Consultoria espanhola elenca características fundamentais da biomassa para projetos 2G e apresenta as principais empresas fornecedoras de enzimasÉ comum que microrganismos geneticamente modificados sejam citados como a chave do processo de segunda geração (2G). Mas além de toda a engenharia genética envolvida, existem outros fatores tão ou mais importantes que as sofisticadas enzimas ou mesmo leveduras.
E mais:
- A dependência e interferências das tecnologias escolhidas pela usina
- As dificuldades no uso das enzimas
- Há mais de 20 empresas fornecendo enzimas , veja em detalhes as seis fornecedoras mais relevantes no cenário global
- A curva acentuada de redução no preço das enzimas
É comum que microrganismos geneticamente modificados sejam citados como a chave do processo de segunda geração (2G). Mas além de toda a engenharia genética envolvida, existem outros fatores tão ou mais importantes que as sofisticadas enzimas ou mesmo leveduras. A consultoria espanhola Alkol Bioenergy afirma que há três fatores fundamentais: "Na verdade, qualquer projeto de etanol celulósico é baseado em um banquinho de três pernas: matéria-prima, técnicas e enzimas. No entanto, este é frequentemente esquecido e uma perna só é mencionada".
De acordo com relatório publicado pela consultoria, o destaque que muitas vezes é colocado sobre um único fator explica-se pelo modelo de negócios comum aos projetos de etanol 2G. Empresas especializadas associam-se às usinas para viabilizar o empreendimento e acabam jogando mais importância sobre o potencial do próprio negócio. "Assim, uma empresa que produz enzimas, muitas vezes, coloca muita ênfase sobre a capacidade de suas enzimas para reduzir a celulose em moléculas de glicose. Já a empresa que produz cana acredita que qualquer processo pode quebrar a sua matéria-prima. A empresa envolvida com o método de pré-processamento, muitas vezes, afirmam o seu método é 'multi-matéria-prima'. E assim por diante".
O presidente da Alkol, Al Costa, afirma que em qualquer projeto de etanol celulósico, a escolha de um elemento favorece um encadeamento de determinadas tecnologias em detrimento de outras. Isso significa, por exemplo, que a opção por certo tipo de pré-tratamento interfere na escolha das enzimas, por exemplo.
"O produto que se obtém a partir do pré-tratamento é altamente dependente da tecnologia escolhida. Uma vez que se escolheu essa tecnologia, se está preso a um determinado tipo de enzima e de empresa".
Com mais de dez tipos diferentes de pré-tratamento, cerca de 20 empresas fornecedoras de enzimas, além de outras rotas para a hidrólise, eleger a melhor opção pode ser uma tarefa difícil. Assim, é o conjunto das tecnologias empregadas e as características e disponibilidade de biomassa que determina maior ou menor sucesso.
"É necessária uma abordagem holística, onde as três pernas são minuciosamente estudadas e se unem em um sistema que se encaixa e é financeiramente sustentável", orienta a empresa.
O uso de enzimas é a alternativa mais admitida nos recentes projetos de 2G. As enzimas "são proteínas que se ligam ao fio de celulose para decompô-lo como um zíper. Este é o mesmo método utilizado pela natureza em animais tais como ruminantes e cupins", explica a Alkol.
No momento, há duas dificuldades no uso das enzimas, o custo e a regularidade em escala industrial. "Existem enzimas muito sensíveis a câmbios de temperatura, acidez, pH, e outras que são menos sensíveis e mais flexíveis, mas oferecem rendimentos menores. Por exemplo, seguindo uma linha de uso de ácido [no pré-tratamento], como a Dedini estava tentando um tempo atrás, as enzimas da Novozymes podem não ser a melhor ideia porque são mais sensíveis a pH maior, apesar de serem enzimas excelentes", diz Costa.
A análise da consultoria não considera a etapa de fermentação como diferencial para o etanol celulósico. O executivo da Alkol defende a viabilidade dos projetos 2G mesmo sem a fermentação dos açúcares complexos, compostos por cinco carbonos, como a xilose. Segundo ele, bons projetos são viáveis mesmo sem leveduras geneticamente modificadas e usando apenas a rota convencional para a fermentação da glicose em etanol.
A Alkol afirma que o fator matéria-prima transcende toda a tecnologia de processamento porque "nenhuma quantidade de tecnologia pode compensar uma matéria-prima que é simplesmente indisponível". Embora o bagaço de cana seja considerado a melhor fonte de biomassa para o etanol 2G, essa não é uma alternativa para países da Europa e para os Estados Unidos. Por isso, a consultoria traça algumas características fundamentais para determinar a matéria-prima mais adequada aos projetos de 2G.
