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[Ranking] Sucroenergéticas financiam R$ 1,69 bilhão via BNDES em 2022, alta anual de 0,7%

Entre os grupos que mais contrataram empréstimos junto ao banco de fomento estão Coruripe, Viterra Bioenergia e Caeté

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Tradicional fonte de recursos para o setor sucroenergético, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) chegou a disponibilizar R$ 8,56 bilhões para empresas de açúcar e etanol em 2010, no maior valor da série histórica iniciada em 2002. Embora tenha perdido espaço nos últimos anos, ele segue relevante no contexto geral.

Em 2022, os financiamentos pelo banco de fomento somaram R$ 1,69 bilhão, com uma ligeira alta de 0,7% ante os R$ 1,68 bilhão do ano anterior. No total, 93 companhias – representando 48 grupos econômicos e diversos produtores independentes de cana – recorreram aos empréstimos via BNDES.

Entre os maiores contratos, o destaque foi para a linha vinculada ao programa RenovaBio, que totalizou R$ 467,37 milhões em recursos disponibilizados. O valor supera em 12,6% os R$ 415 milhões registrados em 2021, ano de lançamento desta opção, e poderia ter sido ainda maior, já que o orçamento liberado era de R$ 2 bilhões.

Além disso, o montante está concentrado em apenas quatro empresas: a usina Limeira do Oeste, do grupo Tércio Wanderley, com R$ 193,13 milhões; a Caeté, do grupo Carlos Lyra, com R$ 100 milhões; a usina Barra Grande, da Zilor, com R$ 100 milhões; e Ferrari Agroindústria, com R$ 74,26 milhões.

Leia mais sobre os financiamentos sucroenergéticos contratados via BNDES no texto completo (exclusivo para assinantes NovaCana):

- Ranking das empresas que contrataram os maiores valores
- Evolução dos financiamentos das campeãs
- Ranking dos grupos que mais contrataram em 2022
- Destinação dos recursos
- Companhias que estão investindo na indústria
- Companhias que estão investindo no campo
- Modalidades de financiamentos
- Mudança no perfil dos contratos

Tradicional fonte de recursos para o setor sucroenergético, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) chegou a disponibilizar R$ 8,56 bilhões para empresas de açúcar e etanol em 2010, no maior valor da série histórica iniciada em 2002. Embora tenha perdido espaço nos últimos anos, ele segue relevante no contexto geral.

Em 2022, os financiamentos pelo banco de fomento somaram R$ 1,69 bilhão, com uma ligeira alta de 0,7% ante os R$ 1,68 bilhão do ano anterior. No total, 93 companhias – representando 48 grupos econômicos e diversos produtores independentes de cana – recorreram aos empréstimos via BNDES.

Entre os maiores contratos, o destaque foi para a linha vinculada ao programa RenovaBio, que totalizou R$ 467,37 milhões em recursos disponibilizados. O valor supera em 12,6% os R$ 415 milhões registrados em 2021, ano de lançamento desta opção, e poderia ter sido ainda maior, já que o orçamento liberado era de R$ 2 bilhões.

Além disso, o montante está concentrado em apenas quatro empresas: a usina Limeira do Oeste, do grupo Tércio Wanderley, com R$ 193,13 milhões; a Caeté, do grupo Carlos Lyra, com R$ 100 milhões; a usina Barra Grande, da Zilor, com R$ 100 milhões; e Ferrari Agroindústria, com R$ 74,26 milhões.

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Entretanto, é possível que os números tenham futuras atualizações, a depender da liberação de recursos. Os dados referentes a 2021, inclusive, foram revistos pelo BNDES ao longo do ano passado.

A planilha atualizada, incluindo números iniciais de 2023, está disponível no NovaCana DATA (acesso exclusivo para assinantes). Ela contém dados detalhados sobre os empréstimos do setor via BNDES desde 2002.

As maiores contratantes de 2022

O valor obtido pela linha RenovaBio em 2022, aliás, permitiu que a usina Limeira do Oeste, localizada no município mineiro de mesmo nome, ocupasse a liderança entre as companhias que obtiveram empréstimos via BNDES no ano passado.

“Isso vai possibilitar a finalização do funding planejado para a safra 2021/22, melhorando significativamente a duração média da dívida da companhia e reforçando o caixa para o início da safra 2022/23”, ressaltou o diretor-financeiro do grupo, Thierry Soret, na época do anúncio.

Mas nem todos os valores obtidos no ano foram vinculados ao programa. A companhia ainda contratou R$ 18,07 milhões pelo Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame) para a fabricação de etanol, totalizando R$ 211,2 milhões.

No ano passado, a mesma companhia emprestou R$ 14,88 milhões para a aquisição de máquinas e equipamentos, aumento de mais de 1.319,4%.

