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O setor sucroenergético em meio a 25 setores: Desempenho em 2019 foi abaixo da média

Oito indicadores econômico-financeiros trazem o desempenho das maiores companhias do país; sucroenergéticas ficaram abaixo da média em sete

NovaCana 14 min de leitura

O ano de 2019 foi considerado benéfico para o setor sucroenergético, com bons desempenhos nas vendas, produção e consumo recordes de etanol e melhora em indicadores financeiros. Porém, analisando as empresas de açúcar e etanol lado a lado com outros setores da economia nem sempre os resultados são tão favoráveis.

O NovaCana já havia trazido o desempenho das dez melhores companhias do setor e das 36 maiores sucroenergéticas em 2019 – as primeiras, ranqueadas de acordo com oito indicadores, gerando uma pontuação final, e as segundas classificadas conforme a sua receita líquida. Ambas as reportagens se referem aos dados apresentados, anualmente, pela publicação Valor 1.000, do Valor Econômico, que elenca as mil maiores empresas brasileiras.

Considerando a média das 36 maiores do setor em 2019, houve prejuízo líquido e endividamento mais elevados que em 2018, mas os resultados de receita líquida e Ebitda foram mais favoráveis no mesmo comparativo.

Já observando oito critérios econômico-financeiros e uma comparação com outros 24 setores da economia, essa elite sucroenergética perdeu posição em quatro indicadores entre 2018 e 2019. Ao mesmo tempo, houve melhora em quatro deles – um a mais do que um ano antes, quando o incremento foi em três itens.

Por sua vez, em relação à média das mil maiores empresas do país, o setor de açúcar e etanol ficou abaixo da linha em sete dos oito critérios, tendo desempenho acima da média geral somente na margem Ebitda (que relaciona a receita líquida com o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Em 2018, a elite do setor havia superado a média em três critérios.

As sucroenergéticas presentes na análise referente a 2019 são (em ordem alfabética): Adecoagro, Atvos, Balbo, Barralcool, Bazan, Bevap Bioenergia, Biosev, Caeté, Cerradinho, Clealco, CMAA, Colombo, Copersucar, Coruripe, Da Mata, Delta Sucroenergia, Ferrari, Goiasa, Ipiranga Agroindustrial, Jalles Machado, Lincoln Junqueira, Maringá, Melhoramentos, Nardini, Olho D'Água, Santa Adélia, Santa Fé, Santa Isabel, Santa Terezinha, São João, São Manoel, São Martinho, SJC Bioenergia, Tereos Internacional, Usina da Pedra e Zilor.

Confira, na versão completa (para assinantes), o desempenho do setor sucroenergético nos oito critérios avaliados além do histórico das médias dos últimos seis anos, tanto das empresas de açúcar álcool quanto das mil maiores.

O ano de 2019 foi considerado benéfico para o setor sucroenergético, com bons desempenhos nas vendas, produção e consumo recordes de etanol e melhora em indicadores financeiros. Porém, analisando as empresas de açúcar e etanol lado a lado com outros setores da economia nem sempre os resultados são tão favoráveis.

O NovaCana já havia trazido o desempenho das dez melhores companhias do setor e das 36 maiores sucroenergéticas em 2019 – as primeiras, ranqueadas de acordo com oito indicadores, gerando uma pontuação final, e as segundas classificadas conforme a sua receita líquida. Ambas as reportagens se referem aos dados apresentados, anualmente, pela publicação Valor 1.000, do Valor Econômico, que elenca as mil maiores empresas brasileiras.

Considerando a média das 36 maiores do setor em 2019, houve prejuízo líquido e endividamento mais elevados que em 2018, mas os resultados de receita líquida e Ebitda foram mais favoráveis no mesmo comparativo.

Já observando oito critérios econômico-financeiros e uma comparação com outros 24 setores da economia, essa elite sucroenergética perdeu posição em quatro indicadores entre 2018 e 2019. Ao mesmo tempo, houve melhora em quatro deles – um a mais do que um ano antes, quando o incremento foi em três itens.

Por sua vez, em relação à média das mil maiores empresas do país, o setor de açúcar e etanol ficou abaixo da linha em sete dos oito critérios, tendo desempenho acima da média geral somente na margem Ebitda (que relaciona a receita líquida com o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Em 2018, a elite do setor havia superado a média em três critérios.