O ideal é que a biomassa a ser transformada em etanol, possua as seguintes características:
1 - Ter a maior quantidade de celulose
2 - Ter uma baixa quantidade de lignina
Como não oferece açúcar, a lignina não é alvo do processo. Embora ela possa ser queimada para gerar eletricidade, o processo de separá-la da celulose e hemicelulose encarece o custo de produção.
3 – Ser barata, abundante, escalável e disponível
O ideal é ter matéria-prima disponível durante todo ano, com baixo custo, próximo à usina, e com possibilidade de ampliar a quantidade demandada.
4 - Cumprir com os costumes e regulamentos locais
"A matéria-prima que não pode ser cultivada perto da usina de etanol por causa de algum problema legal local pode ser inútil", diz a Alkol. Um exemplo de fonte limitada é a Arundo donax, também chamada de cana-do-reino. Ela é uma das fontes de biomassa usada pela Beta Renewables, na Itália, mas por se tratar de uma espécie altamente invasiva é proibida em alguns países. Também há casos em que mesmo não havendo proibições, pela falta de conhecimento dos produtores locais, pode simplesmente não ter um rendimento adequado.


O efeito sobre a biomassa é que além de separar as três frações, aumenta a área de superfície acessível e dá maior digestibilidade do substrato. Ainda oferece a despolimerização da lignina e solubilização da hemicelulose. Por outro lado, conforme o relatório, há um formação de inibidores que demandam uma combinação de tratamentos para se proceder à hidrólise.
Os principais parâmetros do sistema de steam explosion são:
- temperatura, tempo de residência, tamanho de partícula, teor de umidade e eventual adição de ácido (acid impregnation).
No quadro abaixo, a consultoria compara os benefícios e as desvantagens entre 11 técnicas disponíveis.

Embora estes microrganismos ainda represente um custo significativo do processo, os valores cobrados apresentam uma curva de preço em redução acentuado. "Há apenas uma década, o custo das enzimas estava no topo da lista de maiores preocupações para projetos de etanol celulósico. Com algumas estimativas colocando-os em torno de US$ 5 por galão [3,78 litros] de etanol produzido, fazendo com que os custos de produção de enzimas tornassem quase impossível de se alcançar a rentabilidade".
A seguir as principais empresas elencadas.
Em julho de 2011, Codexis e Chemtex, empresa de engenharia detida pelo grupo italiano Mossi & Ghisolfi – que também responde pela Beta Renewables, a primeira usina a fabricar o etanol 2G em larga escala no mundo – anunciou uma ampla colaboração para desenvolver e produzir álcoois detergente sustentáveis para o uso no mercado de produtos domésticos.
A empresa produz uma pacote de enzimas celulase chamado "CodeXyme" e está desenvolvendo o produto para atender às exigências técnicas de processos de etanol celulósico da Shell. A fabricante pomete que a CodeXyme converte mais biomassa em açúcar com cargas de enzimas mais baixos do que muitos de seus concorrentes. Entretanto a primeira usina de etanol celulósico anunciada pela Raízen deverá usar enzimas da dinamarquesa Novozymes.
A empresa desenvolveu o sistema de C1 para ser facilmente clonada e geneticamente alterado para dar origem a outras enzinas, concebidas para um objetivo específico. A Dyadic firmou contrato de licença não-exclusiva com a Abengoa Bioenergia, que passou a ter licença para produzir, utilizar a tecnologia de enzimas da plataforma C1 bem como os biocombustíveis de primeira de segunda geração e de outros processos de base biológica.
Em 2011 adquiriu C5 Yeast Company de Royal Cosun, tornando-se a primeira empresa de biotecnologia a oferecer tanto tecnologias enzimas como leveduras para fermentação. Finalmente, em dezembro de 2012 a empresa adquiriu por € 85 milhões culturas e enzimas comerciais da Cargill - aumentando a sua massa crítica em € 1 bilhão no mercado de lacticínios e enzimas.
Tem uma aliança com a norte-americana Poet, uma dos maiores produtores de etanol do mundo, para desenvolver uma planta comercial de etanol celulósico chamado "Projeto Liberdade". Também possui uma parceria com a BP Biofuels para desenvolver processo de "açúcar para diesel", de tecnologia de conversão por via fermentativa.
