O setor sucroenergético precisa de medidas que garantam sua sustentabilidade no longo prazo, afirmou na segunda-feira, 26, o presidente da Datagro, Plinio Nastari, no dia seguinte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato.
Segundo ele, o resultado eleitoral não altera a necessidade de o governo tratar das questões que afetam o segmento, dada sua importância para a economia brasileira.
“Tem que haver uma preocupação com sustentabilidade de longo prazo”, disse Nastari, nos bastidores da 26ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo (SP).
Nastari citou que o setor sofre com os efeitos de intervenções no mercado de combustíveis, para evitar alta expressiva do preço da gasolina, que vêm se prolongando diante da continuidade do conflito no Oriente Médio.
Ele ressaltou que as medidas partiram do pressuposto de que a guerra teria curta duração. Nesse cenário, defendeu equilíbrio nas políticas para evitar distorções de mercado e dificuldades financeiras para as usinas.
Para o executivo, há risco de usinas produtoras de etanol enfrentarem dificuldades financeiras em decorrência de medidas que distorcem o mercado. “Qualquer governo que estivesse assumindo ia ter que olhar isso”, acrescentou, ao avaliar que a importância econômica do setor impede que suas demandas sejam desconsideradas pela administração federal.
Nastari também defendeu avanços na política de biocombustíveis. Ele lembrou que a implementação da mistura obrigatória de biodiesel está atrasada, enquanto, na sua visão, o etanol brasileiro precisa de maior apoio governamental para ampliar o acesso a mercados internacionais.
Nesse sentido, citou a preparação do Japão para implementar o uso do combustível e ressaltou a importância de o Brasil se posicionar para atender à demanda global. O executivo também destacou o potencial do etanol para a navegação marítima e a relevância do trabalho desenvolvido pela Marinha para viabilizar esse mercado.
Para que o segmento avance, contudo, serão necessários investimentos em infraestrutura, avaliou Nastari. “Nós estamos ainda atrasados na infraestrutura. Há muita coisa para ser feita”, afirmou.
Leandro Silveira