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Sete empresas lançam declaração por estudos sobre combustível em navios

Sete empresas, entre elas a Maersk, divulgaram declaraçãoapontando caminhos para o uso do etanol como combustível no transporte marítimo

Agência iNFRA 4 min de leitura

Sete empresas, entre elas a gigante de navegação Maersk, divulgaram uma declaração conjunta nesta segunda-feira, 20, apontando caminhos para o uso do etanol como combustível no transporte marítimo.

No documento, as companhias dizem apoiar trabalhos adicionais na Organização Marítima Internacional (IMO), órgão da ONU, para examinar a compatibilidade de segurança do etanol com a tecnologia de motores marítimos, a concorrência de matéria-prima, o ciclo de vida e a certificação.

“Uma colaboração adicional entre produtores, usuários e reguladores de etanol será essencial para melhor entender seu papel no futuro cenário energético do setor”, diz a declaração assinada por Maersk, Everllance e os produtores de etanol Inpasa, FS, Raízen, Atvos e Copersucar.

No início do mês, a Maersk anunciou que está testando uma nova mistura de combustível a bordo do navio Laura Maersk, considerado seu “navio verde”. Há dois anos, a embarcação se tornou o primeiro navio porta-contêineres do mundo a navegar com metanol, segundo a empresa. Os testes atuais utilizam uma nova mistura de e-metanol com 10% de etanol.

No documento divulgado na segunda-feira, as empresas lembram que o etanol já é amplamente utilizado em outros setores de transporte, sendo um entre vários combustíveis alternativos que justificam uma avaliação técnica e regulatória mais aprofundada.

“Em muitos países, o etanol é extensivamente utilizado como aditivo de combustível ou combustível direto no transporte rodoviário. Para o transporte marítimo, a escala de produção existente do etanol é uma vantagem, e ele também poderia potencialmente fornecer uma terceira opção de combustível para motores de metanol de combustível duplo”, diz o texto.

Também de acordo com as companhias, testes recentes em bancada e em motores realizados por fabricantes indicaram a viabilidade técnica de abastecer esses motores com etanol.

Na declaração, as empresas ainda afirmam incentivar a abertura para examinar todas as vias de combustível de emissões reduzidas sob a Estratégia de GEE de 2023 da IMO, enquanto aguardam maior clareza sobre a adoção recentemente adiada da estrutura net-zero, “que é crítica para garantir a transição energética global para o transporte marítimo”.

“Uma regulamentação global robusta de combustíveis, ancorada em emissões de ciclo de vida, transparência e incentivos/penalidades aplicáveis, pode apoiar uma transição acelerada em todo o setor”, concluíram.

O vice-presidente de políticas públicas e regulatórias para a América Latina da A.P. Moller – Maersk, Danilo Veras, afirmou que o Brasil demonstra capacidade de produzir etanol de forma sustentável, com potencial de crescimento e atendendo “às mais rigorosas regras de certificação, o que é fundamental para a descarbonização global do setor”.

A declaração conjunta das empresas chega após a IMO, por decisão da maioria dos países integrantes, adiar em um ano a decisão sobre a criação de um preço global de carbono no transporte marítimo internacional. As negociações aconteceram em Londres na última semana.

Em abril, foi aprovada a criação da primeira taxa internacional de carbono voltada a embarcações, com o objetivo de estimular um padrão regulatório para reduzir as emissões no transporte marítimo. A previsão era de que, em outubro, os países selassem a previsão da cobrança, com implementação a partir de 2027.

Como mostrou a Agência Infra, a expectativa do Brasil era promover o uso de biocombustíveis como estratégia de descarbonização da navegação, articulando-se junto a outros países em desenvolvimento. A pressão dos Estados Unidos, contudo, resultou no adiamento das definições aguardadas pelo setor.

Na quinta-feira, 16, o presidente americano Donald Trump postou nas redes que estaria “indignado” com a votação que ocorreria na IMO. “Os Estados Unidos não aceitarão este imposto global verde e fraudulento sobre o transporte marítimo e não o aderirão de forma alguma”, disse Trump antes da decisão pelo adiamento.

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