Embora as sucroenergéticas tenham investido em ampliar a capacidade de produção de açúcar, a cristalização não tem avançado como esperado. No acumulado da safra 2024/25 até 16 de outubro, o direcionamento da matéria-prima para a fabricação do adoçante foi de 48,7%, queda de 1,2 ponto percentual em relação a um ano antes.
Ao mesmo tempo, conforme números da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), a concentração de açúcar total recuperável (ATR) foi 1% maior ante a safra anterior, com 142,23 kg/t. Entretanto, a entidade alega que a pureza do caldo foi menor.
Para o presidente da Datagro, Plínio Nastari, o motivo para isso está na síndrome da murcha do colmo, causada por fungos já conhecidos do setor: Colletotriuchum falcatum, que causa a podridão vermelha; Phaeocytostroma sacchari (Pleocyta sacchari), responsável pela podridão da casca ou podridão azeda; e Fusarium spp., que leva à Murcha de Fusarium.
Ele falou sobre o assunto durante o 18º Encontro Anual de Açúcar e Álcool, realizado pelo Citi Brasil. “O que chama atenção é que, mesmo com níveis de rendimento industrial relativamente normais, a cana não está tendo uma pureza de caldo adequada”, afirma e segue: “Sem sacarose não dá para cristalizar e o que vemos nessa safra são níveis de mix para açúcar bastante decepcionantes”.
Nastari ainda estima que as sucroenergéticas tenham realizado uma expansão de capacidade de produção de 3,2 milhões de toneladas no ano passado. Com isso, seria possível ultrapassar a marca de 45 milhões de toneladas de açúcar – mas a atual perspectiva da consultoria é que o volume fique abaixo de 39 milhões de toneladas. Em 2023/24, a produção do Centro-Sul totalizou 42,43 milhões de toneladas.
“Um dos motivos por trás do coeficiente de pureza do caldo é a síndrome da murcha”, garante Nastari. Segundo ele, embora muitos atribuam a dificuldade de cristalização à isoporização da cana, os sintomas são diferentes: “Quando ocorre a isoporização, a cana fica branca. O que está acontecendo é uma vermelhidão”.
“Eu vejo isso com uma preocupação muito grande. [A Síndrome da Murcha do Colmo] vai se tornar cada vez mais presente na realidade de todo o setor”, Plínio Nastari (Datagro)
Ainda de acordo com o presidente da Datagro, os vetores de transmissão dos fungos são conhecidos, mas o setor ainda encontra dificuldades em realizar um combate eficaz. Para completar, além de diminuir a pureza do caldo, a síndrome torna a cana mais suscetível a outras doenças, especialmente de bactérias. Além disso, há uma redução na longevidade do canavial.
Saiba mais no texto completo:
- Entrevista com pesquisador do IAC
- Formas de controle e combate
- Locais de ocorrência da síndrome
- Percepção dos produtores
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