Companhia registrou moagem acumulada de 5 milhões de toneladas, em linha com anos anteriores
Em sua divulgação trimestral de resultados, a Usinas Itamarati (Uisa), que controla uma unidade em Nova Olímpia (MT), reportou o lucro líquido de R$ 15,17 milhões. No mesmo período da temporada anterior, registrou o prejuízo de R$ 8,02 milhões. Já no acumulado de nove meses da safra 2020/21, por sua vez, o lucro é de R$ 166,91 milhões, um crescimento anual de 163,4%.
De acordo com o relatório, o Ebitda Ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, bem como fatores tidos como relevantes pela empresa) do trimestre foi de R$ 130,2 milhões, avanço anual de 12%. No acumulado, o indicador chega a 379,49 milhões, crescimento de 20,8%. Para os cálculos, a Uisa considera a variação do valor justo do ativo biológico (cana em pé) e os tratos culturais.
Em novembro, a companhia havia comunicado a moagem de 5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no fechamento da safra 2020/21. Segundo o relatório disponibilizado agora, este volume é “muito similar” ao da temporada anterior e ficou acima das expectativas.
Ainda de acordo com a empresa, a cana própria atingiu uma concentração de 132,7 quilos de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada, um aumento de 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, a produtividade dos canaviais caiu 2,6%, chegando a 90,2 toneladas por hectare.
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- Produção de açúcar e etanol
- Posição dos estoques
- Vendas: volume, receita e preço médio
- Resultado financeiro
- Endividamento da companhia
Em sua divulgação trimestral de resultados, a Usinas Itamarati (Uisa), que controla uma unidade em Nova Olímpia (MT), reportou o lucro líquido de R$ 15,17 milhões. No mesmo período da temporada anterior, registrou o prejuízo de R$ 8,02 milhões. Já no acumulado de nove meses da safra 2020/21, por sua vez, o lucro é de R$ 166,91 milhões, um crescimento anual de 163,4%.
De acordo com o relatório, o Ebitda Ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, bem como fatores tidos como relevantes pela empresa) do trimestre foi de R$ 130,2 milhões, avanço anual de 12%. No acumulado, o indicador chega a 379,49 milhões, crescimento de 20,8%. Para os cálculos, a Uisa considera a variação do valor justo do ativo biológico (cana em pé) e os tratos culturais.

Em novembro de 2019, a companhia havia comunicado a moagem de 5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no fechamento da safra 2019/20. Segundo o relatório disponibilizado agora, o volume de 2020/21 é “muito similar” ao da temporada anterior e ficou acima das expectativas.
Ainda de acordo com a empresa, a cana própria atingiu uma concentração de 132,7 quilos de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada, um aumento de 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, a produtividade dos canaviais caiu 2,6%, chegando a 90,2 toneladas por hectare.

Assim, a Uisa produziu 4,96 milhões de sacas de açúcar, aumento anual de 36,5%, e 244,8 milhões de litros de etanol, redução de 14,4% na mesma comparação. Para a companhia, as variações aconteceram “devido ao planejamento estabelecido, à pandemia e à consequente redução da mobilidade urbana, na qual houve uma retração na demanda por etanol”.
Segundo a sucroenergética, a estratégia adotada no começo da temporada já previa um maior direcionamento da matéria-prima para a produção de açúcar por conta da melhor rentabilidade do produto em relação ao etanol.

Além disso, para o período de entressafra, a Uisa calculou um aumento de 31,8% nos estoques, considerando o volume de ATR equivalente. No total, estavam armazenados 1,67 mil sacas de açúcar (+100,4%), 49 milhões de litros de etanol hidratado (+14%) e 39 milhões de anidro (+5,4%).
“A Uisa conta com uma alta capacidade de armazenamento dos produtos, suportando até 121 mil toneladas de açúcar e 165 milhões de litros de etanol, o que possibilita maior flexibilidade para as negociações ao longo da safra”, afirma.

Receita e comercialização
A receita líquida da Uisa no trimestre foi de R$ 221,3 milhões, o que representou um declínio de 10,3% ante o mesmo período de 2019/20. No acumulado da safra, a quantia chega a R$ 641,8 milhões, redução anual de 8,4%.
“Esta queda é explicada pela redução do volume comercializado de etanol e energia elétrica comparado ao mesmo período da safra 2019/20, em um resultado esperado pela companhia conforme estratégia de mix e de comercialização”, justifica a empresa.
Considerando o desempenho por produto, houve um aumento de 2% na receita com açúcar no trimestre e de 21,5% no acumulado da safra, totalizando R$ 101,07 milhões e R$ 325,39 milhões, respectivamente. “[O resultado] deve-se a uma estratégia de mix mais açucareiro, à elevação dos preços no mercado local e às oportunidades de vendas no mercado externo”.

