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StoneX prevê safra brasileira de milho verão em 26,8 mi t e analisa contexto mundial

Consultoria aponta preocupações quanto ao resultado das colheitas na América do Sul, enquanto Hemisfério Norte vive tensões políticas e demandas elevadas

NovaCana 11 min de leitura

O mercado de milho ao redor do mundo está sendo marcado por diversos fatores altistas e baixistas. Durante o evento trimestral Perspectivas para Commodities, realizado pela StoneX na última quarta-feira, 19, o analista de inteligência de mercado João Pedro Lopes apresentou os que considera como os mais relevantes.

Além disso, as projeções para os principais produtores – como Brasil, Argentina, Ucrânia e Estados Unidos – também foram apresentadas pelo analista. Alguns pontos levantados foram detalhados em relatório trimestral da StoneX, lançado logo após o evento.

No Brasil, o início do ciclo foi favorável, com os volumes elevados de chuvas e ritmo acelerado do plantio. Por outro lado, a irregularidade nas precipitações vistas nos últimos dois meses afetou de forma considerável a safra de milho de verão na região Sul, de acordo com o analista da StoneX.

Assim, a consultoria reduziu sua expectativa para a primeira safra brasileira, saindo das 30,4 milhões de toneladas previstas em novembro para 26,8 milhões de toneladas. “Por mais que a safra de verão seja bem menor em comparação com a de inverno, ela é de grande importância para a disponibilidade do cereal na primeira metade do ano, especialmente após temporadas marcadas pela quebra da safrinha, como foi 2020/21”, destaca Lopes.

Ele também acredita que a tendência é que os preços permaneçam sustentados pelo menos até a colheita da safrinha 2021/22, que só ocorre na segunda metade do ano.

O analista ainda estima uma segunda safra positiva, com um recorde de 89,1 milhões de toneladas, o que puxaria a produção total também para um recorde de 117,5 milhões de toneladas. “Mas acabamos de começar a plantar, tem muita coisa para acontecer e será importante acompanhar o desenvolvimento da segunda safra ao longo do ano para ter uma percepção melhor do que vai ocorrer com a oferta”, complementa.

De qualquer modo, a perspectiva de maior disponibilidade do grão no segundo semestre gera uma pressão de baixa nos preços, mesmo que o cenário seja bastante incerto.

Confira, na versão completa e restrita para assinantes do NovaCana, mais detalhes sobre os mercados interno e externo do milho brasileiro, perspectivas para os principais produtores mundiais de milho e projeções de preços.

O mercado de milho ao redor do mundo está sendo marcado por diversos fatores altistas e baixistas. Durante o evento trimestral Perspectivas para Commodities, realizado pela StoneX na última quarta-feira, 19, o analista de inteligência de mercado João Pedro Lopes apresentou os que considera como os mais relevantes.

Além disso, as projeções para os principais produtores – como Brasil, Argentina, Ucrânia e Estados Unidos – também foram apresentadas pelo analista. Alguns pontos levantados foram detalhados em relatório trimestral da StoneX, lançado logo após o evento.

No Brasil, o início do ciclo foi favorável, com os volumes elevados de chuvas e ritmo acelerado do plantio. Por outro lado, a irregularidade nas precipitações vistas nos últimos dois meses afetou de forma considerável a safra de milho de verão na região Sul, de acordo com o analista da StoneX.

Assim, a consultoria reduziu sua expectativa para a primeira safra brasileira, saindo das 30,4 milhões de toneladas previstas em novembro para 26,8 milhões de toneladas. “Por mais que a safra de verão seja bem menor em comparação com a de inverno, ela é de grande importância para a disponibilidade do cereal na primeira metade do ano, especialmente após temporadas marcadas pela quebra da safrinha, como foi 2020/21”, destaca Lopes.

Ele também acredita que a tendência é que os preços permaneçam sustentados pelo menos até a colheita da safrinha 2021/22, que só ocorre na segunda metade do ano.

