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São Martinho defende capacidade de estocagem de açúcar próximo a 50% da produção

acucar-copersucar-150413As perspectivas de crescimento da capacidade de armazenagem para os próximos anos

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Até cerca de três anos atrás, as usinas do Brasil estavam trabalhando com uma capacidade de armazenagem de açúcar próxima a 27% da capacidade produtiva. O percentual é considerado pequeno se comparado a outros países produtores, como Índia e Tailândia que têm condições de estocar quase 50% de suas respectivas capacidades de produção da commodity.

Veja a seguir:

- Como as usinas podem aproveitar a estocagem mais barata, longe dos portos

- As perspectivas de crescimento da capacidade de armazenagem para os próximos anos

- O modelo inicial do setor de estocagem em sacos e a reversão para modelo de açúcar a granel

- O crescimento da capacidade que evitou “um desespero de venda de açúcar”

Até cerca de três anos atrás, as usinas do Brasil estavam trabalhando com uma capacidade de armazenagem de açúcar próxima a 27% da capacidade produtiva, segundo diretor executivo comercial do grupo São Martinho, Helder Gosling. O percentual é considerado pequeno se comparado a outros países produtores, como Índia e Tailândia que têm condições de estocar quase 50% de suas respectivas capacidades de produção da commodity.

Para ficar menos expostos às oscilações de preço no mercado mundial, alguns players brasileiros têm investido em armazenagem. “É o caso do nosso grupo. Investimos maciçamente em terminais intermodais e também tem ocorrido no Brasil o crescimento da capacidade de armazenagem voltada para o interior”.

Gosling explica que o custo de armazenamento longe dos portos é mais vantajoso, por isso a São Martinho tem um projeto rodoferroviário com o foco do incremento de capacidade de armazenagem no interior do país.

O executivo lembra que o modelo inicial do setor sucroalcooleiro foi baseado na exportação de açúcar em sacos, sistema que, pela velocidade da operação, demanda muita armazenagem em porto. Hoje com a exportação baseada principalmente em açúcar a granel está acontecendo uma reversão desse processo, com o princípio do que Gosling acredita ser um “aumento de armazenagem imperioso”.

O presidente da Datagro, Plínio Nastari, observou que o forte crescimento da indústria sucroalcooleira, que praticamente dobrou de capacidade de produção em poucos anos, não foi acompanhado pelo aumento proporcional da armazenagem. “O setor ficou exposto, com uma condição de ter que produzir e entregar”.

Para o diretor da São Martinho, os investimentos já realizados nos últimos anos possibilitaram que os produtores brasileiros segurassem mais a commodity no atual ciclo de baixa dos preços. “Estamos hoje muito próximos de 30%”, estima sobre a capacidade de armazenagem. Apesar do crescimento ser estatisticamente pequeno, ele acredita que sem esse incremento da capacidade, “seria, neste momento, um desespero de venda de açúcar. E não ocorreu isso”.

“É difícil para um grupo tomar a decisão de investir em armazenagem. Eu acho que maioria dos grupos está olhando o preço de amanhã que será melhor do que o de hoje”

O executivo afirma que já vem acontecendo um grande investimento em armazenagem e em dois anos essa capacidade deve alcançar 34% do potencial de produção de açúcar. No entanto, defende que é preciso investir ainda mais. O ideal, segundo ele, seria ter capacidade de estocagem de 45% a 50% da capacidade de produção de açúcar.

Decisão difícil

A visão do executivo da maior produtora sucroenergética do Brasil é diferente. Para o diretor de trading de açúcar da Raízen, Ivan Melo Filho, investir em armazenagem é uma decisão difícil para a maior parte dos grupos. Pesam o cenário de crise e perspectiva de inversão do mercado, que deverá passar de um superávit para déficit.

“Nos últimos quatros anos a gente vive um mercado de queda, é por isso que todo mundo voltou para a prancheta para pagar o investimento. Hoje se está disputando o investimento com um novo hectare de cana, uma nova máquina para colher, com isso é difícil para um grupo tomar a decisão de investir em armazenagem. [...] Eu acho que maioria está olhando o preço de amanhã que será melhor que o de hoje”, ponderou.

Para apoiar o investimento, no final de setembro o governo atendeu ao pleito da Unica e incluiu os produtores rurais e cooperativas que produzem açúcar entre os beneficiários do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), que financia estes investimentos. A disponibilidade é de R$ 3,5 bilhões, compartilhados com o setor de grãos.

Amanda SchArr – NovaCana

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