As sucroenergéticas presentes na análise referente a 2019 são (em ordem alfabética): Adecoagro, Atvos, Balbo, Barralcool, Bazan, Bevap Bioenergia, Biosev, Caeté, Cerradinho, Clealco, CMAA, Colombo, Copersucar, Coruripe, Da Mata, Delta Sucroenergia, Ferrari, Goiasa, Ipiranga Agroindustrial, Jalles Machado, Lincoln Junqueira, Maringá, Melhoramentos, Nardini, Olho D'Água, Santa Adélia, Santa Fé, Santa Isabel, Santa Terezinha, São João, São Manoel, São Martinho, SJC Bioenergia, Tereos Internacional, Usina da Pedra e Zilor.

Valor 19 setorial empresas

Dos 25 setores, o sucroenergético é o 11º com o maior número de empresas representantes – ainda assim, entre 2018 e 2019, houve uma redução de três companhias.

O comércio varejista é o com maior número de empresas dentre as mil maiores, chegando a 107 em 2019, cinco a mais do que um ano antes. Na sequência, alimentos e bebidas e transporte e logística tiveram 76 e 74 companhias, respectivamente. Enquanto o primeiro manteve a quantidade de um ano antes, o segundo aumentou em cinco empresas.

O setor com a maior redução de companhias dentre as mil listadas foi comércio atacadista e exterior, com seis a menos. No total, dez setores tiveram aumento no número de empresas, quatro registraram estabilidade e 11, reduções.

Receita líquida: a melhor da série histórica

A receita líquida pode ser considerada como um dos dados mais importantes do levantamento, já que é o resultado que classifica as mil companhias e o critério de maior peso para a análise das melhores de cada setor.

Os números, dados pelo resultado operacional das companhias, já com a dedução de impostos, descontos e devoluções, das 36 maiores empresas do setor de açúcar e etanol já foram apresentados pelo NovaCana.

Na média, o resultado das sucroenergéticas em 2019 foi de R$ 2,49 bilhões. O valor está 6,21% acima do de 2018, quando as vendas líquidas somaram R$ 2,34 bilhões, e é o melhor desde o início da série histórica, em 2011.

Ainda assim, o número está longe da média das mil maiores, que foi de R$ 4,32 bilhões. O resultado geral, aliás, aumentou 8,65% no comparativo com um ano antes, já que somente três setores tiveram variação negativa, e nove deles reportaram aumentos superiores a 10% entre os dois últimos anos.

Valor 19 setorial receita variacao

Com esse cenário, ainda que tenha apresentado uma melhoria no desempenho, o conjunto de empresas de açúcar e etanol perdeu duas posições no comparativo com 2018, passando da 12ª para a 14ª colocação no ranking entre setores.

De modo geral, a ordenação pouco se modificou ante 2018, mas os setores de eletroeletrônica e de transporte e logística passaram as sucroenergéticas, com variações anuais positivas de 27,62% e 11,28%, respectivamente.

Valor 19 setorial receita

Desde 2017, a receita líquida média das mil maiores empresas do país vem registrando crescimentos, enquanto a das sucroenergéticas apresenta relativa estabilidade desde 2016.

Margem Ebitda: desempenho acima da média

O único indicador em que o setor sucroenergético teve um desempenho melhor do que a média das mil maiores companhias foi na margem Ebitda, evidenciando um aumento na rentabilidade operacional das usinas.

O índice é o percentual obtido pela divisão do valor do Ebitda pelo valor da receita líquida, em porcentagem. Assim, ele compara companhias de diferentes tamanhos em relação a sua capacidade de lucrar, embora não leve em conta fatores como diferentes necessidades de pagamento de juros ou taxações que cada setor possa ter.

Em 2019, as sucroenergéticas apresentaram um aumento de 22,66% na margem Ebitda no comparativo com o ano anterior. O resultado de 24,9% rendeu ao setor a sétima colocação entre 25 setores da economia, tendo ganhado duas posições no comparativo com 2018.

Com, as empresas de açúcar e etanol superaram o setor de metalúrgica e mineração, que reduziu sua margem Ebitda em 41,32%, além dos de petróleo e gás, (+18,66%) e serviços especializados (+1,65%), que reportaram aumentos inferiores. Entretanto, o setor de empreendimentos imobiliários também cresceu, em 39,39%, fazendo com que as sucroenergéticas ganhassem duas colocações e não três.