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Na sequência, a segunda sucroenergética que mais obteve recursos pelo BNDES em 2022 foi a usina Rio Vermelho, da Viterra Bioenergia (antiga Glencane), localizada em Junqueirópolis (SP). Os R$ 150 milhões vieram do Finame, com destino à fabricação de etanol, e representaram o primeiro empréstimo da empresa junto ao banco desde os R$ 12,21 milhões obtidos em 2019.

Por sua vez, a Caeté, de Alagoas, fez captações que totalizaram R$ 116,68 milhões. A maior parte do montante – R$ 100 milhões – está vinculada ao programa RenovaBio. Os R$ 16,68 milhões restantes foram obtidos pelo Finame e estão divididos em três objetivos: plantio de cana-de-açúcar (R$ 11 mi), fabricação de etanol (R$ 3,09 mi) e fabricação de açúcar (R$ 2,58 mi). A companhia não realizava empréstimos via BNDES desde 2014.

Já a Bioenergética Aroeira financiou R$ 111,5 milhões para sua usina em Tupaciguara (MG), alta de 175,7% na comparação com o valor registrado em 2021. Dentro do novo montante, R$ 85,4 milhões estão vinculados ao financiamento de máquinas e equipamentos e ao capital de giro associado; os demais R$ 26,1 milhões foram obtidos via Finame para a fabricação de açúcar.

O financiamento de R$ 145 milhões, anunciado pela companhia em junho do ano passado, ainda não consta na lista do BNDES. Neste caso, os recursos têm como destino a cogeração de energia elétrica.

Encerrando a lista das cinco empresas que mais financiaram por meio do BNDES em 2022 está a Barra Grande, unidade da Zilor situada em Lençóis Paulista (SP). Neste caso, o valor total de R$ 100 milhões veio da linha relacionada ao RenovaBio.

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Maiores grupos

Conforme levantamento realizado pelo NovaCana a partir dos dados disponibilizados pelo BNDES, 48 grupos sucroenergéticos contrataram empréstimos junto ao banco em 2022. Dentre eles, o maior valor foi obtido – mais uma vez – pelo grupo Tércio Wanderley, também conhecido como Coruripe, que totalizou R$ 240,83 milhões em 2022.

Além dos R$ 211,13 milhões contabilizados pela usina Limeira do Oeste, a unidade de Iturama (MG) contratou R$ 28,88 milhões para fabricação de açúcar (R$ 16,77 mi), produção de etanol (R$ 7,71 mi) e plantio de cana (R$ 4,39 mi). Por sua vez, a usina em Coruripe (AL) obteve R$ 750 mil para a fabricação de açúcar.

Na sequência, a Viterra Bioenergia está representada pelos R$ 150 milhões contratados pela usina Rio Vermelho.

Já o grupo Carlos Lyra somou R$ 124,47 milhões por conta dos valores obtidos por três usinas. Além dos R$ 116,68 milhões da Caeté, a planta de Paulicéia (SP) emprestou R$ 6,42 milhões para a fabricação de etanol, enquanto a unidade Marituba, de Igreja Nova (AL), obteve R$ 1,37 milhão para a fabricação de açúcar (R$ 1,22 mi) e etanol (R$ 148 mil).

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Para esta reportagem, o NovaCana somou todos os produtores independentes de cana-de-açúcar e os considerou como um grupo único, que computou R$ 68,99 milhões em seus contratos e ficou na décima posição. Ao todo, 39 fornecedores, de 12 estados do país, emprestaram dinheiro junto ao BNDES em 2022.

Dentre eles, 16 estão em São Paulo, cinco em Minas Gerais, cinco no Paraná, três no Maranhão, dois em Goiás e dois no Rio Grande do Sul. Além disso, Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Santa Catarina e Tocantins também possuem representantes.

Os produtores independentes, em geral, podem ser contratados por usinas para vender sua matéria-prima, ou ainda produzir e comercializar de acordo com a demanda da sua região.

Investimentos na indústria e no campo

Em 2022, além dos R$ 467,39 milhões contratados por meio da linha RenovaBio, as sucroenergéticas também optaram por outras oito destinações dos recursos. Destas, seis são relacionadas a áreas industriais, totalizando R$ 980,15 milhões, e duas são voltadas para os canaviais, somando R$ 241,95 milhões.

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Considerando apenas os objetivos industriais contratados em 2022, há uma alta de 9,7% em relação aos R$ 893,28 milhões do ano anterior. No total, 41 empresas firmaram estes contratos no ano passado.

