Manter estoques elevados e aguardar por preços melhores ou aproveitar um bom momento e negociar antes mesmo do início da safra? São Martinho e Biosev já demonstraram que seguem caminhos diferentes
Manter estoques elevados e aguardar por preços melhores ou aproveitar um bom momento e negociar antes mesmo do início da safra? São Martinho e Biosev – duas das maiores empresas do setor sucroenergético nacional – já demonstraram que estão seguindo caminhos diferentes.
As empresas registraram lucro do terceiro trimestre da safra 2015/16, de modo que suas decisões estão sendo observadas com atenção por analistas do segmento.
Manter estoques elevados e aguardar por preços melhores ou aproveitar um bom momento e negociar antes mesmo do início da safra? Em seus resultados trimestrais, São Martinho e Biosev – duas das maiores empresas do setor sucroenergético nacional – já demonstraram que estão seguindo caminhos diferentes.
A São Martinho revelou que divergiu da rival Biosev ao diminuir as vendas antecipadas de açúcar para a próxima temporada, estendendo uma estratégia de segurar as vendas enquanto espera por preços mais elevados.
A empresa afirmou que para a safra 2016/17, que começa em abril, tem comprometida – desde o final de dezembro – a venda de 433,497 toneladas de açúcar. Esse número equivalente a 50% da sua exposição, excluindo as vendas através de acordos industriais.
Essa é uma quantidade menor do que a divulgada um ano antes. Até o final de dezembro de 2014, o grupo havia vendido 599,724 toneladas de açúcar com antecedência para a temporada 2015/16, o equivalente a 64% da exposição.
A estratégia contrasta com a da Biosev, considerada a segunda maior trituradora de cana-de-açúcar do mundo. Até o final de dezembro, a companhia comercializou 1,15 milhão de toneladas de açúcar, o equivalente a 74% da exposição.
Esse total representa duas vezes mais que a quantidade vendida antecipadamente no ano anterior. Em 2015/16, a empresa comprometeu 574 mil toneladas, ou 36% da exposição.
Preço internacional de açúcar
A São Martinho sinalizou que espera por preços maiores do açúcar, revelando a estratégia de continuar com os estoques para vender a preços mais elevados. Essa medida funcionou bem em 2015, com um mercado estimulado por um real fraco e pelas ameaças climáticas no Brasil, na Índia e na Tailândia.
A posição dos estoques de açúcar do grupo no final de dezembro estava em 397,699 toneladas, um aumento de 13,5% em relação ao ano anterior. Já os estoques de açúcar da Biosev eram de 372 mil toneladas, um aumento de 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Até o final do ano passado, a estratégia de venda da São Martinho foi superior, quando o preço do açúcar alcançou uma média de 13,96 centavos de dólar por libra-peso para a próxima temporada, a frente dos 13,42 centavos de dólar por libra-peso que a Biosev negociou para suas vendas de futuros.
No entanto, os preços do açúcar caíram cerca de 14% desde então – indo para 13,15 centavos em contratos spot – em meio às liquidações de grandes mercados e a um forte final de safra para a cana-de-açúcar no Centro Sul do Brasil.
Estoques esgotados
A São Martinho também divulgou um salto de 42% em seus lucros trimestrais, indo para R$ 76 milhões no período de outubro a dezembro, com a receita líquida tendo acréscimo de 43,5% e chegando a R$ 594 milhões.
Esses números refletiram o aumento dos preços do etanol e do açúcar e, em particular, os maiores volumes vendidos do biocombustível. O grupo ampliou em 66% seus volumes de vendas de etanol hidratado e em 47% o total de etanol anidro.
A estratégia é evidente também em uma queda de 48% na posição dos estoques de etanol hidratado em dezembro. Já os estoques de anidro diminuíram em 4,1%.
Por sua vez, a Biosev anunciou um lucro líquido R$ 162,80 milhões no terceiro trimestre do ano safra 2015/16. Essa foi a primeira vez em três anos que a empresa não registrou prejuízo.
Reação do mercado
Os resultados trimestrais foram bem recebidos pelos analistas do Banco BTG Pactual, que disseram que os maiores lucros eram um “atestado para a estratégia [da São Martinho] de manter seus estoques de etanol e de açúcar mais elevados”.
O banco ainda disse que continua otimista sobre as perspectivas de mercado para açúcar e etanol. “Expectativas de déficits globais na produção de açúcar, após anos de excedentes, devem sustentar os preços [mundiais]. E sobre o etanol, nós consideramos que os preços irão cair eventualmente, mas permanecerão em níveis muito rentáveis”, disse o banco.
O BTG Pactual chamou de ‘muito atraente’ o preço médio de 13,96 centavos de dólar por libra-peso alcançado para 2016/17 pela São Martinho até o momento. Assim, reafirmou a classificação de ‘compra’ das ações da companhia sucroenergética, que chegaram a ser negociadas por R$ 55.
Mike Verdin – Agrimoney
Adaptação e tradução NovaCana