As enzimas da DSM foram testadas e habilitadas no processo Inbicon em escala de demonstração.
A empresa mais tarde desenvolveu "Accellerase 1500", uma versão melhorada da enzima, a partir de um com uma cepa geneticamente modificada de Trichoderma reesei. Este é um complexo de enzima contém várias atividades enzimáticas. A empresa afirma que é mais rentável do que a enzima anterior, uma vez que oferece um melhor desempenho sacarificação em uma variedade de matérias-primas, capacidade de operar em sacarificação simultânea e processos de fermentação (SSF) , dois passos sequenciais de hidrólise e fermentação (SHF), ou processos de sacarificação e fermentação híbrido (HSF). Também pode conduzir a maiores taxas de sacarificação e, finalmente, a uma fermentação mais rápida do etanol.
Em 2010, a Novozymes lançou o que afirma ser a primeira enzima comercialmente viável para a indústria de etanol celulósico a "Cellic Ctec2", alegando a melhoria do desempenho médio 1,8 vezes sobre uma variedade de matérias-primas. Mais tarde, lançou uma versão melhorada, a "Cellic CTec3". Ela contém componentes de celulase proficientes impulsionados pelas propriedades de atividades enzimáticas, incluindo avançadas compostos GH61, melhores b-glicosidases, bem como uma nova gama de atividades hemicelulase que, juntas, melhoram a eficiência de conversão da nova enzima em pelo menos 1,5 vezes quando comparadas a versão anterior.
Cellic CTec3 deve ser a enzima adotada nos projetos brasileiro de etanol celulósico já anunciados pela GranBio e a Raízen.
Em 2012, a empresa vendeu à DSM seus negócios processamento de oleaginosas e licenças exclusivas de sua alfa-amilase e produtos de enzima xilanase para utilização nos mercados de alimentos e bebidas. Os produtos adquiridos pelo DSM representou cerca de US$ 7,5 milhões em receita para Verenium em 2011, e Verenium vai receber US$ 37 milhões em consideração total.
A empresa tem uma enzima celulose chamada Pyrolase, útil para a quebra (hidrólise) de hidratos de carbono beta ligados, tais como goma de guar, guar e carboximetil celulose derivada. A empresa afirma que seu produto funciona em pHs e temperaturas mais elevadas do que as enzimas convencionais da classe.
O relatório completo está disponível aqui.
Amanda SchArr - NovaCana
E mais:
- A dependência e interferências das tecnologias escolhidas pela usina
- As dificuldades no uso das enzimas
- Há mais de 20 empresas fornecendo enzimas , veja em detalhes as seis fornecedoras mais relevantes no cenário global
- A curva acentuada de redução no preço das enzimas
É comum que microrganismos geneticamente modificados sejam citados como a chave do processo de segunda geração (2G). Mas além de toda a engenharia genética envolvida, existem outros fatores tão ou mais importantes que as sofisticadas enzimas ou mesmo leveduras. A consultoria espanhola Alkol Bioenergy afirma que há três fatores fundamentais: "Na verdade, qualquer projeto de etanol celulósico é baseado em um banquinho de três pernas: matéria-prima, técnicas e enzimas. No entanto, este é frequentemente esquecido e uma perna só é mencionada".
De acordo com relatório publicado pela consultoria, o destaque que muitas vezes é colocado sobre um único fator explica-se pelo modelo de negócios comum aos projetos de etanol 2G. Empresas especializadas associam-se às usinas para viabilizar o empreendimento e acabam jogando mais importância sobre o potencial do próprio negócio. "Assim, uma empresa que produz enzimas, muitas vezes, coloca muita ênfase sobre a capacidade de suas enzimas para reduzir a celulose em moléculas de glicose. Já a empresa que produz cana acredita que qualquer processo pode quebrar a sua matéria-prima. A empresa envolvida com o método de pré-processamento, muitas vezes, afirmam o seu método é 'multi-matéria-prima'. E assim por diante".
O presidente da Alkol, Al Costa, afirma que em qualquer projeto de etanol celulósico, a escolha de um elemento favorece um encadeamento de determinadas tecnologias em detrimento de outras. Isso significa, por exemplo, que a opção por certo tipo de pré-tratamento interfere na escolha das enzimas, por exemplo.
"O produto que se obtém a partir do pré-tratamento é altamente dependente da tecnologia escolhida. Uma vez que se escolheu essa tecnologia, se está preso a um determinado tipo de enzima e de empresa".
