O início oficial da safra 2021/22 de cana-de-açúcar, 1º de abril, encontrou estoques de etanol mais baixos em relação à posição registrada no mesmo período do ano anterior. Segundo números divulgados ontem, 14, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as unidades do Centro-Sul armazenavam 1,99 bilhão de litros, queda anual de 3,6%.
Esta foi a primeira vez que o setor registrou uma redução nos estoques no comparativo anual desde 1º de março de 2020. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), isto é justificado por uma queda na produção e um aumento nas vendas em março.
Entretanto, vale mencionar que o contexto de comparação é atípico. As usinas registraram uma produção de etanol recorde em 2019/20 e entraram na entressafra com estoques elevados, vendas aquecidas e a perspectiva de retomada na moagem antes mesmo do início oficial da safra seguinte. Porém, em março de 2020, o consumo do biocombustível começou a ser afetado pela pandemia de coronavírus, o que desestabilizou o mercado.
Assim, na comparação com os anos anteriores, o volume de etanol armazenado em 1º de abril de 2021 ainda pode ser considerado elevado. Ele ficou 30,7% acima do observado no começo da safra 2019/20; 46,6% ante 2018/19; e 23,4% ante 2017/18.


As características do atual cenário se tornam mais evidentes quando considerado o tipo de etanol. Especificamente, a armazenagem de anidro era de 835,52 milhões de litros em 1º de abril, queda anual de 13,2%. Já a de hidratado era de 1,15 bilhão de litros, crescimento de 4,8% na mesma comparação.
Em São Paulo, a situação é ainda mais díspar. No maior estado produtor e consumidor de etanol do país, os estoques começaram a safra 2021/22 com um volume 7% abaixo do registrado um ano antes, de 1,19 bilhão de litros. Entretanto, os tanques de hidratado estão 20,4% mais cheios, com 700 milhões, enquanto os de anidro estão 29,8% mais vazios, com 492 milhões.
Estes números demonstram o crescimento do interesse do mercado pelo anidro, uma vez que o etanol perdeu espaço para a gasolina em 2020. Em um contexto geral de queda no consumo de combustíveis, o hidratado viu um declínio de 14,6% na demanda no acumulado do ano; já a gasolina, que possui mistura obrigatória de anidro, teve recuo menor, de 6,1%.
Ao longo de 2020/21, as usinas se adaptaram às mudanças no perfil do consumo, evitando que a situação dos estoques por tipo de etanol fosse ainda mais desigual. Segundo a Unica, a produção total do biocombustível em 2020/21 totalizou 30,37 bilhões de litros, queda anual de 8,7%. Deste total, 9,69 bilhões foram de anidro (-2,65%) e 20,68 bilhões, de hidratado (-11,31%).




Renata Bossle – NovaCana
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