Resultado líquido foi acompanhado por uma elevação de 15,2% no endividamento bruto
Após ampliar seu lucro líquido em 4% na safra 2019/20 em comparação com a temporada anterior, a São Manoel registrou um aumento de 324,2% no ciclo mais recente, encerrado em 31 de março. De acordo com a companhia, o resultado líquido foi positivo em R$ 85,05 milhões.
Segundo avaliação do diretor-superintendente da São Manoel, Pedro Dinucci, a safra 2020/21 foi “muito interessante” para a companhia. “Nós ganhamos nas duas pontas: conseguimos ter um ATR maior do que a gente esperava e tivemos uma moagem maior ante a safra anterior. Isso foi muito positivo”, afirma.
Na temporada, a São Manoel registrou um crescimento anual de 4% na moagem, chegando a 3,37 milhões de toneladas. A produção de açúcar, por sua vez, ficou em 4,96 milhões de sacas, enquanto a de etanol chegou a 137,88 milhões de litros, sendo 57,5 milhões de hidratado e 80,38 milhões de anidro.
Apesar do avanço, entretanto, Dinucci revela que a moagem ficou aquém do esperado. “A safra passada foi muito guiada pelo clima. A gente gostaria de ter muito mais, mas conseguimos segurar a produção com algumas técnicas agronômicas”, afirma.
Leia mais no texto completo (exclusivo para assinantes):
- Histórico de resultados líquidos da empresa
- Evolução da receita líquida e dos custos de produção
- Estratégias adotadas: maior valor agregado e aposta na sustentabilidade
- Perfil da dívida da companhia
- Geração de caixa para enfrentar a covid-19
- Perspectivas para a atual safra
Após ampliar seu lucro líquido em 4% na safra 2019/20 em comparação com a temporada anterior, a São Manoel registrou um aumento de 324,2% no ciclo mais recente, encerrado em 31 de março. De acordo com a companhia, o resultado líquido foi positivo em R$ 85,05 milhões.
Segundo avaliação do diretor-superintendente da São Manoel, Pedro Dinucci, a safra 2020/21 foi “muito interessante” para a companhia. “Nós ganhamos nas duas pontas: conseguimos ter um ATR maior do que a gente esperava e tivemos uma moagem maior ante a safra anterior. Isso foi muito positivo”, afirma.
Na temporada, a São Manoel registrou um crescimento anual de 4% na moagem, chegando a 3,37 milhões de toneladas. A produção de açúcar, por sua vez, ficou em 4,96 milhões de sacas, enquanto a de etanol chegou a 137,88 milhões de litros, sendo 57,5 milhões de hidratado e 80,38 milhões de anidro.
Apesar do avanço, entretanto, Dinucci revela que a moagem ficou aquém do esperado. “A safra passada foi muito guiada pelo clima. A gente gostaria de ter muito mais, mas conseguimos segurar a produção com algumas técnicas agronômicas”, afirma.

Financeiramente, o resultado veio em conjunto com uma melhora no desempenho operacional da companhia. Entre as duas últimas temporadas, a receita líquida subiu 30,9%, de R$ 512,18 milhões para R$ 670,26 milhões. Ao mesmo tempo, os custos com os produtos vendidos aumentaram a uma taxa menor, de 19,3%, alcançando R$ 513,37 milhões.
Para efeitos comparativos, os gastos foram equivalentes a 84% do faturamento em 2019/20, relação que caiu 7,4 pontos percentuais em 2020/21, para 76,6%. “A gente conseguiu manter a produção de cana ao mesmo tempo em que o ATR subiu e os produtos tiveram um preço bastante expressivo. Isso permitiu crescer a nossa receita em quase 31%, enquanto seguramos um pouco os custos operacionais”, conta Dinucci.

Entre as medidas adotadas para contenção dos custos, o diretor cita a melhoria de processos por meio de startups. Em 2020, a companhia criou o fundo São Manoel Labs com o objetivo de levar estas iniciativas “para dentro de casa”, como define o executivo. “A gente já está vendo alguns resultados operacionais de redução de custo e de aumento de receita”, comemora.
Com isso, o lucro bruto da São Manoel teve uma elevação de 109,9% na comparação anual, indo de R$ 79,95 milhões em 2019/20 para R$ 167,8 milhões em 2020/21. O valor considera a receita da companhia, os custos dos produtos vendidos e a variação no valor do ativo biológico (cana em pé), que foi positivo em R$ 10,9 milhões em 2020/21, contra uma perda de R$ 1,78 milhão da temporada anterior.

