Sócio da consultoria, Juliano Merlotto afirma que companhias estão alongando dívidas e melhorando sua liquidez
No começo do ano, a Fitch Ratings apontou que 2023 seria um ano com boa geração de caixa e menor alavancagem para as sucroenergéticas. Com uma perspectiva “neutra” para o setor, a agência de classificação de risco listou dez pontos de atenção, incluindo a presença de uma maior disponibilidade de fontes para financiamento.
Pensando neste cenário, o painel “Perfil financeiro das sucroenergéticas”, apresentado na sexta edição da Conferência NovaCana, trouxe especialistas do setor para discutir o atual momento do setor e quais seriam os próximos passos para as sucroenergéticas.
Em sua apresentação, o sócio da FG/A, Juliano Merlotto, fez uma leitura da evolução no setor entre as safras 2021/22 e 2022/23. Além disso, o executivo também trouxe a sua visão de como as companhias podem avançar na temporada corrente.
A FG/A mapeou 47 grupos do setor, que juntos chegam a 60% da moagem total vista no Centro-Sul; ou seja, das 548 milhões de toneladas processadas na safra anterior, 331 milhões de toneladas vieram deste conjunto. Dentro desta amostra, houve um avanço de cerca de 5% em relação ao ciclo 2021/22, segundo o executivo.
No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, você confere mais detalhes sobre as mudanças econômicas vividas pelo setor entre as duas últimas temporadas e ainda o que esperar para o final da safra 2023/24 e as próximas.
No começo do ano, a Fitch Ratings apontou que 2023 seria um ano com boa geração de caixa e menor alavancagem para as sucroenergéticas. Com uma perspectiva “neutra” para o setor, a agência de classificação de risco listou dez pontos de atenção, incluindo a presença de uma maior disponibilidade de fontes para financiamento.
Pensando neste cenário, o painel “Perfil financeiro das sucroenergéticas”, apresentado na sexta edição da Conferência NovaCana, trouxe especialistas do setor para discutir o atual momento do setor e quais seriam os próximos passos para as sucroenergéticas.
Em sua apresentação, o sócio da FG/A, Juliano Merlotto, fez uma leitura da evolução no setor entre as safras 2021/22 e 2022/23. Além disso, o executivo também trouxe a sua visão de como as companhias podem avançar na temporada corrente.
A FG/A mapeou 47 grupos do setor, que juntos chegam a 60% da moagem total vista no Centro-Sul; ou seja, das 548 milhões de toneladas processadas na safra anterior, 331 milhões de toneladas vieram deste conjunto. Dentro desta amostra, houve um avanço de cerca de 5% em relação ao ciclo 2021/22, segundo o executivo.
Contexto financeiro do setor
O executivo observa que houve, em média – e, principalmente devido aos preços elevados do açúcar –, um aumento de 7% nas receitas por tonelada. Nos cálculos da FG/A, as usinas faturaram cerca de R$ 267 por tonelada em 2021/22, e totalizaram R$ 286/t na última temporada.
Merlotto explica que, em 2021/22, boa parte das usinas fixou contratos de compra de açúcar, não conseguindo captar toda a escalada dos preços. Em 2022/23, por outro lado, foi possível captar, ainda que parcialmente, estes valores.
De acordo com a FG/A, o adoçante foi fixado por cerca de R$ 1.900 por tonelada no ciclo 2022/23, enquanto na temporada atual os preços variaram entre R$ 2.300/t e R$ 2.500/t, com produção máxima voltada à commodity.
“Do ponto de vista de receita, o setor deve experimentar, provavelmente, um aumento de faturamento por tonelada até março de 2024”, aponta Merlotto. Segundo ele, esta é a boa notícia para as companhias.
Por outro lado, os custos também aumentaram neste período, em especial com insumos, fertilizantes e combustíveis. Desta forma, segundo Merlotto, as margens de lucro caíram, mesmo com o maior preço dos produtos.
De acordo com a FG/A, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) por tonelada recuou de R$ 136/t, para R$ 123/t, enquanto a margem Ebitda retraiu seis pontos percentuais, para 38%. “Do ponto de vista relativo, a margem Ebitda cai um pouco menos porque teve um aumento de moagem”, explica o executivo.