Com mais de dez tipos diferentes de pré-tratamento, cerca de 20 empresas fornecedoras de enzimas, além de outras rotas para a hidrólise, eleger a melhor opção pode ser uma tarefa difícil. Assim, é o conjunto das tecnologias empregadas e as características e disponibilidade de biomassa que determina maior ou menor sucesso.
"É necessária uma abordagem holística, onde as três pernas são minuciosamente estudadas e se unem em um sistema que se encaixa e é financeiramente sustentável", orienta a empresa.
O uso de enzimas é a alternativa mais admitida nos recentes projetos de 2G. As enzimas "são proteínas que se ligam ao fio de celulose para decompô-lo como um zíper. Este é o mesmo método utilizado pela natureza em animais tais como ruminantes e cupins", explica a Alkol.
No momento, há duas dificuldades no uso das enzimas, o custo e a regularidade em escala industrial. "Existem enzimas muito sensíveis a câmbios de temperatura, acidez, pH, e outras que são menos sensíveis e mais flexíveis, mas oferecem rendimentos menores. Por exemplo, seguindo uma linha de uso de ácido [no pré-tratamento], como a Dedini estava tentando um tempo atrás, as enzimas da Novozymes podem não ser a melhor ideia porque são mais sensíveis a pH maior, apesar de serem enzimas excelentes", diz Costa.
A análise da consultoria não considera a etapa de fermentação como diferencial para o etanol celulósico. O executivo da Alkol defende a viabilidade dos projetos 2G mesmo sem a fermentação dos açúcares complexos, compostos por cinco carbonos, como a xilose. Segundo ele, bons projetos são viáveis mesmo sem leveduras geneticamente modificadas e usando apenas a rota convencional para a fermentação da glicose em etanol.
Matéria-prima
Esta é base da indústria e não deve ser minimizada, por mais potentes e acessíveis que seja o processo industrial ou uma enzima, eles não resolvem uma falta ou escassez de matéria-prima. "É inacreditável, porém, que esse fato muito simples e direto é muitas vezes negligenciado e são feitas alegações que tal e qual processo, enzimas, etc, podem trabalhar com qualquer tipo de matéria-prima. Isto é simplesmente falso. Uma enzima não pode compensar uma matéria-prima que está disponível apenas um mês por ano".A Alkol afirma que o fator matéria-prima transcende toda a tecnologia de processamento porque "nenhuma quantidade de tecnologia pode compensar uma matéria-prima que é simplesmente indisponível". Embora o bagaço de cana seja considerado a melhor fonte de biomassa para o etanol 2G, essa não é uma alternativa para países da Europa e para os Estados Unidos. Por isso, a consultoria traça algumas características fundamentais para determinar a matéria-prima mais adequada aos projetos de 2G.
O ideal é que a biomassa a ser transformada em etanol, possua as seguintes características:
1 - Ter a maior quantidade de celulose
2 - Ter uma baixa quantidade de lignina
Como não oferece açúcar, a lignina não é alvo do processo. Embora ela possa ser queimada para gerar eletricidade, o processo de separá-la da celulose e hemicelulose encarece o custo de produção.
3 – Ser barata, abundante, escalável e disponível
O ideal é ter matéria-prima disponível durante todo ano, com baixo custo, próximo à usina, e com possibilidade de ampliar a quantidade demandada.
4 - Cumprir com os costumes e regulamentos locais
"A matéria-prima que não pode ser cultivada perto da usina de etanol por causa de algum problema legal local pode ser inútil", diz a Alkol. Um exemplo de fonte limitada é a Arundo donax, também chamada de cana-do-reino. Ela é uma das fontes de biomassa usada pela Beta Renewables, na Itália, mas por se tratar de uma espécie altamente invasiva é proibida em alguns países. Também há casos em que mesmo não havendo proibições, pela falta de conhecimento dos produtores locais, pode simplesmente não ter um rendimento adequado.


Pré-tratamento
A Alkol apresenta onze métodos diferentes de pré-tratamento, entretanto, a opção mais admitida é a explosão a vapor (steam explosion). Essa via utiliza métodos físicos e químicos para quebrar a estrutura do material lignocelulósico através de um tratamento hidrotérmico, em que a biomassa é exposta a vapor a alta pressão, em temperatura elevada durante um curto período de tempo. Em seguida ocorre uma rápida despressurização e o material que estrutura as fibras é destruído por esta descompressão explosiva.O efeito sobre a biomassa é que além de separar as três frações, aumenta a área de superfície acessível e dá maior digestibilidade do substrato. Ainda oferece a despolimerização da lignina e solubilização da hemicelulose. Por outro lado, conforme o relatório, há um formação de inibidores que demandam uma combinação de tratamentos para se proceder à hidrólise.
