Emissões de CRAs da companhia foram novamente afetadas e também tiveram suas notas reduzidas pela Standard & Poors
Em junho, a volatilidade do setor sucroenergético e a alta alavancagem da Usina Coruripe levaram a agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P) a reduzir as notas da companhia. Agora, menos de cinco meses depois, a S&P anunciou mais um rebaixamento.
“O desempenho operacional da processadora brasileira de cana-de-açúcar Coruripe continua a se enfraquecer em meio aos fundamentos desfavoráveis da indústria, que incluem uma seca na região onde a empresa opera e os baixos preços do açúcar”, justifica a agência. Além disso, o endividamento da companhia em dólar e a alta carga de juros também estão pressionando seus resultados.
Com isso, os ratings de crédito a longo prazo da Coruripe passaram de B+ para B- na escala global – mantendo-a na categoria de especulação – e de brAA-/brA-1+ para brBBB-/brA-3 na nacional.
A S&P ainda manteve a perspectiva negativa em relação às notas da usina, indicando que podem ocorrer novos rebaixamentos em futuras avaliações. “A perspectiva negativa dos ratings de longo prazo reflete nossa visão de que a liquidez da empresa poderá sofrer mais pressões nos próximos três a seis meses”, afirma.
No texto completo, saiba mais sobre o perfil de endividamento da companhia, sua capacidade de geração de caixa e alternativas possíveis para evitar um novo rebaixamento. Além disso, confira a classificação dada às emissões de CRA da Coruripe.
Em junho, a volatilidade do setor sucroenergético e a alta alavancagem da Usina Coruripe levaram a agência de classificação de risco Standard & Poors (S&P) a reduzir as notas da companhia. Agora, menos de cinco meses depois, a S&P anunciou mais um rebaixamento.
“O desempenho operacional da processadora brasileira de cana-de-açúcar Coruripe continua a se enfraquecer em meio aos fundamentos desfavoráveis da indústria, que incluem uma seca na região onde a empresa opera e os baixos preços do açúcar”, justifica a agência. Além disso, o endividamento da companhia em dólar e a alta carga de juros também estão pressionando seus resultados.
Com isso, os ratings de crédito a longo prazo da Coruripe passaram de B+ para B- na escala global – mantendo-a na categoria de especulação – e de brAA-/brA-1+ para brBBB-/brA-3 na nacional.

A S&P ainda manteve a perspectiva negativa em relação às notas da usina, indicando que podem ocorrer novos rebaixamentos em futuras avaliações. “A perspectiva negativa dos ratings de longo prazo reflete nossa visão de que a liquidez da empresa poderá sofrer mais pressões nos próximos três a seis meses”, afirma.
Endividamento aumenta riscos
Além dos fracos fundamentos da indústria sucroenergética – algo que foge do controle da companhia –, a Usina Coruripe ainda sofre, segundo a S&P, com uma concentração de dívidas com vencimento em até 12 meses. Em 30 de setembro de 2018, os débitos somavam R$ 1,03 bilhão.
De acordo com relatório divulgado pela agência, havia a perspectiva de que a companhia conseguiria alongar esses débitos, mas isso não ocorreu no ritmo esperado. Para completar, cerca de metade do valor está vinculada ao dólar e, portanto, sujeita às variações do câmbio.
Além disso, a capacidade da empresa de honrar essas dívidas também estaria prejudicada pela queda na eficiência operacional causada pelo clima. Com isso, a Coruripe teve um aumento de custos mais alto do que a maior parte das companhias do setor que fazem parte da amostragem da S&P.
“A piora na eficiência operacional, o aumento da capacidade ociosa, os preços mais baixos do açúcar e os investimentos intrinsecamente altos continuam afetando a geração de fluxo de caixa operacional livre da Coruripe”, enumera a agência. Conforme a projeção apresentada, a companhia deve apresentar fluxo de caixa “ligeiramente negativo” na atual safra.
Com todos esses fatores atuando em conjunto, a alavancagem da Usina Coruripe deve crescer. A expectativa é que o índice de dívida ajustada sobre Ebitda alcance 3,5 vezes na atual safra – ante 2,8 vezes na previsão de junho – e 3,1 vezes em 2019/20, mesmo resultado de 2017/18. Já o índice de geração interna de caixa sobre dívida deverá cair a um nível ligeiramente inferior a 20%, contra uma projeção anterior de 22,7%.
Esses fatores levaram a S&P a mudar o perfil de risco financeiro da companhia de “regular” para “fraco”. Caso aconteça um novo rebaixamento nesse quesito, a Coruripe passará para a última classificação possível dentro dos parâmetros da agência: “vulnerável”.
Em relação à liquidez, entretanto, a sucroenergética já chegou ao pior perfil dentre as classificações da agência, tendo sido rebaixada de “menos que adequada” para “fraca”. Segundo a metodologia adotada, isso significa que há “risco de crédito preponderante”.
A expectativa da S&P é que, na safra 2018/19, a Usina Coruripe alcance um Ebitda total de, aproximadamente, R$ 800 milhões. Este valor, ainda segundo o relatório, seria suficiente apenas para as despesas com juros, que somam cerca de R$ 270 milhões, e para o capex necessário de R$ 500 milhões.
“Como resultado, a Coruripe precisaria refinanciar grande parte de sua dívida que está prestes a vencer, enquanto vende seus estoques nos próximos seis meses para manter sua posição de caixa em níveis operacionais razoáveis”, afirma o documento, que complementa: “Além disso, a empresa provavelmente deve descumprir seus covenants de aceleração de dívida, principalmente o índice máximo de dívida líquida sobre Ebitda menos capex de 5 vezes”.
Isso significa, de acordo com o documento, que a Coruripe precisa negociar um waiver (perdão) dos credores já nos próximos meses. Caso o pedido seja aceito, as partes precisarão renegociar as condições dos empréstimos; no caso de uma negativa, contudo, a Coruripe pode entrar em situação de default.
CRAs também tiveram nota rebaixada
Na sequência da revisão da nota da Usina Coruripe, a S&P também divulgou uma redução nos ratings atribuídos às 99ª, 122ª e 161ª séries da emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) vinculados à companhia.
A queda da nota na escala nacional foi de brAA- para brBBB- e não representa o primeiro rebaixamento sofrido pelas emissões. Em maio, os CRAs receberam classificação brA+ também pela S&P.
Segundo a agência de classificação de risco, a medida foi motivada pelo rebaixamento da Coruripe e, também, porque houve uma revisão da opinião de crédito sobre as cédulas de crédito à exportação (CCEs) e as debêntures da Usina Coruripe. A companhia é a única devedora desses ativos, que lastreiam as operações.
As 99ª e 122ª séries são vinculadas aos CCEs e possuem vencimento legal final em outubro e novembro de 2019, respectivamente. Já a 161ª série é lastreada pelas debêntures e tem vencimento em maio de 2021.
Renata Bossle – NovaCana