O sucroenergético também foi o setor que teve o quarto maior aumento percentual entre os dois anos, atrás de educação e ensino, empreendimentos imobiliários e eletroeletrônica.

Valor 19 setorial margem ebitda

Considerando o resultado médio de todas as companhias da listagem, a margem Ebitda foi de 18,7% em 2019, representando aumento anual de 2,19% e demonstrando relativa estabilidade ante 2018, ainda que o resultado venha melhorando desde 2016. Para o setor sucroenergético, este é o terceiro ano consecutivo de aumento no indicador.

Valor 19 setorial margem ebitda variacao

Margem da atividade: maior aumento

Também apresentada em porcentagem, a margem da atividade é expressa pela divisão do lucro ou prejuízo operacional (sem o resultado líquido das transações financeiras) pelo total da receita líquida. O objetivo é demonstrar a capacidade da companhia em lucrar com seus produtos e serviços, considerando aspectos ignorados pela margem Ebitda.

Neste indicador, o setor sucroenergético apresentou melhoria anual de 26,79%, o maior aumento percentual dentre os oito quesitos. Com isso, a margem da atividade foi de 7,1% em 2019, rendendo ao setor a 14ª colocação – um ano antes, ele estava na 17ª. Além disso, este foi o segundo aumento consecutivo nesse quesito.

Assim, as maiores empresas do setor de açúcar e etanol superaram as áreas de alimentos e bebidas (+14,75), plásticos e borracha (-30,86%), além de química e petroquímica (-69,15%).

Valor 19 setorial margem atividade

No ano passado, a margem de atividade média das mil maiores empresas do país ficou em 8,9%. O valor representa uma redução de 15,24% entre os dois últimos anos, quebrando a tendência de aumento vista entre 2016 e 2018.

Valor 19 setorial margem atividade variacao

Liquidez corrente: último colocado

O pior desempenho do setor sucroenergético em 2019 foi no indicador de liquidez corrente, tendo ficado em último no ranking que compara os setores – um ano antes, ele ocupava a 10ª posição, perdendo, portanto, 15 colocações.

O indicador é dado pela divisão entre o valor do ativo circulante (bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro no curto prazo) e do passivo circulante (obrigações que devem ser quitadas também em curto prazo, como dívidas e empréstimos), com o resultado sendo apresentado em pontos.

Assim, qualquer resultado acima de 1 indica que há mais recursos disponíveis ou a receber em um prazo de até um ano do que obrigações de pagamento no mesmo período. Quando o indicador está abaixo de 1, significa o contrário.

Este segundo caso foi o que aconteceu com o setor sucroenergético em 2019, com resultado de 0,82 ponto – 50% inferior ao 1,64 ponto de um ano antes. Esta também foi a maior redução percentual anual dentre os 25 setores.

Valor 19 setorial liquidez

Consequentemente, as empresas de açúcar e etanol ficaram bem abaixo da média das mil maiores, que foi de 1,26 ponto. Ainda que bem menos significativa, ela também sofreu uma retração, de 6,67%. Além das sucroenergéticas, outros dez setores reportaram redução no indicador entre os dois levantamentos.

O setor havia emplacado três anos seguidos com resultados acima de 1, entre 2016 e 2018, ficando inclusive acima da média das mil maiores empresas em 2017 e 2018.

Valor 19 setorial liquidez variacao

Giro de ativo: maior queda percentual

Após um resultado excepcional no quesito em 2019, as sucroenergéticas apresentaram uma redução anual de 65,5% no seu giro de ativo, que caiu para 0,59 ponto. Esta foi a diminuição percentual mais acentuada do setor dentre os oito quesitos. Com isso, perdeu 13 colocações – da 2ª para a 15ª – no comparativo com o ano anterior.

O índice demonstra o aproveitamento dos ativos no exercício por meio da divisão da receita líquida pelo total do ativo. Desse modo, o resultado das sucroenergéticas demostrou uma redução na capacidade de gerar faturamento conforme os tamanhos das empresas, o que pode resultar em certo aperto financeiro.

Ainda assim, o resultado médio das mil maiores companhias não foi muito diferente, ficando em 0,60 ponto – neste caso, a redução anual foi de 3,23%. Isso ocorreu porque 14 setores tiveram retração neste indicador, além de outros três terem mantido o valor de 2018. Com isso, somente oito setores apresentaram aumentos no mesmo comparativo.