Os principais parâmetros do sistema de steam explosion são:
- temperatura, tempo de residência, tamanho de partícula, teor de umidade e eventual adição de ácido (acid impregnation).
No quadro abaixo, a consultoria compara os benefícios e as desvantagens entre 11 técnicas disponíveis.

As fornecedoras de enzimas
As enzimas são a última grande questão a ser considerada em um projeto de segunda geração. Conforme Al Costa, há mais de 20 empresas fornecendo enzimas para a obtenção de açúcares celulósicos. O relatório da Alkol considera seis fornecedoras no cenário global avaliadas com maior relevância no período que a publicação foi elaborada, no início de 2013.Embora estes microrganismos ainda represente um custo significativo do processo, os valores cobrados apresentam uma curva de preço em redução acentuado. "Há apenas uma década, o custo das enzimas estava no topo da lista de maiores preocupações para projetos de etanol celulósico. Com algumas estimativas colocando-os em torno de US$ 5 por galão [3,78 litros] de etanol produzido, fazendo com que os custos de produção de enzimas tornassem quase impossível de se alcançar a rentabilidade".
A seguir as principais empresas elencadas.
Codexis (EUA)
A Codexis é uma companhia de biotecnologia industrial que desenvolve enzimas e microrganismos utilizados em química sustentável, biocombustíveis e processos farmacêuticos. Junto com a Shell a empresa trabalha para desenvolver combustíveis renováveis a partir de fontes não alimentares. Em junho de 2011, a Raízen, joint venture Shell/Cosan, adquiriu uma participação de cerca de 16% na Codexis.Em julho de 2011, Codexis e Chemtex, empresa de engenharia detida pelo grupo italiano Mossi & Ghisolfi – que também responde pela Beta Renewables, a primeira usina a fabricar o etanol 2G em larga escala no mundo – anunciou uma ampla colaboração para desenvolver e produzir álcoois detergente sustentáveis para o uso no mercado de produtos domésticos.
A empresa produz uma pacote de enzimas celulase chamado "CodeXyme" e está desenvolvendo o produto para atender às exigências técnicas de processos de etanol celulósico da Shell. A fabricante pomete que a CodeXyme converte mais biomassa em açúcar com cargas de enzimas mais baixos do que muitos de seus concorrentes. Entretanto a primeira usina de etanol celulósico anunciada pela Raízen deverá usar enzimas da dinamarquesa Novozymes.
Dyadic (EUA)
A Dyadic é uma empresa de biotecnologia que combina tecnologias patenteadas e proprietárias para realizar atividades de pesquisa, desenvolvimento, fabricação e venda de produtos e soluções para as indústrias de bioenergia, enzimas industriais e biofarmacêutica. A empresa desenvolveu o que chamou de tecnologia de plataforma "C1". Esta é uma cepa do fungo chamado Chrysosporium lucknowense, originário da Rússia e cresce em solo alcalino, que pode crescer em condições extremas.A empresa desenvolveu o sistema de C1 para ser facilmente clonada e geneticamente alterado para dar origem a outras enzinas, concebidas para um objetivo específico. A Dyadic firmou contrato de licença não-exclusiva com a Abengoa Bioenergia, que passou a ter licença para produzir, utilizar a tecnologia de enzimas da plataforma C1 bem como os biocombustíveis de primeira de segunda geração e de outros processos de base biológica.
DSM (Holanda)
Royal DSM é uma empresa holandesa baseada na ciência em saúde, nutrição e materiais. A empresa oferece soluções em mercados mundiais abrangentes desde como alimentos e suplementos dietéticos, até dispositivos médicos e materiais de base biológica. A empresa tem 23 mil funcionários, vendas líquidas anuais de cerca de € 9 bilhões.Em 2011 adquiriu C5 Yeast Company de Royal Cosun, tornando-se a primeira empresa de biotecnologia a oferecer tanto tecnologias enzimas como leveduras para fermentação. Finalmente, em dezembro de 2012 a empresa adquiriu por € 85 milhões culturas e enzimas comerciais da Cargill - aumentando a sua massa crítica em € 1 bilhão no mercado de lacticínios e enzimas.
