Decisão da EPA sobre o novo mandato de biocombustíveis pode sair a qualquer momento, enquanto isso setor vive clima de incerteza e trava batalha com gigantes do petróleoEnquanto no Brasil as usinas e o governo disputam uma queda de braço, nos Estados Unidos a situação pode ser considerada mais espinhosa. As usinas de lá estão num embate aberto com a indústria que controla as bombas de combustível —as poderosas petroleiras. O governo, através da EPA, a agência de proteção ambiental americana, é o alvo das pressões.
O portal NovaCana ouviu a Associação de Combustíveis Renováveis do país, a Renewable Fuels Association (RFA, na sigla em inglês), e revela os obstáculos que a indústria enfrenta para fazer o etanol chegar até o consumidor.
A indústria de etanol norte-americana vive um clima de incerteza. Enquanto o governo não anuncia um novo mandato para o biocombustível, as usinas de lá estão num embate aberto com as gigantes do petróleo, que dominam o mercado de combustíveis. A Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês) espera uma decisão favorável nas próximas semanas.
A proposta da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) é reduzir o volume obrigatório de biocombustíveis, entre eles, o etanol, de 68,1 para 57,5 bilhões de litros. O objetivo da redução é "garantir o crescimento dos combustíveis renováveis e, ao mesmo tempo, reconhecer os limites práticos da mistura de etanol".
Pressionada pelas fabricantes de etanol dos Estados Unidos, e também do Brasil, a EPA recebeu duras críticas de entidades como a RFA e a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que na época classificou a proposta como "desnecessária e injustificada". Em defesa, a EPA afirmou que "o objetivo maior é colocar o programa RFS num caminho gerenciável, que dê suporte a um crescimento de combustíveis renováveis contínuo, tangível e realista".
Os obstáculos ao etanol nos EUA incluem problemas na infraestrutura das bombas, o bloqueio das petroleiras, que dificultam o acesso de varejistas e consumidores ao renovável, assim como o baixo preço dos créditos de biocombustível, que desencorajou a venda de etanol. "O mercado de óleo e gás continua no nosso caminho e está frustrando os esforços para fazer com que o E85 e o E15 cheguem nas bombas", afirmou por telefone ao NovaCana o representante legal da RFA, Edward Hubbard.
Os postos não podem vender níveis de mistura mais elevados de etanol porque as bombas não são capazes de distribuir o combustível. "Ninguém – varejistas e petroleiras - está fazendo os investimentos necessários em infraestrutura para resolver este problema", critica.
Mesmo com uma demanda crescente por combustíveis renováveis, o país conta com apenas 2.639[LR1] postos que oferecem o E85. Número inferior aos 157.393[LR2] que vendem o combustível fóssil.
A questão da mistura de etanol na gasolina também é alvo de discussão nos EUA, mas numa escala diferente. Lá, boa parte da frota de veículos a gasolina roda com uma mistura de até 10% de etanol e a indústria automobilística argumenta que uma mistura maior poderia causar danos aos veículos. "As mesmas fabricantes de veículos que estão dizendo que o etanol E15 causará estragos aos carros estão vendendo automóveis no Brasil que usam o E25 sem problema algum", disse Hubbard.

Desde o ano passado, o preço dos créditos de biocombustível, os chamados Rins (Renewable Identification Numbers), começaram a subir, o que fez com que as vendas de etanol aumentassem. Lá, as companhias de petróleo têm a opção de comprar um crédito, ao invés de um galão de combustível renovável, para cumprir a norma que estabelece volumes mínimos para a mistura de fontes mais limpas como o etanol à gasolina.
"Houve um crescimento muito grande na venda de etanol. Mas pouco tempo depois, a EPA ficou preocupada com o alto preço dos Rins que, segundo a indústria de óleo e gás, faria com que o preço da gasolina subisse nas bombas", lembra Hubbard.
Mesmo sem evidências de que haveria uma alta nos preços da gasolina, a EPA cedeu às pressões da indústria petroleira e propôs uma redução para diminuir o mandato de etanol. "O alto preço dos Rins, que encorajavam a venda de etanol, desapareceu. E imediatamente a indústria se viu numa situação em que não havia incentivos ao programa de combustíveis renováveis, o RFS", diz Hubbard.
Embora a RFA não considere a EPA neutra em relação aos interesses da indústria de óleo e gás, as usinas mantêm a esperança de que o novo mandato de biocombustíveis seja favorável ao setor.
Um executivo da EPA chegou a afirmar que uma decisão final estava prevista para o final deste mês, mas a agência não quis confirmar a data. "A EPA está trabalhando na proposta final para 2014 e espera concluí-la o mais rápido possível", informou a entidade por email.
Relatório completo com as perspectivas para o etanol nos EUA em 2014 está disponível aqui (.pdf).
Leonardo Siqueira – NovaCana
O portal NovaCana ouviu a Associação de Combustíveis Renováveis do país, a Renewable Fuels Association (RFA, na sigla em inglês), e revela os obstáculos que a indústria enfrenta para fazer o etanol chegar até o consumidor.