Valor 19 setorial giro

Historicamente, a média geral variou entre 0,59 e 0,62 ponto nos últimos seis anos. Já o desempenho das sucroenergéticas foi de 0,77 ponto por dois anos consecutivos, ascendendo em 2018 para 1,71 ponto, até a queda para 0,59 ponto de 2019.

Valor 19 setorial giro variacao

Rentabilidade patrimonial: estabilidade

Outro indicador em que as maiores sucroenergéticas também ficaram abaixo da média geral foi o de rentabilidade patrimonial. Este valor apresenta a relação entre o resultado líquido e o patrimônio líquido e é expresso em porcentagem. Assim, ele demonstra o quanto a empresa é capaz de lucrar no comparativo com o seu tamanho.

No ranking entre os setores, as companhias de açúcar e etanol permaneceram na mesma posição vista em 2018: a 20ª. Ainda assim, sofreram uma queda anual de 16% no indicador, a terceira consecutiva, enquanto a média geral caiu 3%. No total, 14 setores reportaram uma redução anual no índice.

Valor 19 setorial rentabilidade

Neste quesito, as áreas com os melhores resultados foram as de eletroeletrônica e comércio atacadista e exterior. A primeira teve variação percentual de 87,32% e a segunda de 22,70% no comparativo com 2018.

Ainda que o resultado do setor sucroenergético tenha se agravado entre as duas últimas análises, é preciso lembrar que o desempenho já foi pior – chegando a ficar negativo em 2014. Por outro lado, em 2016, as companhias atingiram uma rentabilidade média de 13,9%, valor bastante favorável considerando o comparativo com 2019, quando o resultado foi de 4,2%.

Valor 19 setorial rentabilidade variacao

Cobertura de juros: piora no desempenho

Por meio da divisão do Ebitda pelas despesas financeiras é possível obter o indicador de cobertura de juros. Com este dado, apresentado em pontos, fica mais clara a capacidade das empresas em lidar com o pagamento dos juros de seus empréstimos e financiamentos.

Em setores com dívidas elevadas, como ocorre no sucroenergético, vale a pena atentar para esse indicador. Em 2019, a elite do setor teve um desempenho ainda pior do que no ano anterior, passando de 1,42 ponto para 1,04 ponto – queda de 26,76%. Com isso, também caiu quatro colocações no mesmo comparativo, ficando em 24º lugar em 2019.

Os setores de plásticos e borracha, veículos e peças, alimentos e bebidas e construção e engenharia ultrapassaram o setor sucroenergético, sendo que três deles aumentaram o indicador entre os dois anos e um reduziu.

Valor 19 setorial cobertura juros

As sucroenergética apresentaram a segunda queda consecutiva em cobertura de juros. Em oposição, as mil maiores empresas do país vêm demonstrando aumentos na média desde 2016.

No levantamento mais recente, o resultado geral foi de 2,07 pontos, 3,5% acima do registrado um ano antes. Esse cenário se efetivou, pois, dentre os 25 setores, somente nove apresentaram retrações no índice e um, manutenção. Das 15 variações positivas, a mais elevada foi a de construção e engenharia, com 163,06%.

Valor 19 setorial cobertura juros variacao

Crescimento sustentável

De forma geral, o ideal é que a receita de uma companhia cresça de forma congruente com o patrimônio. É justamente isso que o crescimento sustentável mede.

Este indicador é obtido pela divisão do percentual de aumento da receita líquida pelo percentual de aumento do patrimônio líquido ajustado e, quanto mais próximo de 1, melhor o resultado. Isso ocorre porque o índice demonstra que ambos os indicadores cresceram proporcionalmente, apontando que a empresa aproveitou tanto o potencial patrimonial para aumentar a receita quanto o inverso.

Em 2019, o setor sucroenergético apresentou uma melhoria no desempenho neste quesito, reportando 0,9581 ponto – um resultado mais próximo de 1 do que o 0,9130 ponto de 2018.

Já a média das mil maiores empresas foi de 0,9658 ponto – mais distante de 1 do que um ano antes. Ainda assim, o resultado das empresas do setor de açúcar e etanol ficou abaixo da média geral.

Valor 19 setorial crescimento

A melhoria no indicador, contudo, fez com que as sucroenergéticas ficassem na 10ª colocação, sendo que um ano antes ficaram em 18º lugar. Historicamente, os resultados têm sido razoavelmente próximos da média geral das mil maiores companhias.

Valor 19 setorial crescimento variacao

NovaCana DATA

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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