Tem uma aliança com a norte-americana Poet, uma dos maiores produtores de etanol do mundo, para desenvolver uma planta comercial de etanol celulósico chamado "Projeto Liberdade". Também possui uma parceria com a BP Biofuels para desenvolver processo de "açúcar para diesel", de tecnologia de conversão por via fermentativa.
As enzimas da DSM foram testadas e habilitadas no processo Inbicon em escala de demonstração.
Genencor (EUA)
Subsidiária da Danisco (DuPont), a empresa é considerada pioneira em biotecnologia e é a segunda maior do mundo na área, empregando cerca de 1,5 mil pessoas em mais de 80 países. A empresa desenvolveu uma enzima chamada "Accellerase 1000" com várias atividades enzimáticas, proveniente de uma mistura de diferentes tipos de enzimas, principalmente exoglucanase, endoglucasnase, hemicelulase e beta-glicosidase Processo enzimático da Genencor começa com um pré-tratamento com ácido, seguido de hidrólise enzimática utilizando a enzima Accellerase 1000, e um a dois dias de fermentação.A empresa mais tarde desenvolveu "Accellerase 1500", uma versão melhorada da enzima, a partir de um com uma cepa geneticamente modificada de Trichoderma reesei. Este é um complexo de enzima contém várias atividades enzimáticas. A empresa afirma que é mais rentável do que a enzima anterior, uma vez que oferece um melhor desempenho sacarificação em uma variedade de matérias-primas, capacidade de operar em sacarificação simultânea e processos de fermentação (SSF) , dois passos sequenciais de hidrólise e fermentação (SHF), ou processos de sacarificação e fermentação híbrido (HSF). Também pode conduzir a maiores taxas de sacarificação e, finalmente, a uma fermentação mais rápida do etanol.
Novozymes (Dinamarca)
Possivelmente a mais conhecida fabricante de enzimas, a Novozymes é uma empresa baseada em biotecnologia, com sede na Dinamarca e emprega cerca de seis mil pessoas em 30 países. Em fevereiro de 2013, a empresa adquiriu da canadense Iogen Corporation todo o negócio de enzimas industriais, por um preço de compra de $ 67,45 milhões. O acordo forneceu a Novozymes todos os direitos comerciais para todo portfolio Iogen Bio-Products existente, além de dutos, instalações e know-how. A aquisição não incluiu a compra de ativos relacionados ao negócio de biocombustíveis de segunda geração da Iogen Corporation.Em 2010, a Novozymes lançou o que afirma ser a primeira enzima comercialmente viável para a indústria de etanol celulósico a "Cellic Ctec2", alegando a melhoria do desempenho médio 1,8 vezes sobre uma variedade de matérias-primas. Mais tarde, lançou uma versão melhorada, a "Cellic CTec3". Ela contém componentes de celulase proficientes impulsionados pelas propriedades de atividades enzimáticas, incluindo avançadas compostos GH61, melhores b-glicosidases, bem como uma nova gama de atividades hemicelulase que, juntas, melhoram a eficiência de conversão da nova enzima em pelo menos 1,5 vezes quando comparadas a versão anterior.
Cellic CTec3 deve ser a enzima adotada nos projetos brasileiro de etanol celulósico já anunciados pela GranBio e a Raízen.
Verenium (EUA)
Verenium Corporation empresa de biotecnologia industrial é especializada no desenvolvimento de enzimas de alto desempenho. Usando tecnologias genômicas a Verenium extrai DNA microbial diretamente a partir de amostras coletadas e identifica enzimas únicas como produtos candidatos. Estas enzimas podem ser otimizadas para uso comercial.Em 2012, a empresa vendeu à DSM seus negócios processamento de oleaginosas e licenças exclusivas de sua alfa-amilase e produtos de enzima xilanase para utilização nos mercados de alimentos e bebidas. Os produtos adquiridos pelo DSM representou cerca de US$ 7,5 milhões em receita para Verenium em 2011, e Verenium vai receber US$ 37 milhões em consideração total.
A empresa tem uma enzima celulose chamada Pyrolase, útil para a quebra (hidrólise) de hidratos de carbono beta ligados, tais como goma de guar, guar e carboximetil celulose derivada. A empresa afirma que seu produto funciona em pHs e temperaturas mais elevadas do que as enzimas convencionais da classe.
O relatório completo está disponível aqui.
Amanda SchArr - NovaCana