Dentro desse grupo, há investimentos em fabricação de etanol, com R$ 350,11 milhões em 2022 (alta de 363,8% na comparação anual); fabricação de açúcar, com R$ 285,89 milhões (+376,9%); apoio à indústria, com R$ 254,67 milhões (+557,8%); implantação de unidade, com R$ 80 milhões (neste caso, não houve contratação em 2021), expansão ou modernização, com R$ 4,96 milhões (-99,3%) e fabricação de outros produtos, com R$ 4,52 milhões (+968,5%).

Entre as empresas que mais contrataram empréstimos com o BNDES para este fim estão a Rio Vermelho, da Viterra (R$ 150 milhões), a Bioenergética Aroeira (R$ 111,5 milhões) e a Santo Angelo (R$ 81,22 milhões). Além disso, a São Martinho foi a única companhia a fechar contrato para o financiamento de uma nova unidade, no valor de R$ 80 milhões.

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Por sua vez, os investimentos nos canaviais com participação do BNDES contabilizaram R$ 241,95 milhões em 2022, queda de 34,5% em relação a um ano antes. Considerando as duas categorias contratadas em 2022, a somatória vem apresentando retrações desde 2019; neste caso, o pico aconteceu em 2014, com R$ 2,4 bilhões.

No ano passado, 57 empresas contrataram estes empréstimos, resultando em uma média de R$ 4,23 milhões por companhia. Dentre elas, os maiores valores foram para a Coplasa, do grupo Moreno (R$ 22,53 mi); a Colorado (R$ 19,35 mi); e a Rio Amambai, da Amerra (R$ 19,22 mi).

Além disso, dentro do montante total, R$ 197,68 milhões foram destinados ao plantio de cana-de-açúcar, queda anual de 32,3%. Já os R$ 44,27 milhões restantes foram enquadrados como apoio ao campo, queda de 43,1%.

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Outras características dos financiamentos

Ao longo dos últimos anos, o valor total dos financiamentos sucroenergéticos via BNDES tem registrado grandes flutuações. A alta de 0,7% observada em 2022, inclusive, representa a menor variação da série histórica iniciada em 2002 – no período, a retração mais significativa foi vista entre 2014 e 2015, com 77,99%; já o maior aumento aconteceu de 2017 para 2018, 245,1%.

O mesmo acontece com o número de projetos. Neste caso, após um crescimento de 101,9% em 2020, houve quedas em 2021 (58,3%) e em 2022 (30,1%), totalizando 302 no levantamento mais recente.

Por sua vez, os focos dos investimentos das sucroenergéticas também mudou. Em 2022, nove categorias receberam recursos, sendo que a linha RenovaBio concentrou 27,7% do montante total, ou R$ 467,39 milhões. Na sequência, a fabricação de etanol ocupou 20,7%, ou R$ 350,11 milhões, enquanto a fabricação de açúcar demandou 16,9%, ou R$ 285,89 milhões.

Juntas, estas três destinações somaram uma participação de 65,3% dos recursos contratados em 2022, o equivalente a R$ 1,1 bilhão. Um ano antes, contudo, elas representavam apenas 32,8%, com R$ 550,43 milhões.

A categoria mais relevante de 2021, aliás, foi a de expansão ou modernização industrial, com R$ 718,71 milhões ou 42,8% do total. Em 2022, os empréstimos classificados com esse destino representaram apenas 0,3%, com R$ 4,96 milhões.

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Com a mudança nas linhas contratadas, também há diferenças na forma como o dinheiro é entregue às companhias. Os dados divulgados pelo BNDES e compilados pelo NovaCana consideram a questão a partir de três modalidades distintas: operações diretas, indiretas automáticas e indiretas não automáticas.

As operações indiretas são realizadas por meio de empresas financeiras credenciadas ao BNDES. Na forma automática, limitada a R$ 150 milhões, não é necessário passar por uma avaliação prévia do banco de fomento. Já no caso não automático, o BNDES faz uma avaliação e o apoio vai de R$ 20 milhões a R$ 40 milhões.

Por sua vez, a modalidade direta, que não é automática, precisa de um pedido junto ao banco, que disponibiliza valores acima de R$ 20 milhões.

Desde 2018, o setor sucroenergético não consta entre as operações indiretas não automáticas. Em 2022, R$ 882,47 milhões, ou 52,2% do total, foram contratados pela modalidade indireta automática. Assim, os 47,8% restantes tiveram origem direta, somando R$ 807,02 milhões. Um ano antes, estas fatias eram de 28,9% (R$ 1,19 bi) e 71,1% (R$ 484,53 mi), respectivamente.

O NovaCana entrou em contato com o BNDES para questionar os impactos desta mudança de perfil, entre outras características dos financiamentos contratados pelas sucroenergéticas, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

NovaCana DATA

Renata Bossle – NovaCana

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