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O seleto grupo das 29 usinas brasileiras que enviam etanol para a Califórnia

eua-exportacao-070214Conheça quem são as usinas, como funciona o mercado de exportação mais desejado do mundo e porque só os melhores conseguem acesso
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Com a perspectiva cada vez mais evidente de que os EUA reduzirão o mercado obrigatório de etanol, o estado da Califórnia passa a ganhar ainda mais importância para as usinas brasileiras. Com regras diferentes, o estado é a menina dos olhos dos produtores brasileiros.

O cobiçado mercado é também um dos mais inacessíveis do mundo. O portal NovaCana acessou a lista completa de usinas cadastradas na Califórnia e verificou que existem 113 unidades brasileiras que atendem ao Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono da Califórnia (Low Carbon Fuel Standard – LCFS). No entanto, a maior parte delas está com cadastro pendente e nunca enviou etanol para o estado.

O seleto grupo de usinas sem pendências é muito menor. O estado que possui um dos maiores mercados do mundo para o etanol é aproveitado por somente 29 das 381 usinas do Brasil.

E mais:
- O seleto grupo de usinas brasileiras cadastradas na Califórnia [lista completa]
- Como funciona, em detalhes, o cadastro das usinas brasileiras na Califórnia
- Os grupos que dominam as exportações para o estado norte-americano
- Califórnia possui seis diferentes classificações para o etanol brasileiro

Com a perspectiva cada vez mais evidente de que os EUA reduzirão o mercado obrigatório de etanol, o estado da Califórnia passa a ganhar ainda mais importância para as usinas brasileiras. Com regras diferentes, o estado é a menina dos olhos dos produtores brasileiros.

O cobiçado mercado é também um dos mais inacessíveis do mundo. O portal NovaCana acessou a lista completa de usinas cadastradas na Califórnia e verificou que existem 113 unidades brasileiras que atendem ao Padrão de Combustíveis de Baixo Carbono da Califórnia (Low Carbon Fuel Standard – LCFS). No entanto, a maior parte delas está com cadastro pendente e nunca enviou etanol para o estado.

O seleto grupo de usinas sem pendências é de apenas 29 usinas. Ou seja, o estado que possui um dos maiores mercados do mundo para o etanol é aproveitado por apenas uma de cada 13 usinas do Brasil.

Na Califórnia, o biocombustível de cana do Brasil é considerado uma das vias de conformidade mais rentáveis para as usinas, proporcionando um prêmio sobre as importações devido à baixa pegada de carbono. Tanto é que o estado representa 10% do consumo de gasolina nos Estados Unidos, mas absorveu 19% do etanol brasileiro, cerca de 2,5 bilhões de litros, enviado ao país em 2012.

Essa fatia, já significativa para as exportações brasileiras, pode ganhar mais importância com a redução do mandato anual de biocombustíveis proposta pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês). Como a Califórnia possui uma política específica, o estado deverá ampliar a participação do etanol de cana para cumprir suas metas de reduzir, a partir de 2011, em 10% as emissões de carbono no setor transporte até 2020.

Quem aproveita mais

A Copersucar, maior exportadora brasileira de açúcar e etanol faz jus ao título e lidera a lista de sucroalcooleiras cadastradas para enviar biocombustível à Califórnia. Das 113 usinas registradas na Califórnia, 39 são associadas da Copersucar e 18 dão unidades da Raízen, juntas as duas empresas respondem por 50% das usinas cadastradas.

Estes dois grupos, mesmo dominando o mercado, ainda possuem diversas unidades que, apesar de inscritas, ainda não completaram a última etapa de aprovação do cadastro que consiste no envio do etanol ao estado.

O rigoroso padrão ambiental

Para acessar o mercado californiano, as usinas brasileiras já habilitadas pela EPA precisam comprovar ao Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (California Air Resources Board - CARB), de acordo com as regras do LCFS, que a intensidade de carbono do etanol que produzem é ainda mais baixo do que o estabelecido pelo padrão nacional.

A intensidade de carbono é medida em gramas de dióxido carbono equivalentes (gCO2 e) por unidade de energia (MJ). Essa medida engloba todo o ciclo de vida de um combustível, desde a extração de matérias-primas, passando pela fabricação, transporte e consumo. Atualmente, ao etanol produzido no Brasil são atribuídas seis diferentes classificações (ETHS001 a ETHS006), com intensidades de carbono que variam de 58,40 e 78,94 gCO2e/MJ.

Como a cultura da cana-de-açúcar capta carbono e as usinas são autossuficientes em energia, a intensidade das emissões diretas pela produção, transporte e queima de etanol são pequenas, não ultrapassando 32,94 gCO2e/MJ.

O que mais pesa para o etanol brasileiro é o impacto das emissões relacionadas à mudanças no uso da terra e no uso indireto da terra, que é de 46 gCO2e/MJ, pelas regras do CARB. Embora o número seja por padrão aplicado ao biocombustível de cana brasileiro, uma iniciativa polêmica da Raízen pode resultar em um nova classificação de via para o "etanol de melaço", em que o impacto das mudanças no uso da terra é de apenas 13,54 gCO2e/MJ e totaliza, com as emissões diretas, não mais do que 14,93 gCO2e/MJ.

Como funciona o cadastro

O LCFS determina as regras para a entrada de novos combustíveis e fabricantes. Cada produtor cadastrado, após minucioso processo com detalhes das práticas e tecnologias utilizadas em cada unidade, recebe números de identificação (para a empresa e a unidade produtora), código para o etanol que pretende comercializar, de acordo com a intensidade de carbono ques este emite, e, por fim, um código para o trajeto de entrega.

Cada usina pode ter mais de uma via para a produção de etanol cadastrada, indicando que produz o biocombustível com intensidades de carbono diferentes. Assim, por exemplo, uma mesma unidade pode diferenciar o etanol feito com a cana oriunda de áreas com colheita mecanizada (de menor emissão de carbono) daquele que produz a partir da cana de áreas colhidas manualmente (com maior emissão).

As 113 usinas brasileiras cadastradas figuram em duas listas. A mais seleta é a das unidades com todas as etapas do registro aprovadas, onde constam apenas 29 unidades. Isso significa que foi definido o percurso para que o etanol de cana produzido por elas no Brasil chegue à costa oeste norte-americana, o que acontece a partir da primeira carga enviada ao estado.

Atualmente, todas as 29 usinas possuem o mesmo caminho de entrega registrado. A saída é feita por um porto brasileiro, geralmente Santos, passando pelo Canal do Panamá, até um porto da Califórnia (Los Angeles ou San Francisco).

Das 39 associadas à Copersucar cadastradas pelo LCFS, apenas 15 estão nessa lista por já terem comercializado sua produção para a Califórnia. As outras 24 unidades ainda estão com o caminho para a entrega do combustível em aberto. Entre as usindades da Raízen essa proporção é menor. São 18 usinas cadastradas, sendo que apenas quatro com o registro final aprovado e outras 14 com a via de entrega pendente.

Ao todo, o Brasil tem 84 unidades produtoras na lista de empresas que ainda não enviaram qualquer volume de etanol, por isso tem o trajeto até a Califórnia "pendente de aprovação". Essas usinas, embora cadastradas de acordo com as regras do LCFS, ficam na lista de "pendentes" até que se faça a primeira expedição, quando então recebem um "código de caminho físico" informando o trajeto do país de origem até a chegada ao destino.

Para conhecer as usinas que possuem cadastro completo para exportar à Califórnia e também as pendentes, acesse a nova planilha da plataforma de dados.

Amanda SchArr – NovaCana
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