A indústria de etanol norte-americana vive um clima de incerteza. Enquanto o governo não anuncia um novo mandato para o biocombustível, as usinas de lá estão num embate aberto com as gigantes do petróleo, que dominam o mercado de combustíveis. A Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês) espera uma decisão favorável nas próximas semanas.
A proposta da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) é reduzir o volume obrigatório de biocombustíveis, entre eles, o etanol, de 68,1 para 57,5 bilhões de litros. O objetivo da redução é "garantir o crescimento dos combustíveis renováveis e, ao mesmo tempo, reconhecer os limites práticos da mistura de etanol".
Pressionada pelas fabricantes de etanol dos Estados Unidos, e também do Brasil, a EPA recebeu duras críticas de entidades como a RFA e a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que na época classificou a proposta como "desnecessária e injustificada". Em defesa, a EPA afirmou que "o objetivo maior é colocar o programa RFS num caminho gerenciável, que dê suporte a um crescimento de combustíveis renováveis contínuo, tangível e realista".
Problemas
Além do clima de incerteza no maior produtor de etanol do mundo, as usinas norte-americanas enfrentam uma série de dificuldades para fazer o combustível chegar ao consumidor.Os obstáculos ao etanol nos EUA incluem problemas na infraestrutura das bombas, o bloqueio das petroleiras, que dificultam o acesso de varejistas e consumidores ao renovável, assim como o baixo preço dos créditos de biocombustível, que desencorajou a venda de etanol. "O mercado de óleo e gás continua no nosso caminho e está frustrando os esforços para fazer com que o E85 e o E15 cheguem nas bombas", afirmou por telefone ao NovaCana o representante legal da RFA, Edward Hubbard.
Os postos não podem vender níveis de mistura mais elevados de etanol porque as bombas não são capazes de distribuir o combustível. "Ninguém – varejistas e petroleiras - está fazendo os investimentos necessários em infraestrutura para resolver este problema", critica.
Petroleiras dominam
Hubbard também acusa as petroleiras, donas das bombas de combustível, de impedir o avanço do etanol. "Estas empresas de óleo e gás possuem franquias e têm tornado a venda do E85 impossível. Elas exigem que os franqueados ofereçam um pacote de combustíveis. Assim, se você é franqueado de uma rede que exige um destes pacotes, ela não deixará nenhum espaço para qualquer outro tipo de combustível alternativo", denuncia.Mesmo com uma demanda crescente por combustíveis renováveis, o país conta com apenas 2.639[LR1] postos que oferecem o E85. Número inferior aos 157.393[LR2] que vendem o combustível fóssil.
A questão da mistura de etanol na gasolina também é alvo de discussão nos EUA, mas numa escala diferente. Lá, boa parte da frota de veículos a gasolina roda com uma mistura de até 10% de etanol e a indústria automobilística argumenta que uma mistura maior poderia causar danos aos veículos. "As mesmas fabricantes de veículos que estão dizendo que o etanol E15 causará estragos aos carros estão vendendo automóveis no Brasil que usam o E25 sem problema algum", disse Hubbard.

EPA X Usinas X Petroleiras
Outro ponto que pesa a favor das petroleiras é a simpatia da EPA, segunda a RFA.Desde o ano passado, o preço dos créditos de biocombustível, os chamados Rins (Renewable Identification Numbers), começaram a subir, o que fez com que as vendas de etanol aumentassem. Lá, as companhias de petróleo têm a opção de comprar um crédito, ao invés de um galão de combustível renovável, para cumprir a norma que estabelece volumes mínimos para a mistura de fontes mais limpas como o etanol à gasolina.
"Houve um crescimento muito grande na venda de etanol. Mas pouco tempo depois, a EPA ficou preocupada com o alto preço dos Rins que, segundo a indústria de óleo e gás, faria com que o preço da gasolina subisse nas bombas", lembra Hubbard.
Mesmo sem evidências de que haveria uma alta nos preços da gasolina, a EPA cedeu às pressões da indústria petroleira e propôs uma redução para diminuir o mandato de etanol. "O alto preço dos Rins, que encorajavam a venda de etanol, desapareceu. E imediatamente a indústria se viu numa situação em que não havia incentivos ao programa de combustíveis renováveis, o RFS", diz Hubbard.
Embora a RFA não considere a EPA neutra em relação aos interesses da indústria de óleo e gás, as usinas mantêm a esperança de que o novo mandato de biocombustíveis seja favorável ao setor.
Um executivo da EPA chegou a afirmar que uma decisão final estava prevista para o final deste mês, mas a agência não quis confirmar a data. "A EPA está trabalhando na proposta final para 2014 e espera concluí-la o mais rápido possível", informou a entidade por email.
Relatório completo com as perspectivas para o etanol nos EUA em 2014 está disponível aqui (.pdf).
Leonardo Siqueira – NovaCana