Wilmar encabeça a lista com a venda de 4,23 milhões de toneladas da commodity, alta de 16,5% na comparação anual
Embora a relação das maiores exportadoras de açúcar do Brasil seja bem estabelecida – com Raízen e Copersucar frequentemente na briga pela liderança e relativamente distantes das demais –, o mesmo não acontece entre as companhias que comercializam a commodity. Wilmar, Sucden, Alvean e Louis Dreyfus têm competido pelo topo do ranking nos últimos anos, inclusive com o surgimento de eventuais “ameaças”.
Em 2022, a liderança mais uma vez foi da Wilmar, que vendeu 4,23 milhões de toneladas; a trading já havia ocupado esta posição em 2015, 2016, 2017 e 2020. O volume representa uma alta de 16,5% ante as 3,63 milhões de toneladas contabilizadas no ano anterior. Além disso, ele equivale a 16,7% da quantia exportada pelo país no período, de 25,34 milhões.
Os dados fazem parte de um levantamento da agência marítima Williams e divergem dos números oficiais por conta das metodologias utilizadas: a Williams considera apenas as exportações por porão de navio e contabiliza os valores declarados nos portos. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Fazenda, o país despachou 27,29 milhões de toneladas em 2022.
Confira na versão completa, exclusiva aos assinantes NovaCana:
- Histórico das cinco maiores compradoras entre 2013 e 2022
- Ranking das empresas que comercializaram mais de 100 mil toneladas de açúcar brasileiro em 2022
- Parcerias comerciais, portos de origem e destinos das principais tradings
- Histórico de envios de açúcar pelo Brasil e principais países de destino
- Volume exportado por porto
Embora a relação das maiores exportadoras de açúcar do Brasil seja bem estabelecida – com Raízen e Copersucar frequentemente na briga pela liderança e relativamente distantes das demais –, o mesmo não acontece entre as companhias que comercializam a commodity. Wilmar, Sucden, Alvean e Louis Dreyfus têm competido pelo topo do ranking nos últimos anos, inclusive com o surgimento de eventuais “ameaças”.
Em 2022, a liderança mais uma vez foi da Wilmar, que vendeu 4,23 milhões de toneladas; a trading já havia ocupado esta posição em 2015, 2016, 2017 e 2020. O volume representa uma alta de 16,5% ante as 3,63 milhões de toneladas contabilizadas no ano anterior. Além disso, ele equivale a 16,7% da quantia exportada pelo país no período, de 25,34 milhões.
Os dados fazem parte de um levantamento da agência marítima Williams e divergem dos números oficiais por conta das metodologias utilizadas: a Williams considera apenas as exportações por porão de navio e contabiliza os valores declarados nos portos. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério da Fazenda, o país despachou 27,29 milhões de toneladas em 2022.
Na sequência do ranking, a Sucden comercializou 4,04 milhões de toneladas de açúcar em 2022, alta anual de 20%. Já a Alvean, líder do ano anterior, passou a ocupar a terceira posição, com 3,68 milhões de toneladas, queda de 19,1%. Quem também registrou uma retração foi a Louis Dreyfus, que vendeu 2,41 milhões de toneladas de açúcar brasileiro no ano passado (-9%).
A relação das cinco maiores comercializadoras termina com a Raízen, que movimentou 1,95 milhão de toneladas, aumento de 192,7% ante as 666,25 mil toneladas de 2021. O crescimento já era esperado, ainda que não nesta proporção: em setembro, a companhia afirmou que suas vendas diretas do adoçante haviam subido em 50% após o fim da parceria com a Wilmar.

Estas são as únicas companhias que comercializaram mais de 1 milhão de toneladas cada em 2022. Além disso, juntas, elas foram responsáveis por 64,4% do volume total exportado no ano.
As maiores compradoras de açúcar
Expandindo a relação para as empresas que comercializaram mais de 100 mil toneladas da commodity, 24 nomes passam a integrar o ranking. Em 2021, este rol tinha 22 companhias; entretanto, em 2020, havia 26.
Entre as tradings que saíram desta relação estão: Casillo, Holbud e Timbro. As duas primeiras não registraram comercializações em 2022, enquanto a Timbro teve uma queda de 60,4% no volume, para 68,25 mil toneladas.
Já as novidades incluem: Sucro (+436,5%), Midstar (+67,1%), CJ (+40%), Antei e GLTA. As duas últimas não participaram das exportações brasileiras de açúcar em 2021.

Considerando apenas as companhias que comercializaram mais de 100 mil toneladas em 2022, os maiores crescimentos foram de Sucro (+436,5%), Raízen (+192,7%) e Midstar (+67,1%). Por sua vez, as maiores retrações foram de United Sugar (-67,8%), Nolis (-42,9%) e Agrocorp (-34,7%).
A Nolis, aliás, constava entre as cinco maiores comercializadoras de açúcar brasileiro de 2021, com 1,74 milhão de toneladas. Em 2022, este volume caiu para 992,59 mil toneladas, colocando a companhia na sexta posição.
Ao todo, 42 empresas venderam o açúcar brasileiro no mercado internacional, segundo o levantamento da Williams. A quantia representa uma elevação ante as 37 companhias contabilizadas em 2021 e 2020. No entanto, 140,31 mil toneladas não tiveram a empresa comercializadora informada.

