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Após três rebaixamentos consecutivos em 2019, S&P volta a elevar rating da USJ

USJ recebeu classificação de “default seletivo” há uma semana, mas pressão sobre a liquidez da sucroenergética foi aliviada com a conclusão de troca de dívidas

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Após sofrer três rebaixamentos de nota de classificação de risco por duas das principais agências com atuação no Brasil, sendo o mais recente no dia 21 de maio, a USJ Açúcar e Álcool teve um respiro no último dia 27. A S&P Global Ratings elevou a nota da empresa de SD para CCC+ após a conclusão da oferta de troca de notas em circulação com vencimento em 2019 e 2021.

Os detentores das notas aceitaram a oferta em 21 de maio, quando a S&P havia rebaixado a nota de crédito da empresa na escala global de CC para SD, ou default seletivo. Isso significa que a agência considerava que a USJ não conseguiria cumprir com pelo menos uma de suas obrigações financeiras, mas deveria pagar as demais em dia.

A recente elevação se deu por conta do alívio na pressão de liquidez da empresa com a conclusão de troca de dívidas, de 69,95% e 98,10% de bonds com vencimento em 2019 e 2021, respectivamente, por novas notas com vencimento em 2023, totalizando US$ 257,7 milhões.

Desde o início do ano, a USJ sofreu três rebaixamentos. Além do mais recente, em janeiro a S&P havia reduzido a nota de CCC para CCC-, com perspectiva negativa. Em março, houve a queda para CC, com a mesma perspectiva.

No texto completo, saiba mais sobre as avaliações da S&P e da Fitch sobre a saúde financeira da USJ.

Depois de sofrer três rebaixamentos em sua nota de classificação de risco, realizadas por duas das principais agências com atuação no Brasil, a USJ Açúcar e Álcool teve um respiro no último dia 27. Após ter decretado default seletivo em 21 de maio, a S&P Global Ratings elevou a nota da empresa para CCC+, marcando a conclusão da oferta de troca de notas em circulação com vencimento em 2019 e 2021.

Os detentores das notas aceitaram a oferta em 21 de maio, motivando o rebaixamento da nota de crédito da empresa na escala global, de CC para SD, ou default seletivo. Isso significa que a agência considerava que a USJ não conseguiria cumprir com pelo menos uma de suas obrigações financeiras, mas deveria pagar as demais em dia.

A recente elevação, por sua vez, se deu por conta do alívio na pressão de liquidez da empresa com a conclusão de troca de dívidas, de 69,95% e 98,10% de bonds com vencimento em 2019 e 2021, respectivamente, por novas notas com vencimento em 2023, totalizando US$ 257,7 milhões.

As novas notas têm um mecanismo para que o próximo pagamento seja feito em espécie, em novembro de 2019, com um cupom de 10,5%. Haverá um segundo pagamento, com a opção de pagar em caixa, de um cupom de 4,2%, além dos outros 6,3% restantes acruados.

Após as duas primeiras quitações, a USJ começará a pagar juros-caixa com um cupom de 9,875%.

Histórico de quedas

Desde o início do ano, a USJ sofreu três rebaixamentos. Em janeiro, a S&P havia reduzido sua nota de CCC para CCC-, com perspectiva negativa. Em março, houve a queda para CC, com a mesma perspectiva.

Na ocasião do segundo rebaixamento sofrido em 2019, a S&P avaliou a oferta de troca da USJ como sendo de alto risco, pois a empresa não seria capaz de pagar pontualmente os juros, o principal da dívida e suas outras obrigações. “Tendo em vista a estrutura de capital insustentável e a fraca geração de caixa da USJ, consideramos essa oferta de troca como equivalente a um default”, conclui.

Apesar da mais recente elevação, a S&P ainda enxerga a estrutura de capital da USJ como “insustentável” no médio prazo. Logo, o rating de crédito permanece dentro da faixa de classificação em que a probabilidade do calote é considerada real.

No entanto, a agência acredita que a empresa conseguirá arcar com as obrigações financeiras nos próximos 12 a 18 meses – desde a amortização do montante em circulação do bond que vence em 2019, de US$ 8,7 milhões, até o primeiro pagamento em caixa do bond em novembro de 2020.

Para a S&P, as reduções das dívidas só serão possíveis por meio de agentes externos como vendas de ativos, injeção de capital ou cenário favorável ao setor. Além disso, a agência estima que a empresa reduzirá os endividamentos em, ao menos, 40%, a fim de equiparar a geração de caixa com as obrigações financeiras.

“Na ausência desses fatores, acreditamos que a USJ enfrentará severo estresse de liquidez até o exercício fiscal de 2021, quando começará a pagar integralmente juros-caixa referentes ao seu bond secured que vence em 2023, o que elevaria sua carga em mais de US$25 milhões por ano”, expressa o relatório.

Além disso, a agência elevou os ratings das dívidas não garantidas (unsecured) de D para CCC-.

Fitch Ratings também analisou troca de dívidas

No dia 24 deste mês, a USJ também sofreu rebaixamento pela Fitch Ratings, de C para RD, ou default restrito. O termo, ainda que diferente do adotado pela S&P, possui um significado semelhante.

Segundo documento disponibilizado pela agência, ele implica que a empresa não deve ter condições de realizar o pagamento de uma obrigação financeira, mas continua operando e não deu entrada em um pedido de falência ou similar.

Ainda conforme a Fitch, a troca envolveu uma dívida em situação crítica e enfraqueceu as condições originais dos investidores enquanto a companhia busca evitar uma inadimplência. Segundo a agência, é preciso considerar o perfil de crédito já pressionado da USJ por conta da volatilidade inerente ao setor.

De acordo com os dados apresentados, em 31 de dezembro de 2018, a USJ possuía um fluxo de caixa livre negativo em R$ 156 milhões. Além disso, também pesaria contra a empresa uma alavancagem elevada e índices de dívida ajustada por Ebitdar de 7,6 vezes, o que deixaria sua atuação com “riscos acima da média da indústria”.

Assim, a Fitch acredita que a companhia seguirá reportando posição fraca de caixa para enfrentar os vencimentos da dívida de curto prazo. “Na nossa opinião, os riscos de refinanciamento da USJ devem permanecer altos”, detalha.

O relatório ainda aponta que, comparativamente, a liquidez e a estrutura de capital da empresa são “bem mais fracas” que as da Jalles Machado e da Usina Santo Ângelo. “A USJ também carece de escala e da presença de um grande acionista, como os que a Biosev possui, e dos altos rendimentos e baixa estrutura de custos”, acrescenta a Fitch.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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