Após companhia anunciar proposta de troca de bonds, a agência de classificação de risco rebaixou a nota de crédito da USJ Açúcar e Álcool e colocou os ratings da empresa em observação negativa
Após a companhia anunciar proposta de troca dos seus bonds, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou a nota de crédito da sucroalcooleira USJ Açúcar e Álcool e colocou os ratings da empresa em observação negativa. Segundo a visão da S&P, o calote do grupo é “iminente”.
Na nova avaliação da agência, os desdobramentos recentes da USJ colocam o calote mais como uma questão de tempo e o rating global representa que o devedor avaliado está altamente vulnerável no momento.
A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou novamente a nota de crédito da sucroalcooleira USJ Açúcar e Álcool. A nota de crédito corporativo da sucroalcooleira passou em escala global de CCC de CC, e em escala nacional de brCCC para brCC.
Na nova avaliação da agência, os desdobramentos recentes da USJ colocam o calote mais como uma questão de tempo, uma vez que esse rating global representa que o devedor avaliado está altamente vulnerável no momento. Ele é utilizado quando o cenário de default (calote) ainda não ocorreu, porém, a agência espera que este seja praticamente certo, independentemente da data prevista para que o mesmo aconteça.
A visão confirma o risco de default vislumbrado ainda no início desse ano pela agência de classificação de risco. Na época, a S&P declarou que continuaria a rebaixar os ratings se a empresa perseguisse uma troca de dívida que a agência enxergasse como desfavorável aos credores.
O novo rebaixamento ocorre após a companhia ter anunciado, na última terça-feira (15), uma proposta de troca dos seus bonds de US$ 275 milhões (sem garantias e com vencimento em 2019) por 65% do seu valor de face.
Outro ponto prejudicial à imagem da USJ junto aos credores é que a S&P colocou os ratings da empresa em observação negativa, dada a visão da agência de classificação de risco de que um calote do grupo é “iminente”.
A agência acrescenta que “rebaixará os ratings de emissor e de emissão da USJ para SD e D, respectivamente, assim que a oferta for concluída ou se a empresa não conseguir efetuar o próximo pagamento de juros que vence no mês de maio deste ano”.
A reclassificação reflete a visão da agência de que a proposta de troca é uma oferta para desafogar a companhia, pois de outra forma a USJ não deveria ser capaz de cumprir os seus pagamentos de juros e outras obrigações, e nem de deter uma estrutura mais equilibrada de capital.
Troca de bonds
Conforme a S&P, a proposta da USJ é a de troca das notas citada acima – de US$ 275 milhões sem garantia, com vencimento em 2019 por 65% do seu valor de face –, a qual seria seguida por uma nova emissão de bonds com as mesmas condições.
A diferença é que a empresa teria a opção de não pagar o cupom semestral pelos próximos dois anos, levando o pagamento do valor acumulado no vencimento do título. Durante esses dois anos, a taxa dos juros semestrais aumentaria do original 9,875% para 12%, e depois seria revertida para o valor original.
Ainda assim, de acordo com a proposta, os detentores das notas podem aceitar a oferta até 28 de março de 2016, a menos que esse prazo seja prorrogado. A partir desta última data e até 11 de abril de 2016, a não ser que haja uma prorrogação, a oferta seria de 60% do valor de face.
Marina Gallucci – NovaCana