Seis usinas sucroenergéticas da região de Araçatuba anteciparam a moagem da cana-de-açúcar em pelo menos 15 dias. Oficialmente a safra 2014/2015 começa a partir de 1º de abril e deve se estender até a primeira quinzena de dezembro. Uma das justificativas para a antecipação foi a falta de chuva entre os meses de dezembro, janeiro e fevereiro, que prejudicou o desenvolvimento dos canaviais, assim como ocorreu com outras culturas. O preço do etanol nas bombas não deve sofrer redução com o retorno da produção.
O Grupo Clealco foi o primeiro a começar a colheita para abastecer a produção na unidade de Penápolis, onde a safra teve início em 17 de fevereiro. A UPI (Unidade de Produção Independente) adquirida pela companhia por R$ 187 milhões, em leilão judicial em novembro de 2013, foi uma das primeiras do Brasil a entrar em operação. A expectativa é que na primeira safra sob nova administração a indústria consiga esmagar cerca de 2,1 milhões de toneladas de cana.
Nas demais unidades, instaladas nos municípios de Clementina e Queiroz, a moagem começou este mês. Mas, segundo o diretor-executivo da companhia, José Antônio Basseto Júnior, a produção só será computada para a safra 2014/2015 a partir do próximo dia 1º de abril. A Clealco espera fechar o período com 8,2 milhões de toneladas de cana processada.
"Tínhamos reservado uma quantidade de cana-de-açúcar para moer agora em março, quando projetamos finalizar a safra 2013/2014. Em Penápolis a situação foi atípica, porque existia matéria-prima em condições de ser colhida, mas ficou no campo durante as negociações", explicou. Para a próxima temporada, a projeção é esmagar cerca de 10,5 milhões de toneladas em suas três usinas paulistas. Além do açúcar e do álcool hidratado, a companhia vai incorporar a produção do álcool anidro.
O grupo Unialco também já iniciou colheita e processamento da safra 2014/15. A expectativa é de esmagar cerca de 3,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nas duas unidades, em Guararapes e Aparecida do Taboado-MS (Alcoolvale).
Dentre os investimentos do grupo para a temporada, destacam-se aquisição de mais máquinas colhedoras, caminhões, tratores, transbordos e toda frota de apoio da oficina, prancha e bombeiro/pipa. A unidade local pretende processar 1,6 milhão de toneladas de cana-deaçúcar, um incremento no comparativo com a safra passada.
Redução
O grupo Batatais, com usina em Lins, também iniciou a temporada 2014/15 na semana passada. A estimativa é de uma redução de 3% na moagem na Usina Lins. "No ano passado tivemos uma safra muito boa, pois tínhamos muito cana de primeiro corte. Neste ano, nossa produtividade média deve cair", destacou o presidente do grupo, Bernardo Biagi, em entrevista que marcou a abertura da safra. A unidade espera processar 2,23 milhões de toneladas de cana.
O Grupo Renuka do Brasil, com usinas em Brejo Alegre (Revati ) e Promissão (Madhu), também já iniciou a colheita. Mas a companhia não informou sua expectativa de safra.
Na bomba
Para o presidente regional do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), Miguel Rodrigues de Araújo Filho, o fato de as usinas retomarem a produção não deve refletir no preço do combustível nas bombas. "O consumidor só deve sentir o reflexo no final de abril, começo de maio. Isso se a produção em nível nacional for suficiente para abastecer o mercado", pontuou.
Três grupos devem moer somente a partir de abril
Com usinas instaladas nos municípios de Araçatuba, Bentro de Abreu, Andradina, Mirandópolis e Valparaíso, o Grupo Raízen anunciou ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que só vai começar a colheita da cana-de-açúcar na região a partir do mês de abril. A companhia não deu detalhes de como vai operar na safra 2014/2015.
O Grupo Santa Adélia, com usinas em Sud Mennucci e Pereira Barreto, marcou o início da moagem para o próximo mês. Na safra 2013/2014, a empresa registrou um crescimento no processamento da cana de mais um milhão de toneladas. Ao todo, foram processadas 5,84 milhões de toneladas da matéria-prima. Até 2015, a previsão do grupo é de elevar a moagem para 6,50 milhões de toneladas de cana.
A Folha da Região apurou que o Grupo Aralco, com quatro usinas instaladas na região, deverá iniciar a safra em abril apenas nas unidades de Araçatuba (Alcoazul) e General Salgado (Generalcol), onde a companhia concentra a produção de etanol.
Na usina Figueira (Buritama), cuja produção é voltada para o açúcar, o começo da safra está previsto para os meses de junho e julho. A destilaria de Santo Antônio do Aracanguá (Aralco) não operará na safra 2014/2015.
Silvia Helena