A entrega de uma área de 2 mil alqueires de terras localizada nas proximidades onde ficava a usina de açúcar do grupo Santa Terezinha, em Umuarama (PR), chamou a atenção nos últimos dias. Isso porque a terra, que era arrendada para a produção de cana-de-açúcar, não teve o contrato renovado e precisará passar por um processo de restauração antes de ser destinada para a produção de uma outra cultura.
A empresa, que transferiu sua produção de Umuarama para Ivaté (PR) há algum tempo, passa por um processo de recuperação judicial desde 2019 e, por isso, a entrega de áreas usadas para o cultivo de cana repercute entre os arrendatários e credores. O grupo tem dez usinas no Paraná.
Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), na safra 2021/22, uma área de 106,41 mil hectares foi destinada para a produção de cana na região Noroeste, sendo 12,47 mil hectares em Umuarama. A maior área plantada, no entanto, fica em Tapejara, onde 50 mil hectares foram destinados para a produção de cana-de-açúcar.
“Para este ano ainda não existem estimativas da área que será cultivada”, afirma o economista Ático Luiz Ferreira, do Departamento de Economia Rural (Deral), ao destacar que não há como saber, neste momento, quanto de área deixará de ser cultivada na safra 2023/24.
Por outro lado, a Santa Terezinha nega que esteja devolvendo áreas que foram arrendadas para a produção de cana-de-açúcar. Em nota enviada ao OBemdito, a usina afirma que a devolução de áreas arrendadas para a produção é um processo normal, pois ao finalizar os contratos, alguns são renovados e outros acabam sendo encerrados, assim como novos contratos são fechados.
De acordo com empresa, a usina prevê um aumento na produção de cana-de-açúcar para a safra 2023/24 e afirma que a ampliação é “fruto da gestão profissionalizada das áreas agrícolas e da melhora climática, depois de três anos de extrema seca que assolou o noroeste paranaense”.
Na nota, a Santa Terezinha também destaca que a alegação de devolução de grande quantidade de áreas agrícolas é totalmente desconhecida e que “a porcentagem de contratos a serem renovados é uma informação empresarial muito dinâmica, além de confidencial”.
A empresa finaliza a nota afirmando que, no mês de março, irá realizar um evento para seus parceiros agrícolas e que nesta data serão apresentadas informações referentes ao setor.