Entre os dois últimos anos, ainda de acordo com a agência marítima, houve uma elevação de 1,4% no volume total da commodity exportada via porão de navio: foram 25,34 milhões de toneladas em 2022, ante 24,98 milhões de toneladas no ano anterior.
Relações comerciais
As tradings listadas são responsáveis por negociar e vender o açúcar produzido por indústrias brasileiras. No caso da Wilmar, líder do ranking em 2022, 1,04 milhão de toneladas não tiveram sua origem informada pela Williams.
Entre as principais sucroenergéticas confirmadas estão: Raízen (462,75 mil t) – sua antiga companheira comercial na RaW –, São Martinho (332,72 mil t), Cofco (234,28 mil t), Czarnikow (148,19 mil t) e Santa Terezinha (121,1 mil t).
Ao todo, a Wilmar comprou adoçante de 82 sucroenergéticas e realizou as saídas a partir de quatro portos. O principal destino foi Marrocos, com 787,68 mil toneladas enviadas; ele foi seguido por Malásia, com 585,21 mil toneladas, e pela China, com 421,79 mil toneladas.
Sob tutela da Wilmar, o açúcar brasileiro viajou para 20 países. Além disso, 148,2 mil toneladas não tiveram destino confirmado.


A segunda maior compradora do ano passado, a Sudcen, adquiriu a maior quantidade de açúcar a partir da sua própria empresa, 609,08 mil toneladas. A companhia também negociou com Tereos (478,59 mil t), Raízen (281,42 mil t), São Martinho (241,74 mil t), Coruripe (239,63 mil t) e outras, totalizando 85 sucroenergéticas.
Por meio de seis portos, a Sucden levou açúcar brasileiro para 29 países, como Nigéria (861,78 mil t), Marrocos (505,76 mil t) e Rússia (493,23 mil t).
Por sua vez, a Alvean concentrou 1,44 milhão de toneladas de sua controladora, a Copersucar. Além disso, a trading também adquiriu açúcar dos grupos Oswaldo Ribeiro (229,56 mil t), Tereos (192,1 mil t), Delta (170,88 mil t) e Santa Terezinha (159,56 mil t).
No total, 67 sucroenergéticas utilizaram os serviços da Alvean, que despachou via Santos (SP) e Paranaguá (PR) para 17 países. Entre os destaques estão: China (1,24 mi t), Egito (418,8 mil t) e Iraque (387,53 mil t).
Sem o controle da Biosev, que foi vendida para a Raízen em 2021, a Louis Dreyfus passou a ter a Clealco como a principal entre suas 76 parceiras para exportações, com 182,96 mil toneladas exportadas em 2022; a companhia foi seguida por Alto Alegre (161,88 mil t), Cofco (160,5 mil t), Raízen (146,44 mil t) e Santa Terezinha (125 mil t).
A partir de três portos, a commodity foi enviada para 20 países, como China (677,26 mil t), Egito (336,59 mil t) e Geórgia (297 mil t). Contudo, o destino de 54,02 mil toneladas não foi informado.
Já a Raízen não declarou a origem de 1,04 milhão de toneladas exportadas. Além disso, 278,4 mil toneladas vieram da própria companhia; na sequência, 83,33 mil toneladas tiveram como origem a Czarnikow; e outras 71,74 mil toneladas eram da Biosev.
Contabilizando 41 parcerias comerciais, a empresa levou açúcar a 20 destinos, incluindo China (502,92 mil t), Bangladesh (339,27 mil t) e Geórgia (293,31 mil t). Porém, 35 mil toneladas não tiveram destino informado.
Portos e destinos
Pelo terceiro ano consecutivo, a China foi o principal destino das exportações de açúcar brasileiro. De acordo com os dados da Williams, o país asiático recebeu 4,28 milhões de toneladas vindas por porão de navio, queda de 5,1% ante as 4,51 milhões de toneladas registradas no ano anterior. Na sequência, a Nigéria foi a parada de 2,04 milhões de toneladas, alta de 9,7% na mesma comparação.
Além disso, outros seis países receberam mais de 1 milhão de toneladas cada: Argélia (1,97 mi t), Marrocos (1,56 mi t), Indonésia (1,25 mi t), Canadá (1,23 mi t), Egito (1,14 mi t) e Bangladesh (1,13 mi t).
No total, a commodity brasileira viajou para 63 países. Contudo, 263,74 mil toneladas não tiveram seus destinos revelados.

Em 2022, o açúcar brasileiro foi despachado a partir de oito portos. Santos (SP) concentrou a maior parte dos embarques, enviando 18,45 milhões de toneladas do adoçante, negociado por 29 compradores. O montante representa uma queda de apenas 0,1% ante as 18,47 milhões de toneladas vistas em 2021.
Em seguida, Paranaguá (PR) teve um aumento anual de 5,6%, chegando 5,17 milhões de toneladas em 2022 ante 4,9 milhões de tonelada no ano anterior. Neste caso, os envios foram feitos a partir de 21 empresas.
Já Maceió (AL) despachou 1,07 milhão de toneladas, uma retração de 2,3% na comparação anual. No total, oito comercializadoras utilizaram o porto para enviar açúcar ao exterior.

Além disso, cinco portos foram responsáveis por volumes inferiores a 1 milhão de toneladas: Recife (PE), com 338,33 mil toneladas (+13,6%); Suape (PE), com 154,02 mil toneladas (-0,3%); São Sebastião (SP), com 147,46 mil toneladas (+263,5%); São Francisco do Sul (SC), com 6,8 mil toneladas; e Rio Grande (RS), com 6,64 mil toneladas. Os dois últimos não contabilizaram envios de açúcar em 2021.
Renata Bossle – NovaCana