Outro indicador que mede o desempenho operacional da São Manoel é a margem do Ebitda, que coloca a receita em relação aos lucros (antes de juros, impostos, depreciação e amortização). “Nós fechamos 2020/21 com margem Ebitda de 67,5%, mantendo o padrão da safra anterior. Atribuímos isso à produtividade, à alta nos preços e, principalmente, ao trabalho que nós fizemos para segurar um custo de produção enxuto”, enumera o diretor.
Perfil das dívidas
Ao mesmo tempo em que os resultados da São Manoel melhoraram, a companhia também registrou um aumento de 15,2% em seu endividamento bruto. Considerando a posição em 31 de março, o valor comprometido com empréstimos e financiamentos passou de R$ 718,97 milhões em 2020 para R$ 828,04 milhões em 2021.
Deste total, R$ 224,14 milhões são referentes a débitos que vencem ao longo de 2021/22. Na comparação com a posição dos empréstimos comprometidos no curto prazo em 31 de março de 2019, houve um aumento de 68,2%, uma taxa maior que a vista entre as dívidas com vencimentos de longo prazo, que subiram 3,1%, para R$ 603,9 milhões.

Segundo Dinucci, isto ocorreu por conta de um posicionamento estratégico. “No começo da pandemia de covid-19, em março, adotamos uma política de fazer caixa para podermos passar por essa época mais complexa. Construímos um caixa próximo a R$ 300 milhões”, explica.
Com isso, apesar do endividamento bruto maior, a queda no endividamento líquido foi considerada pelo executivo como um dos principais resultados de 2020/21. Entre 2019/20 e 2020/21, a redução foi de pouco mais de R$ 98 milhões, indo de R$ 495,98 milhões para R$ 397,89 milhões.
Maior valor agregado
Uma das estratégias da São Manoel é a aposta em produtos que tendem a proporcionar uma maior margem de lucro. De acordo com Dinucci, em nove a cada dez anos, este produto é o açúcar.
“Nós temos, praticamente, a possibilidade de fazer 55% de açúcar contra etanol. E, deste adoçante, 70% é branco de alta qualidade que vai diretamente para as indústrias”, relata. “Então, nós produzimos o máximo possível de açúcar e, dentre este, o máximo possível do branco”.
Outra aposta da empresa é a venda de leveduras que, atualmente, correspondem a aproximadamente 2% da receita da São Manoel. Segundo o diretor, 95% do volume fabricado é vendido para o mercado internacional, com foco na Europa e nos Estados Unidos.
“Este é um produto interessante e muito sustentável porque você retira a levedura da produção do álcool e utiliza o que, de outra forma, seria um rejeito. Isso tem um alto nível proteico”, afirma.
Sustentabilidade
Dinucci ainda ressalta que iniciativas sustentáveis fazem parte da “visão de mundo” da São Manoel. De acordo com ele, a companhia possui um comitê de sustentabilidade desde 2002.
“Nos últimos anos, a gente tem visto que o setor financeiro tem começado a remunerar de forma diferente as empresas que de fato fazem algo neste sentido”, relata. “Esse movimento vem crescendo nos últimos quatro anos e, agora, você tem prêmios para empréstimos com foco em sustentabilidade”.
Em 2019, a companhia já obteve um financiamento de R$ 50 milhões junto ao Rabobank e o fundo Agri3, criado pelo programa das Nações Unidas para o meio ambiente.
“Nós fizemos este empréstimo com alguns objetivos. O primeiro era a redução da emissão de CO2 e o segundo era a recuperação de estradas e pontes da região; nós temos áreas em nove municípios e uma população rural muito grande usa destas estradas”, conta Danucci, que segue: “Mas o principal objetivo era a recuperação de áreas florestais”.
Como explica o diretor-superintendente, a São Manoel possui um viveiro que produz até 200 mil mudas por ano e que tem mais de 93 espécies nativas permanentes. “Esse é um trabalho muito longo que a gente tem. Mostramos isso para o Agri3, eles gostaram muito e quiseram participar”, completa.
Outra iniciativa da empresa é o projeto Ciclo do Mel. Nele, a São Manoel disponibiliza áreas de mata para que os apicultores da região mantenham suas caixas; estes espaços não são atingidos por aplicações de defensivos agrícolas.
“O problema não é aplicar defensivo, mas fazê-lo de forma incorreta e acabar matando as abelhas. Desta forma, você tem a garantia que está fazendo a aplicação corretamente e que o apicultor terá a renda que vem da produção do mel”, relata.
Por conta da disponibilização das áreas, a São Manoel fica com um litro de mel por caixa. Este volume, que totaliza 650 litros, é repassado para a instituição Casa Santa Maria, que cuida de menores em situação de dificuldade.
Perspectivas
Embora não revele as projeções da empresa para 2021/22, Dinucci afirma que a companhia não tem registrado uma queda significativa na produção de cana-de-açúcar, apesar do clima desfavorável visto no primeiro trimestre deste ano.
“Isso escreve um pedaço da sua safra, um que nós já estamos colhendo. Mas, por enquanto, a gente não consegue precisar se estamos tendo quebra, ainda é uma incógnita”, afirma e justifica: “Em anos mais estáveis, você pode ver como será o andamento da safra com uma certa precisão já no começo da temporada, mas esse ano está muito desafiador porque o clima foi atípico”.
Nas próximas semanas, a São Manoel deve concluir uma avaliação feita por satélite, que deve apontar como os canaviais reagiram aos meses de seca.
Renata Bossle – NovaCana