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A salvação para o preço do açúcar pode estar no Brasil

Gráfico: preço do açúcarSegundo agência reguladora dos EUA, esta é a primeira vez desde 2007 que os fundos de hedge e outros especuladores estão apostando coletivamente contra o açúcar
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Diante de mais uma safra abundante de cana no Brasil, maior produtor e exportador de açúcar do mundo, operadores e analistas estão se perguntando se o consumo de etanol pelos motoristas brasileiros poderá absorver os volumes excedentes e criar um piso para os preços.

A baixa nas cotações do açúcar nos últimos dois anos fez com que os fundos de hedge passassem a apostar contra o produto.  Após um pico em...

Poderiam os motoristas brasileiros salvar o mercado do açúcar?

Diante de mais uma safra abundante de cana no Brasil, maior produtor e exportador de açúcar do mundo, operadores e analistas estão se perguntando se o consumo de etanol pelos motoristas brasileiros poderá absorver os volumes excedentes e criar um piso para os preços.

A baixa nas cotações do açúcar nos últimos dois anos fez com que os fundos de hedge passassem a apostar contra o produto.  Após um pico em fevereiro de 2011, os futuros do açúcar na ICE Futures despencaram 55%, batendo os US$ 0,1617 por libra-peso na semana passada, a menor cotação em três anos.

Segundo a Commodity Futures Trading Commission, agência reguladora dos EUA, é a primeira vez desde 2007 que os fundos de hedge e outros especuladores estão apostando coletivamente contra o açúcar.

Mas na opinião de analistas, os motoristas que entopem as artérias das metrópoles brasileiras talvez possam reverter essa tendência. A opção deles pelo etanol ou pela gasolina é de grande importância, já que o Brasil é responsável por quase 50% das exportações globais de açúcar.

Os usineiros brasileiros, que escolhem se vão transformar a cana em açúcar ou álcool, estão aumentando a produção de etanol em resposta ao aumento da demanda nos postos ocasionada pelo menor preço do biocombustível.

Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), associação do setor sucroalcooleiro do Brasil, mostram que em maio as vendas de etanol na região centro-sul do país cresceram 7,9% em relação ao ano anterior, superando a maior parte das previsões. Os dados foram suficientes para provocar um salto de 5% nos preços do açúcar.

"Algumas distribuidoras ficaram sem etanol. O setor foi pego de surpresa", diz Jonathan Kingsman, fundador da consultoria Kingsman, de Lausanne, Suíça. Alterações recentes na tributação também incentivaram as usinas a produzir o biocombustível.

A Unica também declarou que 41,2% da atual safra de cana foi destinada ao açúcar, o menor patamar em cinco anos. As usinas focaram na produção do etanol.

Com o mercado de açúcar vivendo um excesso de oferta pelo terceiro ano seguido, as notícias do aumento nas vendas de etanol nas bombas inspirou otimismo em alguns operadores.

"Pode haver uma alteração no cenário, suficiente para uma mudança de direção", diz Robin Shaw, analista da corretora de commodities Marex Spectron, de Londres.

As cotações mais baixas estimularam o consumo global do próprio açúcar. A China está comprando para reforçar suas reservas governamentais, assim como a Indonésia e os países do Oriente Médio, estes já estocando para o Ramadã.

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Há sinais também de que as baixas cotações estão provocando uma queda na produção de beterraba-açucareira, cultivada principalmente na Europa e na Rússia como fonte de açúcar. A trader sucroalcooleira Czarnikow está prevendo uma queda de 8% na produção de açúcar de beterraba na safra 2013-14, com agricultores europeus e russos diminuindo a área destinada ao plantio.

"A beterraba é uma cultura anual, mais sensível a uma queda nas margens de retorno", diz Toby Cohen, da Czanikow.

Para completar, operadores técnicos com posições de curto prazo ou que apostaram numa baixa também podem ajudar a estimular uma recuperação do mercado, à medida que os fundos comprarem açúcar para cobrir suas posições.

Ainda assim, muitos no setor se mantêm céticos. Segundo alguns presentes em um recente jantar reunindo negociadores de açúcar no Waldorf Astoria, de Nova York, poucos foram os que se prestaram a externar alguma perspectiva mais otimista.

Embora a demanda esteja respondendo à baixa nas cotações, a oferta continua a crescer. Ao contrário de culturas anuais como o milho, o trigo e a beterraba-açucareira, a cana só precisa ser replantada a cada quatro ou cinco anos, de forma que os fazendeiros continuam produzindo mesmo com um declínio nos preços. A Czarnow prevê um novo recorde para a produção de açúcar na safra 2013/14.

Por essa razão, a maioria dos analistas acredita que a oferta vai continuar a superar a demanda em 3 a 5 milhões de toneladas na próxima safra. Mesmo que o mercado de açúcar consiga uma virada, argumentam os mais pessimistas, uma possível alta no mercado poderá se provar passageira.

Um aumento na cotação pode fazer as usinas voltarem a se concentrar no açúcar, enquanto os produtores retornam ao mercado para cobrir suas vendas de futuros. Preços maiores também podem reverter o aumento de demanda provocado pela atual queda.

Se os negociadores de açúcar quiserem que os motoristas brasileiros continuem com a vida doce, talvez o mercado tenha que se manter estagnado por mais algum tempo.

Emiko Terazono, de Londres
Fonte: Financial Times
Tradução e adaptação: NovaCana
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