Usinas

Compra da Biosev pela Raízen depende de acordo quanto a endividamento

Conselho da Biosev considera submeter detalhes de “potencial transação” ao Cade


NovaCana - 28 jan 2021 - 10:37

As negociações entre Raízen e Biosev estão caminhando bem, aponta uma reportagem publicada pelo Valor Econômico nesta quinta-feira, 28. Conforme apuração realizada pelo jornal, Raízen – joint venture entre Cosan e Shell – pode fechar em breve um acordo para a compra da Biosev, da trading francesa Louis Dreyfus.

Entretanto, ainda há um impasse: as dívidas da Biosev. Conforme a mais recente divulgação de resultados da companhia, referente à posição em 31 de setembro de 2020, seu endividamento líquido era de R$ 7 bilhões, com em torno de R$ 3 bilhões tendo vencimento ao longo da safra 2021/22. Como a Biosev possui um elevado endividamento em dólar, ela é particularmente susceptível às variações do câmbio.

Outro ponto que precisa ser negociado, segundo fontes consultadas pelo Valor, é o Terminal Exportador de Açúcar do Guarujá (Teag). Operado pela Biosev e pela Cargill, o ativo não é de interesse da Raízen, uma vez que sua controladora – a Cosan – já possui a Rumo, que tem terminais de exportação de açúcar e grãos no porto de Santos.

Ainda conforme apuração realizada pela reportagem, é possível que a Raízen realize a compra por meio de ações, mas também está sendo considerado o pagamento em dinheiro. A escolha deve depender do desconto que a Biosev conseguir com bancos credores das dívidas.

Procuradas pelo Valor Econômico, Biosev e Raízen não quiseram comentar o assunto.

“Potencial transação”

Outro indício de que as negociações correm bem pôde ser percebido na reunião do conselho de administração da Biosev realizada em 15 de janeiro. Conforme ata publicada na terça-feira, 26, na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o objetivo do encontro era fazer uma “atualização de potencial projeto de M&A [fusão e aquisição, na sigla em inglês] e, neste contexto, deliberar sobre os próximos passos”.

Por unanimidade, o conselho decidiu que, quando a companhia entender como “adequado”, “a depender da evolução das discussões em curso com a Raízen”, a diretoria poderá submeter a “potencial transação” para análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Isso poderá ser feito até mesmo antes da conclusão das negociações e celebração dos contratos.

O documento, no entanto, ressalta: “O mérito da potencial transação não está sendo analisado neste momento”. Segundo o texto, os termos e as condições seguem em negociação e dependem tanto de uma revisão do comitê estratégico da Biosev quanto de uma aprovação do conselho de administração.

Ao mesmo tempo, a diretoria da companhia foi autorizada a “executar todos os atos e realizar todas as medidas necessárias” para a evolução da “potencial transação” e para a apresentação prévia ao Cade.

Gigante do setor

As tratativas entre Raízen e Biosev chegaram ao conhecimento do mercado em setembro do ano passado. Na ocasião, ambas declararam que estavam nos estágios iniciais de negociação, embora as conversas já estivessem em andamento há alguns meses.

Considerando que a Raízen possui 26 usinas e a Biosev, oito, a aquisição faria com que o controle de 34 unidades passasse para uma única empresa. Assim, esta companhia seria responsável por uma moagem de cana-de-açúcar equivalente a, aproximadamente, 15% da produção do Centro-Sul.

novaCana.com
Com informações do Valor Econômico

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