Numa série de gráficos a consultoria compilou informações que revelam o tamanho do problema vivido pelo setor
O sócio-diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, considerou “trágica” a situação da atual safra, cuja estimativa de moagem no Centro-Sul foi ajustada para 544 milhões de toneladas. No início da safra, em abril, a Canaplan foi a responsável pela estimativa mais próxima do resultado que está se desenhando para a safra atual, quando previu uma moagem de 540 milhões de toneladas.
Numa série de gráficos a consultoria compilou informações que revelam o tamanho do problema vivido pelo setor.
O sócio-diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, considerou “trágica” a situação da atual safra, cuja estimativa de moagem no Centro-Sul foi ajustada para 544 milhões de toneladas. No início da safra, em abril, a Canaplan foi a responsável pela estimativa mais próxima do resultado que está se desenhando para a safra atual, quando previu uma moagem de 540 milhões de toneladas.

Carvalho comentou os dados apresentados durante a segunda reunião da consultoria, realizada na semana passada em Ribeirão Preto (SP). “A safra se desenhou até certo ponto como trágica. Com isso, o setor aumenta o endividamento de forma perigosa”, diz.
Além de um excessivo déficit de irrigação (veja os gráficos abaixo), os canaviais paulistas, que respondem por mais de 60% da produção nacional de cana-de-açúcar, sofreram com a queda de produtividade.


Em todo o estado, as unidades registraram quedas de produtividade expressivas, entre 10 e 25%.
“Outros estados tiveram uma situação mais amena, mas o foco do problema da seca foi o estado de São Paulo”, contextualiza Carvalho.

Outro dado que chama a atenção é a baixa produtividade do setor.
Enquanto que na safra 2013/14 mais de 34% das unidades do Centro-Sul registraram produtividades entre 80 e até 110 toneladas de cana por hectare (TCH), no ciclo atual, este número não chegou a 22%.
Aliás, o percentual de unidades com TCH abaixo 80 aumentou de 38,6% na safra 2013/14, para 68,2% no atual ciclo.

Uma análise histórica da Canaplan evidencia duas fases distintas em relação à produtividade das usinas. A primeira, que vai de 2004 a 2010, caracterizada por valores de TCH que ultrapassam 85 toneladas/ha. A segunda, que vai de 2010 até a safra atual, apresenta números que não chegam a 80 toneladas/ha, e em alguns casos, mal conseguem atingir 75 toneladas/ha, como é o caso do ciclo 2014/15.

“Estamos vivendo, além da queda de produtividade, uma queda de qualidade, o que tem a ver com o processo de mecanização extremamente agressivo que tivemos do ponto de vista da qualidade da cana”, explica.
“Houve uma mudança importante. O aprendizado é lento, mas mesmo com este aprendizado, e mesmo nos bons casos, vemos que o nível de impurezas vegetais acaba derrubando esta qualidade”, pontua. Por outro lado, a seca, que afetou a produtividade das usinas paulistas, também foi responsável por aumentar a qualidade de seus canaviais.

Baixo desempenho agrícola
Na avaliação da Canaplan, nos últimos dez anos, as usinas têm registrado um desempenho agrícola nas safras que está aquém do esperado.
“Estamos vivendo este processo há certo tempo, com uma tonelada muito mais forte da tonelada final de ATR/ha. É uma queda importante, que tem um correlação direta muito mais forte com o rendimento agrícola do que, de fato, com o índice de ATR”, analisa o sócio-diretor da Canaplan.

Processo involutivo
Carvalho também destacou o processo “involutivo” das últimas dez safras.
“As safras anteriores vinham num patamar de produtividade agrícola e de qualidade de cana muito melhores do que os que estamos vendo agora”, afirma.
O gráfico abaixo ilustra bem esta realidade.

O executivo da Canaplan citou ainda o descompasso que há entre a área e a moagem de cana.
“A partir de 2010, há [um desiquilíbrio] impressionante da área em relação à produção. A área segue crescendo, mas não consegue acompanhar esta condição de produção, porque estamos realmente vivendo uma crise muito clara”, avalia.
Para ele, a crise caracteriza-se pela perda a qualidade, o que faz com que os custos cresçam de maneira significativa.

“A queda da produtividade agrícola e da qualidade acabam trazendo uma inversão. Cai a produtividade, o custo sobe numa dinâmica muito perigosa”, alerta.
Apresentação
Leonardo Siqueira – NovaCana