Preocupações, preço, mix de produção, recuperação da cana e mercado mundial foram os destaques da análiseA corretora de commodities Sucden Financial avaliou a situação brasileira e internacional e fez algumas apostas para o mercado de açúcar.
O mercado de açúcar ainda está em tom de queda, apesar do dano à safra de cana-de-açúcar brasileira devido à seca, disse a corretora Sucden Financial, destacando a perspectiva de maior exportação da Tailândia e menor demanda da China.
A corretora de commodities agrícolas reconhece que as condições climáticas "desastrosas" que atingiram o centro-sul do país de dezembro a fevereiro devem fazer a safra de cana 2014/2015 recuar. Durante o período, o índice de pluviosidade ficou em 340 mm, em comparação com uma média de 620 mm.
"Não há precedente (recente) de níveis tão sombrios no ápice da estação das chuvas", disse a Sucden, apontando uma perda de mais de 10 toneladas por hectare no rendimento de algumas áreas, equivalente a mais de 10%.
"Existe o risco" de que parte da cana plantada no final de 2013 "tenha morrido".
A cana pode se recuperar
Contudo, mesmo cortando sua estimativa para a moagem no centro-sul do Brasil em 35 milhões de toneladas, a previsão de que 586 milhões de toneladas serão processadas ainda ficou bem acima da de outros consultores e empresas.
O Rabobank, por exemplo, cortou sua estimativa para 570 milhões de toneladas na semana passada, seguindo a previsão da gigante do açúcar Copersucar.
"A cana-de-açúcar é uma grama e pode se recuperar pelo menos parcialmente com as chuvas futuras", afirmou a Sucden, completando que as chuvas deste mês, apesar de "meio esparsas, já serão benéficas".
Açúcar X etanol
Além disso, a corretora destacou que o potencial dos altos preços, que subiram 22%, podem incentivar as usinas a transformar a cana em etanol, ao invés de açúcar.
Apesar da possibilidade de o açúcar não ser produzido em grande escala no início da safra, com os produtores relutando vender muito do adoçante para embarques num futuro próximo, "a situação atual do mercado é tal que a possibilidade de um mix mais alto de açúcar não deve ser subestimada".
Desde julho, o mercado está precificando o equivalente de etanol em açúcar bruto a 16,5 centavos de dólar por libra-peso, bem abaixo dos 18,28 centavos de dólar por libra-peso a que os futuros de açúcar bruto foram negociados na sexta-feira em Nova York.
A previsão da Sucden é que a produção de açúcar na temporada 2014/2015, que começa em abril, fique em 34,3 milhões de toneladas, volume semelhante ao da safra anterior e superior ao estimado pela F.O. Licht, por exemplo, que ficou em 31,1 milhões de toneladas, e pela Datagro, de 33,2 milhões de toneladas.
Importadores chineses hesitam
Outro destaque feito pela Sucden foi o potencial para aumento das exportações da Tailândia, o segundo maior exportador de açúcar, depois do Brasil, que, nos primeiros três meses do ano, registrou exportações inferiores a 1 milhão de toneladas do ano anterior e a 1,7 milhões de toneladas do primeiro trimestre de 2012.
Uma safra recorde de 107 milhões de toneladas de cana permitirá que o país produza 11,5 milhões de toneladas de açúcar, 1,5 milhões de toneladas a mais do que no ano anterior.
"Como consequência, haverá pressão para aumentar as exportações", disse a Sucden.
Do lado da demanda, as importações chinesas devem ser "hesitantes" e limitadas a 2,4 milhões de toneladas em 2014, 40% a menos do que em 2013, depois que o país aumentou seus estoques em 5 milhões de toneladas nos últimos dois anos.
Tendência de queda
"No todo, ainda resta um comércio de excedente significativo, estimado em aproximadamente 5 milhões de toneladas em dezembro de 2014, disse a Sucden.
"O excedente mantém uma tendência estrutural para os próximos seis a nove meses", apesar de muito depender da safra de cana do centro-sul do Brasil e do El Niño, que traz seca à Índia e chuvas ao Brasil, e pode começar dentro de algumas semanas.