O analista ainda estima uma segunda safra positiva, com um recorde de 89,1 milhões de toneladas, o que puxaria a produção total também para um recorde de 117,5 milhões de toneladas. “Mas acabamos de começar a plantar, tem muita coisa para acontecer e será importante acompanhar o desenvolvimento da segunda safra ao longo do ano para ter uma percepção melhor do que vai ocorrer com a oferta”, complementa.

De qualquer modo, a perspectiva de maior disponibilidade do grão no segundo semestre gera uma pressão de baixa nos preços, mesmo que o cenário seja bastante incerto.

Brasil: mercados interno e externo

Considerando a recuperação da segunda safra, a StoneX vê que o Brasil pode restabelecer o seu protagonismo no mercado externo. O analista relembra que, na safra 2020/21, as exportações foram muito prejudicadas. Assim, com a possível maior oferta, há uma tendência de maior direcionamento para o mercado externo, fazendo o país recuperar a segunda colocação entre os principais exportadores.

Já quanto à demanda doméstica, Lopes acrescenta que, ao longo dos últimos anos, houve um crescimento considerável. De acordo com ele, o uso do milho para ração foi o principal destino do grão, mas a produção de etanol de milho crescente ajuda na tendência de alta. O analista destaca que o biocombustível deve ter uma maior importância na dinâmica do mercado de milho nacional, com a matéria-prima sendo cada vez mais destinada para este fim.

Já em relação aos estoques do grão, há perspectiva de aumento para 11,9 milhões de toneladas. “Mais do que os estoques em si, o interessante é observar a relação entre estoque e uso, que é a divisão entre os estoques finais e o consumo total brasileiro; vemos uma queda desse índice de 10,9% para 10,2%”, destaca Lopes.

Por isso, segundo ele, qualquer problema na segunda safra de milho pode gerar um balanço mais apertado de estoque e uso do produto, elevando os preços.

Argentina: redução da qualidade do grão

Já na vizinha Argentina, as condições climáticas devem contribuir para a manutenção dos preços em “patamares fortalecidos”, segundo destaca a StoneX. Ainda que por lá a produção do milho esteja mais favorável do que no ciclo anterior, a consultoria constatou que há “uma considerável deterioração da condição da safra”.

No início de dezembro, 90% do cereal argentino estava em condições consideradas boas ou excelentes, mas recentemente esta parcela caiu para 23%.

A Bolsa de Rosário, por exemplo, cortou a projeção de produção do cereal para 48 milhões de toneladas, abaixo das 56 milhões de toneladas estimadas inicialmente. Já o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima uma produção de 54 milhões de toneladas.

Segundo Lopes, ainda é cedo para garantir a queda, uma vez que o ciclo na Argentina é mais extenso, com um intervalo maior para recuperação. “A condição era até pior no ano passado do que neste ano, mesmo assim o país garantiu uma produção elevada”, relembra o analista.

Ucrânia: aumento do gás e tensões políticas

Já no Hemisfério Norte, um país que pode movimentar o mercado do cereal no início de 2022 é a Ucrânia. Conforme Lopes, a colheita da safra 2021/22 no país já foi encerrada, atingindo um recorde de 42 milhões de toneladas segundo o USDA, 11,7 milhões a mais que na safra anterior.

Com isso, as exportações devem crescer para 33,5 milhões, 9,6 milhões acima do registrado um ciclo antes. Isso aumentaria a competição internacional e poderia pressionar as cotações, de acordo com a consultoria. “Contudo, a elevação do preço do gás natural aumentou o custo do cereal no país, o que pode afetar as exportações e dar suporte aos preços internacionais”, pondera Lopes em relatório.

Outro fator relevante é a tensão política entre Rússia e Ucrânia. O aumento das tropas russas na fronteira entre os países pode impactar o comércio da Ucrânia com outras nações, diminuindo a disponibilidade de milho no mercado internacional e trazendo suporte para uma pressão altista das cotações, segundo Lopes.

China: alta demanda de milho

A produção chinesa do grão em 2021/22 foi estimada em 272,6 milhões pelo USDA – 11,9 milhões a mais que na temporada anterior –, mas ainda há uma demanda fortalecida para importação, segundo a StoneX.

