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Seca na Europa e guerra na Ucrânia afetam mercados globais de açúcar, aponta Rabobank

De acordo com analista do banco holandês, o preço do produto branco é o mais afetado em um primeiro momento

NovaCana 6 min de leitura

A estiagem que assola a Europa e ameaça a safra de grãos do continente também traz consequências para a produção de beterraba sacarina, conforme o estrategista global do Rabobank para o setor de açúcar, Andy Duff. Em podcast gravado pelo banco, ele explora como a indústria de açúcar europeia está sendo afetada pelo clima e pela guerra na Ucrânia.

“A área plantada de beterraba na União Europeia caiu em torno de 4% esse ano em comparação com a safra passada”, relata.

De acordo com ele, o movimento faz parte de uma tendência de queda que já pode ser vista há vários anos. Entretanto, houve um aceleramento trazido pelo salto nos preços dos grãos e oleaginosas. Neste caso, a oferta foi afetada pela seca e, também, comprometida pela invasão da Ucrânia pela Rússia, a partir de fevereiro.

Além da menor área dedicada à beterraba, o continente lida com uma queda de produtividade. “Os países onde a seca mais atingiu as lavouras de beterraba são das regiões sul e central da União Europeia. Estamos falando de Espanha, Itália, Romênia e até Áustria”, enumera Duff.

No texto completo – exclusivo para assinantes do NovaCana – saiba mais sobre a produtividade da safra de beterraba europeia, as consequências da guerra na Ucrânia e as estratégias que vem sendo adotadas pelas companhias para lidar com a crise energética no continente.

A estiagem que assola a Europa e ameaça a safra de grãos do continente também traz consequências para a produção de beterraba sacarina, conforme aponta o estrategista global do Rabobank para o setor de açúcar, Andy Duff. Em podcast gravado pelo banco, ele explora como a indústria de açúcar europeia está sendo afetada pelo clima e pela guerra na Ucrânia.

“A área plantada de beterraba na União Europeia caiu em torno de 4% esse ano em comparação com a safra passada”, relata.

De acordo com ele, o movimento faz parte de uma tendência de queda que já pode ser vista há vários anos. Entretanto, houve um aceleramento trazido pelo salto nos preços dos grãos e oleaginosas. Neste caso, a oferta foi afetada pela seca e, também, comprometida pela invasão da Ucrânia pela Rússia, a partir de fevereiro.

Além da menor área dedicada à beterraba, o continente lida com uma queda de produtividade. “Os países onde a seca mais atingiu as lavouras de beterraba são das regiões sul e central da União Europeia. Estamos falando de Espanha, Itália, Romênia e até Áustria”, enumera Duff.

Entretanto, ele observa que os países que dominam a produção na região – França, Alemanha, Holanda, Bélgica e Polônia –, estão mantendo uma produtividade dentro da média, pelo menos até a avaliação realizada no final de agosto.

“Mas o risco ainda existe. Condições climáticas poderiam complicar a situação no campo”, afirma e segue: “Uma continuação do tempo seco poderia resultar em mais revisões para baixo da produtividade. Assim, com a queda de área e essa perspectiva geral de produtividade, esperamos uma safra menor do que a do ano passado”.

Energia em falta

Outro ponto levantado pelo estrategista é a crise energética no continente. Ele explica que, ao contrário das usinas brasileiras de cana, que são autossuficientes em energia graças à queima de bagaço nas caldeiras, as unidades europeias precisam comprar energia.

Este custo, que ele considera significativo no total, é direcionado para a aquisição de combustíveis como carvão, óleo combustível e, principalmente, gás natural. “E é exatamente esta a fonte de energia que ficou mais cara como consequência do conflito na Ucrânia”, destaca.

Por conta disso, ele relata que a indústria de açúcar europeia lida com duas preocupações no momento. A primeira delas é, justamente, o preço da energia; já a segunda é uma possível falta de disponibilidade de gás, o que poderia atrapalhar as suas operações.

A situação é agravada porque o processamento de beterraba é concentrado em poucos meses do ano. Segundo Duff, ele geralmente começa em setembro ou outubro, terminando em dezembro ou janeiro. Desta forma, as usinas operam de 100 a 120 dias por ano, com as atividades mais intensas no último trimestre.

“As empresas estão recorrendo a várias estratégias para se proteger contra esse aumento brutal de custos. Uma parte das compras de gás já foi hedgeada e, além disso, várias empresas conseguiram mudar o seu sistema de gás natural para operar com outros combustíveis, como já citado, óleo combustível ou até carvão”, comenta.

De acordo com o estrategista, as empresas têm buscado operar com vários tipos de combustíveis, afinal, as alternativas ao gás representariam uma redução dos riscos de preço e de abastecimento. “Claro que as empresas também devem passar os custos adicionais para os clientes, elevando os preços para compensar os custos maiores”, explica. “Os contratos entre produtores e compradores de açúcar neste novo ciclo têm sido fechados em níveis bem maiores do que no anterior”.

Uma segunda estratégia para reduzir custos é começar as operações mais cedo. O objetivo, segundo Duff, é evitar os problemas de disponibilidade que estão previstos para o longo do inverno, à medida que os estoques de gás diminuam no continente.

As duas maiores produtoras de açúcar da França, a Tereos e a Cristal Union, já anunciaram que pretendem antecipar o início da produção. Já na Alemanha, as empresas Nordzucker, Südzucker, Pfeifer & Langen e Cosun Beet divulgaram um plano de cooperação no caso de um corte no fornecimento de gás.

Reflexo nos preços

De qualquer modo, a projeção do Rabobank é de uma menor produção e, consequentemente, de uma redução nas exportações da União Europeia, que comercializa o adoçante branco. “Isso está apertando ainda mais a percepção de disponibilidade de açúcar refinado no mercado internacional e apoiando o preço mundial do produto”, afirma.

Assim, para equilibrar a oferta e a demanda interna, a União Europeia deve importar mais açúcar bruto, aumentando a demanda para essa qualidade e, assim, apoiando os preços. “A situação está ajudando a apoiar especificamente o preço de açúcar refinado e, mais indiretamente, o preço do bruto”, conclui.

Ouça o podcast

Renata Bossle – NovaCana

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