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Sindicom faz avaliação do mercado de etanol em 2012

graf-sindicom05-preco-produtor-bombaSindicom apresenta o desempenho do mercado de etanol em relação aos outros combustíveis, à economia e ao nível de consumo brasileiro
NovaCana 6 min de leitura
O Sindicom compilou, elaborou e comparou uma série de índices que envolvem diretamente o setor de etanol. Os números revelam, entre outros dados, o comportamento do consumo nos últimos anos e evidenciam o descompasso entre desenvolvimento econômico, mercado potencial e consumo final de etanol no país.

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E ainda:
- Participação das distribuidoras na venda de hidratado
- Comparativo de preço do etanol hidratado na bomba: mês a mês dos últimos 4 anos
- Evolução das motos flex, elétricas e a gasolina
- Comparativo entre a renda e o mercado do ciclo otto
- Frota flex X volume de etanol vendido
- Evolução das vendas de etanol em relação aos demais combustíveis
- Comparativo entre o preço produtor e preço bomba dos últimos dois anos
- Comparativo das variações: 2011 x 2012

Em publicação que foca nos resultados das empresas distribuidoras e nas revendas de combustível no país, o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom) oferece um apanhado de índices que servem ao setor de etanol. Os números compilados pela entidade no Anuário 2013 revelam, entre outros dados, o comportamento do consumo nos últimos anos e evidenciam o descompasso entre desenvolvimento econômico, mercado potencial e consumo final de etanol no país.

Na última década, a ascensão de uma grande faixa da população mais pobre engrossou a classe C e deu a essa população um passaporte para o consumo com forte influência sobre a demanda por combustível. Na análise apresentada pela entidade, é considerada a classificação do Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, sendo a classe C formada por famílias com rendimento mensal entre R$ 1.126,00 e R$ 4.854,00. "Em 2014, serão 118 milhões de pessoas na classe C. Um crescimento de 79,1% [ante 2003] e um crescimento de participação de 22,6 pontos percentuais, totalizando 60,2%", prevê.

Entre 2001 e 2009 o licenciamento de carros novos dobrou e, desde 2008, os carros flex representam mais de 90% do total das vendas, enquanto o consumo de hidratado despencou a partir de 2009.

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Mais flex, menos etanol

O ambiente propício para a demanda de combustíveis de ciclo Otto, influenciado pela desoneração do IPI na comercialização de veículos, puxou o resultado crescente do volume total destes combustíveis, considerados gasolina C, etanol hidratado e gás natural veicular (GNV). De acordo com o Sindicom, juntos, em gasolina equivalente, os três produtos tiveram o consumo elevado em 6,6% no ano passado, o que significa um "crescimento da demanda em proporção bem superior a evolução da economia". No entanto, o aumento encobre o conhecido encolhimento da participação do etanol hidratado em 9,2%, e também do GNV, que teve queda de 1,5%.

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"O bom resultado de 2012 foi puxado pela procura por gasolina, que registrou aumento de 11,9%, seguido pela demanda por diesel, ampliada em 7,0%. A dianteira desses dois combustíveis expressa uma situação de crescimento desigual do mercado, condicionada pelo comportamento diferenciado dos vários setores da economia", explica a publicação.  Em volume, o etanol hidratado encolheu sua participação no mercado em um bilhão de litros, indo de 10,9 para 9,9 bilhões de litros na análise dos dois últimos anos.

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O sindicato analisa que o grande número de licenciamentos de veículos bicombustíveis nos últimos anos, que hoje fazem dos veículos flex a maior parte da frota nacional, não tem sido "fator relevante para as vendas de etanol hidratado, que não tem mantido paridade favorável, de até 70%, em relação ao preço da gasolina". Com preços desfavoráveis durante grande parte de 2012 na maioria das regiões do país, "a participação do etanol hidratado no ciclo Otto caiu de 22,3%, em 2011, para 19,0%, em 2012. Ao mesmo tempo, a da gasolina subiu de 73,5% para 77,2%".

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Em comparação, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,9%. Essa incongruência entre a baixa atividade econômica e o crescimento significativo do consumo de combustíveis, que deveria servir como "termômetro da situação da economia", já havia sido criticado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no início de junho em relação à gasolina. O relatório do TCU colocou que essa diferença está ligada as políticas de redução de impostos no setor automotivo e aos preços dos combustíveis mantidos de forma artificial.

Consumo de etanol

Se comparado ao resultado de 2009, ano de pico no consumo de biocombustível, quando se registrou a venda 16,5 bilhões de litros de etanol, o número do ano passado é 40% menor. O desempenho se assemelha ao volume de hidratado comercializado ainda em 2007. Isso mostra que a estabilidade econômica, a melhora da distribuição de renda com a entrada de um número significativo da população no mundo do consumo permitiu a muitos setores nacionais um cenário promissor mesmo após a crise mundial em 2008, mas essa melhora não chegou ao setor sucroenergético.

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Os argumentos da Unica

Na análise sobre a comercialização de etanol em 2012, o Sindicom apresenta os argumentos da Unica para a retração do consumo de hidratado, apesar da frota flex fuel ter superado em tamanho a de veículos movidos exclusivamente à gasolina em 2011. A avaliação relaciona a ausência de competitividade dos preços, com a queda da produção de hidratado pelas usinas e alta dos custos. "Essa freada na atividade das usinas é explicada pela Unica com quatro razões".

Curiosamente, as razões não estão claramente atreladas à política governamental, embora se argumente a redução de 25% para 20% da mistura de anidro à gasolina, "em que pese o aumento da demanda por esse combustível", entre os fatores de influência. São citados também os baixos investimentos em novas plantas, a alta dos custos de produção e as chuvas em maio e junho de 2012, "que dificultaram a colheita e afetaram de forma severa a qualidade da cana".

Pelo apresentado, ficou de fora a opção federal por adotar uma precificação artificialmente baixa para a gasolina. A política deletéria para o etanol, na medida em que dificulta a concorrência do biocombustível na paridade de no máximo 70% o preço da gasolina, tem sido uma das principais brigas do setor.

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Veja o anuário na íntegra aqui (.pdf).

Amanda SchArr - NovaCana
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