Fonte: Agrimoney
Tradução e adaptação: Vivian Faria – NovaCana
O mercado de açúcar ainda está em tom de queda, apesar do dano à safra de cana-de-açúcar brasileira devido à seca, disse a corretora Sucden Financial, destacando a perspectiva de maior exportação da Tailândia e menor demanda da China.
A corretora de commodities agrícolas reconhece que as condições climáticas "desastrosas" que atingiram o centro-sul do país de dezembro a fevereiro devem fazer a safra de cana 2014/2015 recuar. Durante o período, o índice de pluviosidade ficou em 340 mm, em comparação com uma média de 620 mm.
"Não há precedente (recente) de níveis tão sombrios no ápice da estação das chuvas", disse a Sucden, apontando uma perda de mais de 10 toneladas por hectare no rendimento de algumas áreas, equivalente a mais de 10%.
"Existe o risco" de que parte da cana plantada no final de 2013 "tenha morrido".
A cana pode se recuperar
Contudo, mesmo cortando sua estimativa para a moagem no centro-sul do Brasil em 35 milhões de toneladas, a previsão de que 586 milhões de toneladas serão processadas ainda ficou bem acima da de outros consultores e empresas.
O Rabobank, por exemplo, cortou sua estimativa para 570 milhões de toneladas na semana passada, seguindo a previsão da gigante do açúcar Copersucar.
"A cana-de-açúcar é uma grama e pode se recuperar pelo menos parcialmente com as chuvas futuras", afirmou a Sucden, completando que as chuvas deste mês, apesar de "meio esparsas, já serão benéficas".
Açúcar X etanol
Além disso, a corretora destacou que o potencial dos altos preços, que subiram 22%, podem incentivar as usinas a transformar a cana em etanol, ao invés de açúcar.
Apesar da possibilidade de o açúcar não ser produzido em grande escala no início da safra, com os produtores relutando vender muito do adoçante para embarques num futuro próximo, "a situação atual do mercado é tal que a possibilidade de um mix mais alto de açúcar não deve ser subestimada".
Desde julho, o mercado está precificando o equivalente de etanol em açúcar bruto a 16,5 centavos de dólar por libra-peso, bem abaixo dos 18,28 centavos de dólar por libra-peso a que os futuros de açúcar bruto foram negociados na sexta-feira em Nova York.
A previsão da Sucden é que a produção de açúcar na temporada 2014/2015, que começa em abril, fique em 34,3 milhões de toneladas, volume semelhante ao da safra anterior e superior ao estimado pela F.O. Licht, por exemplo, que ficou em 31,1 milhões de toneladas, e pela Datagro, de 33,2 milhões de toneladas.
Importadores chineses hesitam
Outro destaque feito pela Sucden foi o potencial para aumento das exportações da Tailândia, o segundo maior exportador de açúcar, depois do Brasil, que, nos primeiros três meses do ano, registrou exportações inferiores a 1 milhão de toneladas do ano anterior e a 1,7 milhões de toneladas do primeiro trimestre de 2012.
Uma safra recorde de 107 milhões de toneladas de cana permitirá que o país produza 11,5 milhões de toneladas de açúcar, 1,5 milhões de toneladas a mais do que no ano anterior.
"Como consequência, haverá pressão para aumentar as exportações", disse a Sucden.
Do lado da demanda, as importações chinesas devem ser "hesitantes" e limitadas a 2,4 milhões de toneladas em 2014, 40% a menos do que em 2013, depois que o país aumentou seus estoques em 5 milhões de toneladas nos últimos dois anos.
Tendência de queda
"No todo, ainda resta um comércio de excedente significativo, estimado em aproximadamente 5 milhões de toneladas em dezembro de 2014, disse a Sucden.
"O excedente mantém uma tendência estrutural para os próximos seis a nove meses", apesar de muito depender da safra de cana do centro-sul do Brasil e do El Niño, que traz seca à Índia e chuvas ao Brasil, e pode começar dentro de algumas semanas.
Fonte: Agrimoney
Tradução e adaptação: Vivian Faria – NovaCana