.

Para as projeções, a consultoria "centra-se no desenvolvimento de cenários de conformidade com base em pesquisa de mercado, consulta com as partes interessadas, e previsões de mercado com base nas melhores estimativas de disponibilidade de combustível."

A estimativa de participação do etanol de cana são similares nos dois cenários elaborados pelo IFC. "Para os fins deste projeto, a equipe ICF procurou limitar a importação de etanol brasileiro para a Califórnia em níveis de 500 milhões de galões [1,9 bilhões de litros] por ano, em um esforço para minimizar a dependência de esta opção de conformidade". Apenas no terceiro cenário, chamado de "LCFS aprimorado" a participação é menor. Entretanto, a projeção foi proposta por uma das partes responsáveis pela contratação da consultoria.

Nos dois primeiros cenários, a demanda pelo carburante de cana pela Califórnia nos próximos anos alcançaria o equivalente ao etanol brasileiro enviado a todo território norte-americano em 2012, quando foram exportados aos EUA 2 bilhões de litros do carburante, número recorde para essa transação. Em relação ao consumo do próprio estado, isso aumentaria as importações etanol do Brasil em cinco vezes e meia, considerando que em 2012 a demanda foi de cerca de 340,6 milhões de litros (90 milhões de galões).

No primeiro cenário para o cumprimento do LCFS, o consumo anual pelo etanol brasileiro aumentaria gradualmente até alcançar 1,9 bilhão de litros em 2017, volume que seria mantido até 2020. No cenário seguinte, o teto de 1,9 bilhões de litros seria alcançado mais rapidamente, já em 2016, se mantendo constante até o final da década. A justificativa para o forte aumento da participação brasileira projetado tem três bases.

"Mesmo que este seja um aumento significativo a partir dos mais recentes volumes de etanol de cana brasileiro importados pela Califórnia (pelo menos 90 milhões de litros em 2012), existem três razões para que nossa equipe esteja confiante de que o etanol de cana brasileiro continuará a desempenhar um papel significativo na conformidade: 1) o Brasil tem capacidade suficiente para atender a demanda por etanol, 2) o combustível tem um preço competitivo com o etanol de milho, e 3) há potencial para reduzir a intensidade de carbono do etanol de cana ainda mais".

Já o cenário elaborado pelas entidades e empresas proponentes do estudo defendem que a participação brasileira será mais reduzida. Neste caso o etanol de cana teria como teto a entrada de 1,3 bilhão de litros (350 milhões de galões) anuais. Ainda assim o cenário prevê uma participação abaixo do limite, de até 1,1 bilhão de litros (302 milhões de galões) a serem alcançados em 2018. Nos anos seguintes a participação brasileira recuaria, ficando em 681 milhões de litros (180 milhões de galões) ao final da década.

Este cenário projeta maior participação de veículos avançados e inclui créditos adicionais gerados a partir de eletrificação de automóveis off-road e inovadores processos de extração de petróleo bruto.

Atratividade brasileira

Nos níveis atuais, o etanol brasileiro já é atrativo à Califórnia como combustível de baixo carbono – com intensidade de emissões entre 58 e 79 gCO2/MJ – e os analistas avaliam que estes números tendem a decrescer nos próximos anos, com a adoção de novas tecnologias. Exemplo disso seria a extinção total das queimadas na colheita de cana em áreas mecanizáveis do estado de são Paulo, o que deve ocorrer até o final deste ano.

"Este é um dos principais drivers para as importações de etanol de cana de açúcar do Brasil para a Califórnia, porque é uma das vias de conformidade mais rentáveis ​​para as partes regulamentados [os misturadores e comercializadores de combustíveis no estado dos EUA e os produtores brasileiros]".

O IFC acredita que as condições de produção e de mercado possibilitarão ao Brasil exportar volumes significativamente maiores aos já registrados. Também é levado em conta que outros países com mandatos para biocombustíveis também possam vir a facilitar a entrada do produto brasileiro. Ainda assim, a consultoria acredita que o mercado norte-americano continuará a ter maior atratividade para os produtores brasileiros devido ao menor custo de transporte e tarifas reduzidas para entrada do etanol de cana, considerado um biocombustível avançado frente à regulação dos EUA.

Hoje a maioria do etanol do Brasil é exportado a partir do Porto de Santos e entregue para a Califórnia via Los Angeles ou San Francisco. Também é viável que as cargas sejam entregues via Houston e então enviadas para a Califórnia por ferrovia, no entanto, o estudo pontua que não está claro o quanto essa prática seja comum.

No período do estudo o preço do etanol anidro FOB (Free on Board) no porto de Santos era de US$ 2,65 por galão e o etanol do Brasil saía dos portos da Califórnia a US$ 2,86. "Mesmo a preços de crédito LCFS de US$ 40 a 45, o etanol de cana brasileiro produzido a partir de processos intermediário (com uma intensidade de carbono de cerca de 74 g/MJ) só iria comandar 8 a 9% do prêmio por galão". Assim, o estudo calcula que, sendo misturado em 10% à gasolina californiana, o custo adicional seria de menos de um centavo por galão.

O estudo não explora a remuneração às usinas, mas um produtor brasileiro cadastrado pelo governo da Califórnia informou ao NovaCana que, em julho de 2013, obteve um prêmio de US$ 15,00 por metro cúbico de etanol com intensidade de carbono de 58,4 g/MJ (a menor entre as seis classificações brasileiras).

Mesmo com os custos de transporte, taxa de 2,5% do valor total da remessa e o prêmio pago ao etanol brasileiro quando produzido em processo intermediário (com intensidade de carbono de 74 g/MJ) o IFC considerou os preços ainda atraentes ao estado dos EUA.

Amanda SchArr – NovaCana
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