O próprio USDA projeta a compra de 26 milhões de toneladas em 2021/22. Entretanto, há incertezas em relação à origem do grão. “Por mais que o país tenha vivenciado recentemente tensões diplomáticas com os Estado Unidos e possua uma relação mais próxima com a Ucrânia, a incerteza política no Mar Negro pode beneficiar o comércio sino-americano”, considera Lopes.

De qualquer modo, mesmo que haja dúvidas sobre a quantidade vinda de fora, o volume não deverá ser baixo, pontua o analista. De acordo com ele, o consumo doméstico aumentou no país, com a produção ficando abaixo do consumo em 21 milhões de toneladas.

Entre os fatores que podem contribuir para a demanda estão o elevado rebanho suíno e os estímulos do governo criados depois dos surtos de Peste Suína Africana. Na ocasião, o objetivo era substituir a lavagem por ração na alimentação dos animais.

EUA: custos elevados nos fertilizantes

Quanto aos Estados Unidos, a StoneX já observa as intenções de plantio para a temporada 2022/23. Se, por um lado, os preços altos do cereal podem beneficiar o avanço da área plantada, por outro, o aumento nos custos dos fertilizantes coloca este dado em questão. O dilema pode favorecer a soja, que demanda menos insumos.

Em seu último relatório, o USDA reduziu as expectativas de exportações estadunidenses em 2 milhões de toneladas, para 61,6 milhões de toneladas, por conta da preferência da China pela produção ucraniana.

Por outro lado, fatores como a dificuldades na colheita da América do Sul e os problemas no escoamento do milho ucraniano precisam ser observados, conforme pontua a StoneX. A consultoria acredita que eles podem modificar o cenário, aumentando a demanda pelo milho estadunidense.

Em relação à demanda interna pelo cereal, a expectativa é de aumento. O consumo seria puxado especialmente pela produção de etanol de milho no país, com estimativa de uso de 135,3 milhões de toneladas da matéria-prima para este fim. “Neste ano, observamos um aumento no nível da atividade econômica e na mobilidade, incentivando o consumo do combustível e, consequentemente, do milho”, complementa Lopes.

Assim, por mais que a produção cresça, a relação entre o estoque e o uso no país deve atingir um patamar de 10,4%. O resultado seria maior do que na última safra, mas menor do que o observado desde 2014/15. “Não dá para dizer que é uma situação confortável, ainda mais com todas essas incertezas rondando o mercado”, pondera o analista.

Projeções para os preços

Entre os fatores de alta para os preços do milho destacados pela StoneX estão: a elevada produção chinesa; as preocupações quanto a variantes ômicron de coronavírus; o ritmo fraco das vendas estadunidenses de cereal; e as perspectivas de aumento nos estoques finais do país norte-americano.

Por outro lado, no viés baixista, estão: a incerteza em relação à safra 2021/22 do grão na América do Sul; o encarecimento do milho ucraniano e as tensões políticas com a Rússia; a elevada demanda chinesa; e o pouco alívio no balanço mundial de oferta e demanda do grão.

Segundo a consultoria, o saldo global do cereal deve ficar mais apertado, mesmo com o crescimento esperado para a produção, pois a demanda também deve subir. Isso deve reduzir a relação estoque-uso no comparativo com o ciclo 2020/21, saindo de 25,7% para 25,2%.

Conforme pontua Lopes em relatório trimestral, o terceiro trimestre do ano passado foi de movimento de baixa no mercado internacional do milho, com o contrato contínuo em Chicago passando de mais de US$ 7 por bushel no início de julho para pouco menos de US$ 5 por bushel em meados de setembro.

Os principais fatores motivadores deste movimento foram a safra 2021/22 estadunidense, estimada em 383,9 milhões de toneladas, o enfraquecimento do ritmo de vendas e exportações de milho dos Estados Unidos e as preocupações com as variantes de covid-19 pelo mundo.

Entretanto, houve uma recuperação parcial no último trimestre de 2021, com as cotações voltando aos US$ 6 por bushel e encerrando o ano com alta anual de mais de 20%. “A tendência observada no final de 2021, e que continua no início de 2022, foi motivada, em grande parte, pela preocupação com a safra 2021/22 de milho na América do Sul”, destaca Lopes.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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