Segundo a empresa, foram vendidas 950 mil sacas de açúcar no trimestre, uma queda de 13,5%. Apesar disso, o aumento de 22,5% no preço médio, que passou de R$ 87,1 para R$ 106,7 por saca, beneficiou a receita. Nos nove meses da safra, o volume comercializado cresceu 1,5%, para 3,29 milhões de sacas, a um preço médio de R$ 97,3 cada.
Embora concentre sua comercialização no mercado doméstico, a Uisa destacou as exportações, que subiram 158,4% no acumulado da temporada, para 395 mil sacas. Os principais destinos foram Bolívia, Peru e Venezuela.
Por sua vez, a receita com etanol caiu 21,2% no trimestre, para R$ 112,01 milhões, e 28,3% no acumulado, para R$ 300,36 milhões. Nos nove meses, o volume vendido chegou a 171 milhões de litros e o preço médio foi de R$ 1.763,5/m³.
“A menor comercialização de etanol nos primeiros nove meses da safra é reflexo de uma estratégia de carrego de estoque para o período da entressafra canavieira, quando melhores oportunidades comerciais, em termos de preço, são encontradas”, justifica a companhia.
No trimestre, o anidro teve uma queda de 20% no volume comercializado, sendo vendido ao preço médio de R$ 2.137,99/m³. Já o hidratado teve uma queda de 34,7% nas vendas e foi negociado, em média, a R$ 1.998,48/m³.

A receita líquida das vendas de energia elétrica, por sua vez, totalizou R$ 5,3 milhões no terceiro trimestre de 2020/21, redução anual de 1,3%. Segundo a companhia, o resultado reflete a queda de 13,6% no volume comercializado, de 20,1 MWh, e o preço médio de R$ 278,7/MWh.
No acumulado da safra, a receita líquida obtida pela Uisa com a venda de eletricidade foi de R$ 11,8 milhões, queda de 10,6%. O volume comercializado teve diminuição de 14%, para 50,8 MWh, e o preço médio foi de R$ 242,9/MWh. “Paradas não programadas prejudicaram a exportação de energia”, relata a Uisa.
Por fim, embora não detalhe a receita obtida, a companhia acrescenta que iniciou a comercialização de biomassa neste ciclo por meio de um contrato de longo prazo de fornecimento de bagaço. Com isso, foram vendidas 14 mil toneladas no trimestre e 19 mil toneladas no acumulado da temporada.
Resultado financeiro e endividamento
Indo além da parte operacional, a Uisa reportou o prejuízo financeiro líquido de R$ 25,2 milhões entre outubro e dezembro de 2020, aumento de 6,8% na comparação anual. No acumulado de nove meses da safra 2020/21, as perdas são de R$ 19,7 milhões, queda de 54,8% ante o mesmo período de 2019/20.
Segundo a companhia, as principais razões para o resultado negativo são as despesas com pagamentos de juros e o impacto da variação cambial. Em relação ao trimestre, entretanto, os gastos com juros tiveram uma queda anual de 7,8%. As perdas geradas pelo câmbio, por outro lado, tiveram uma ampliação de 163,1%.

Ao final de 2020, o endividamento bruto consolidado da companhia somava R$ 949,07 milhões, enquanto a dívida líquida era de R$ 929,53 milhões. Na comparação com a posição vista no início da safra, houve aumentos de 0,7% e 2,2%, respectivamente.
Segundo a sucroenergética, considerando as dívidas fiscais e bancárias, 58,8% do valor estava concentrado no longo prazo e 41,2% no curto. “A companhia encontra-se em tratativas com instituições financeiras parceiras e novos relacionamentos para acelerar as captações com objetivo de alongar seu cronograma atual”, ressalta a Uisa.

Do total da dívida, 8,8% estava precificado em dólares e 91,2%, em reais. “A relação da dívida líquida consolidada pelo Ebitda Ajustado reduziu de 2,6 vezes para 2,2 vezes e o custo médio da dívida consolidada foi de 6,1% ao ano”, complementa.
Renata Bossle – NovaCana