Apesar da aquisição envolver riscos, análise aponta que a liquidez da companhia e as sinergias entre os negócios tornariam a operação viável
As negociações entre Raízen Energia e Biosev estão avançando. Na última sexta-feira, 29, documentos sobre a possível aquisição da sucroenergética do grupo Louis Dreyfus foram enviados para análise do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade).
No mesmo dia, a agência de classificação de risco S&P Global Ratings divulgou um boletim em que afirma que a Raízen “deve ter colchão” para absorver uma potencial aquisição da Biosev. A joint venture entre Cosan e Shell possui a classificação BBB- na escala global e AAA na nacional, com perspectiva estável; a Biosev, por sua vez, não é avaliada pela agência.
O documento complementa que foi considerado o perfil de crédito individual da Raízen, mais alto do que sua classificação global, que é afetada pelo rating soberano do Brasil.
“A transação parece estar em estágio avançado, uma vez que Raízen anunciou que já submeteu a potencial transação para avaliação do Cade”, aponta a S&P em relatório.
Por outro lado, a agência reforça que os detalhes da negociação ainda não são públicos. “Se a aquisição for concluída, não esperamos que o perfil de alavancagem da Raízen, na faixa de 2 a 2,5 vezes, sofra mudança significativa no médio prazo, tendo em vista a gestão historicamente prudente, apesar do montante significativo de dívida no balanço patrimonial da Biosev”, conclui.
Conforme a mais recente divulgação de resultados da Biosev, referente à posição em 31 de setembro de 2020, seu endividamento líquido era de R$ 7 bilhões, com em torno de R$ 3 bilhões tendo vencimento ao longo da safra 2021/22. Como a Biosev possui um elevado endividamento em dólar, ela é particularmente susceptível às variações do câmbio.
Saiba mais sobre o parecer da S&P Global Ratings no texto completo (exclusivo para assinantes).
As negociações entre Raízen Energia e Biosev estão avançando. Na última sexta-feira, 29, documentos sobre a possível aquisição da sucroenergética do grupo Louis Dreyfus foram enviados para análise do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade).
No mesmo dia, a agência de classificação de risco S&P Global Ratings divulgou um boletim em que afirma que a Raízen “deve ter colchão” para absorver uma potencial aquisição da Biosev. A joint venture entre Cosan e Shell possui a classificação BBB- na escala global e AAA na nacional, com perspectiva estável; a Biosev, por sua vez, não é avaliada pela agência.
O documento complementa que foi considerado o perfil de crédito individual da Raízen, mais alto do que sua classificação global, que é afetada pelo rating soberano do Brasil.
“A transação parece estar em estágio avançado, uma vez que Raízen anunciou que já submeteu a potencial transação para avaliação do Cade”, aponta a S&P em relatório.
Por outro lado, a agência reforça que os detalhes da negociação ainda não são públicos. “Se a aquisição for concluída, não esperamos que o perfil de alavancagem da Raízen, na faixa de 2 a 2,5 vezes, sofra mudança significativa no médio prazo, tendo em vista a gestão historicamente prudente, apesar do montante significativo de dívida no balanço patrimonial da Biosev”, conclui.
Conforme a mais recente divulgação de resultados da Biosev, referente à posição em 31 de setembro de 2020, seu endividamento líquido era de R$ 7 bilhões, com em torno de R$ 3 bilhões tendo vencimento ao longo da safra 2021/22. Como a Biosev possui um elevado endividamento em dólar, ela é particularmente susceptível às variações do câmbio.
Segundo a S&P, a Raízen teria um “colchão” de cerca de R$ 2,5 bilhões referente a pagamentos de dividendos para suas controladoras, que poderiam ser suspensos se o índice de alavancagem se desviar da faixa de 2 a 2,5 vezes.
Além disso, a agência observa que a possibilidade de realização de uma oferta inicial pública de ações (IPO, na sigla em inglês) pode proporcionar “ampla folga” para o perfil de alavancagem e de liquidez da Raízen. Atualmente, a Cosan está passando por uma reorganização societária, que permitirá a oferta de ações de suas controladas Moove, Raízen e Compass.
Ainda assim, a S&P alerta: “Em nossa visão, a absorção de uma aquisição de porte tão grande acarreta riscos de execução”.
Entretanto, o relatório também considera que a aquisição das oito usinas da Biosev poderia aumentar a moagem de cana-de-açúcar da Raízen em 50%, chegando a cerca de 90 milhões de toneladas.
“A Raízen possui uma sólida experiência na gestão de várias usinas. Cinco das usinas da Biosev estão localizadas no Centro-Sul do Brasil, região onde se encontra maior parte das usinas da Raízen, e sua eficiência de produção tem aumentado nos últimos anos”, pontua o documento.
Segundo os números apresentados, a produtividade da Biosev aumentou de “pouco menos” de 70 toneladas por hectare na safra 2014/15 para cerca de 88 t/ha nos primeiros seis meses de 2020/21.
“Sinergias podem resultar de atividades comerciais, ampliando a estratégia de preços assertiva da Raízen para um volume maior, bem como benefício da escala para compra de insumos. As sinergias financeiras também são uma possibilidade, dado melhor custo de capital da Raízen”, complementa.
Por fim, a S&P afirma que fará revisões de “qualquer impacto” no perfil de liquidez da Raízen, principalmente em relação às saídas de caixa necessárias para a conclusão da aquisição. Atualmente, o perfil da companhia neste quesito é avaliado como “forte”.
Renata Bossle – NovaCana