A menor geração de caixa refletiu também na alavancagem do setor, que subiu cerca de 20%, explica o sócio da FG/A. Na safra 2022/23, a média da relação entre a dívida líquida pelo Ebitda foi de 1,27 vez.
Em termos de endividamento, por outro lado, ele aponta que o setor saiu de R$ 111/t para R$ 121/t, alta de 9%. O executivo considera que, com uma moagem maior na safra 2023/24, a dívida terá um retorno rápido.
De forma geral, Merlotto enxerga que houve uma melhora no faturamento do setor, ainda que com uma compressão das margens devido aos altos custos de produção. Mas, explica ele, o mercado de capitais possibilitou o alongamento das dívidas, o que trouxe tranquilidade para as sucroenergéticas.
Liquidez e mercado financeiro
Entre as temporadas 2021/22 e 2022/23, as sucroenergéticas registraram melhoras nos níveis de liquidez. De acordo com Merlotto, entre os dois últimos ciclos, esta foi a maior novidade para o setor.
“Apesar da economia ainda estar engatinhando e ter alguns problemas financeiros, inclusive de crédito, a liquidez das companhias melhorou significativamente”, declara.
Na média, segundo o sócio da FG/A, houve um aumento de 8% no indicador, saindo de 1,78 vez em 2021/22, para 1,91 vez em 2022/23. No mesmo recorte de tempo, a relação entre o caixa e a dívida de curto prazo ficou em 3,22 vezes, acréscimo anual de 11%. De acordo com a consultoria, as companhias aproveitaram esse momento de liquidez, com a escalada do preço do açúcar, e a evolução do mercado de capitais.
Desta forma, explica Merlotto, o setor tende a ficar mais resiliente a futuros períodos de baixa do ponto de vista de crédito. Ele aponta que este foi um grande aprendizado para as usinas, que estão aproveitando o momento para alongar suas dívidas.
Ele ainda cita que, atualmente, as sucroenergéticas são responsáveis por cerca de 30% dos estoques de certificados recebíveis do agronegócio (CRAs). O sócio da FG/A indica que o setor captou quase R$ 30 bilhões no mercado de capitais, o equivalente a quase 30% da dívida do setor.
Além disso, os fundos de investimento do agronegócio (Fiagros) também deram impulso para as empresas de açúcar e etanol no mercado de capitais. Segundo Merlotto, a demanda por esses fundos aumentou por serem, em sua maioria, fechados e listados, possibilitando uma captação mais longa.
Merlotto ainda declara que o mercado de capitais vai continuar trazendo oportunidades para as companhias: “Acho que o setor bancário está confortável com o sucroenergético e, do ponto de vista de crédito, as usinas deveriam estar aproveitando esse momento para fazer tomadas mais longas”.
Próxima safra
A FG/A acredita que a moagem na safra 2023/24 do Centro-Sul pode ultrapassar as 600 milhões de toneladas, podendo chegar a 630 milhões de toneladas. A consultoria espera, também, uma melhora no faturamento das companhias, principalmente devido ao aumento do preço do açúcar nos contratos fixos.
Do lado dos custos, Merlotto aponta que os investimentos em canaviais vão entrar em uma normalidade, com valores mais baixos. Além disso, a chuva atrasou o plantio e a FG/A aponta que, um cultivo menor pode possibilitar uma desalavancagem do setor.
“Nossa visão é de que vai haver uma desalavancagem”, informa Merlotto. Ele ainda aponta que algumas companhias podem experimentar uma maior alavancagem ao investirem na produção de açúcar, porém, isso pode não refletir na média do setor de forma significativa.
Ele também acredita que, daqui para frente, haverá uma diluição dos custos fixos, com o aumento da moagem trazendo um cenário benéfico para o setor sucroenergético. Segundo Merlotto, considerando uma redução dos custos financeiros e uma queda na taxa básica de juros, as companhias podem ver até mesmo uma diminuição dos casos de recuperação judicial.
Giully Regina – NovaCana