Em sete anos a empresa ampliou sua participação de mercado junto às usinas de zero para cerca de 20 a 30%
Mesmo tendo uma atuação que pode ser considerada discreta no setor elétrico – nos últimos dez meses 184 usinas exportaram energia para o sistema nacional – a indústria sucroalcooleira tem despertado a atenção de multinacionais como a Siemens, que veem na cogeração a partir da biomassa da cana-de-açúcar um importante mercado.
A empresa, que nos últimos sete anos ampliou sua participação de mercado junto às usinas de zero para cerca de 20 a 30%, quer mais.
Mesmo tendo uma atuação que pode ser considerada discreta no setor elétrico – nos últimos dez meses 184 usinas exportaram energia para o sistema nacional – a indústria sucroalcooleira tem despertado a atenção de multinacionais como a Siemens, que veem na cogeração a partir da biomassa da cana-de-açúcar um importante mercado.
Líder mundial no segmento de turbinas a vapor, com aplicações que atendem
a diferentes indústrias, como a química, a petroquímica e a de açúcar e etanol, o conglomerado alemão aposta no potencial de expansão da bioeletricidade no Brasil.
Em sete anos, a empresa ampliou sua participação de mercado junto às usinas de zero para cerca de 20 a 30%.
“A cada ano fornecemos uma média de 15 a 25 máquinas para o setor sucroalcooleiro”, disse ao portal NovaCana o gerente de vendas de turbinas da Siemens, Márcio Campos, após o encerramento do 5o Seminário de Bioeletricidade, realizado na semana passada em Sertãozinho (SP). O evento foi promovido pelo Ceise Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis) em parceria com a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
Para Campos, o setor sucroenergético é visto como estratégico para a divisão Energy da Siemens, responsável pela fabricação das turbinas. Só no ano passado, a Siemens Energy registrou receitas de R$ 5,4 bilhões no Brasil. A unidade de negócio é a de maior representatividade para a multinacional, e no Brasil responde por 40% do faturamento da companhia.
O executivo preferiu não mencionar detalhes sobre qual seria a fatia do setor canavieiro na receita da Siemens, mas disse que o mercado é, sem dúvida, uma das maiores apostas do grupo.
“Se não for o maior, é um dos maiores potenciais que vemos no país no setor [elétrico], até pelo número de unidades que a gente tem”, aponta Campos.
Retração
O executivo explica que em 2014 houve uma retração nos investimentos por parte das usinas. Mesmo assim, “há projetos acontecendo e as usinas não têm deixado de investir naquilo que tem trazido rentabilidade ao setor”.
O mais recente e ousado projeto da Siemens no Brasil foi o fornecimento da maior turbina de vapor já fabricada no país para o setor sucroalcooleiro. O equipamento fornecerá 73,4 megawatts (MW) de potência à uma das principais plantas da Usina Delta, do grupo de mesmo nome, e será o primeiro a dispensar o uso do redutor com acionamento direto para o gerador. A turbina está sendo fabricada no complexo industrial da Siemens em Jundiaí (SP) e deverá entrar em operação no final de 2015.
A medida em que busca abocanhar projetos maiores, a alemã também aposta num produto competitivo e de custo reduzido.
Considerando uma usina base com geração total de 70 MW e exportação de 40 MW, o custo do equipamento representa menos de 5% da receita total desta usina com a venda de energia.
Outros fatores também podem potencializar os ganhos do setor com cogeração. “Um aumento de 3% na eficiência da turbina é suficiente para gerar uma receita adicional de 20 milhões de reais em 20 anos”, comparou Campos em sua palestra.

No auditório do Centro Empresarial Zanini, em Sertãozinho, Campos não mencionou quantas e que usinas a Siemens atende, mas durante a apresentação, o executivo mencionou alguns projetos que se valem das soluções que a empresa oferece para o setor de açúcar e etanol.
Com potências que variam de 25 MW a 43 MW, como é o caso das usinas Santa Cruz e Colorado, a Siemens já forneceu o produto à empresas como a Açucareira Zilo Lorenzetti, Açucareira Quatá, Agroindustrial Paramonga, Destilaria Roneiros, Usina Santa Vitória, Cosan Jataí, Usina Pedra, Agroindustrial Campo Lindo e Açúcar Guarani.
“Estamos num market share crescente”, diz o executivo da Siemens, que afirma que a capacidade média dos projetos que a alemã atende no Brasil está na faixa de 20-50 MW.
Além da turbina que está sendo fabricada para a Usina Delta, em Minas Gerais, a Siemens também forneceu o equipamento à usina Ingenio Magdalena, na Guatemala, que tem uma produção de 62,4 MW.
Confiante numa expansão da capacidade instalada de cogeração a partir da cana-de-açúcar, Santos acredita que a Siemens está preparada para atender as demandas do setor de açúcar e etanol e que a indústria deverá ampliar sua potência.
“O setor tem caminhado para isso. Automaticamente, a gente tem trazido tecnologias para abastecer o mercado com soluções nacionais e competitivas”, conclui.
As apresentações do evento estão disponíveis abaixo:
Maximizando resultados - Siemens
Riscos e oportunidades - Studio Energia
Eficiência e otimização em plantas industriais - MCE Engenharia
Leonardo Siqueira – NovaCana