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O risco de plantar cana no Brasil: mapeamento da produção em 4,2 milhões de hectares

mapa cana brasil 190116O prejuízo está imperando nos canaviais. A confirmação veio com a maior pesquisa já realizada entre os fornecedores de cana do Brasil. Após percorrer nove estados brasileiros e analisar 4,2 milhões de hectares, os custos de produção foram todos mapeados. Para se ter uma ideia da abrangência, isto representa quase metade de toda área cultivada com cana no Brasil

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O Portal NovaCana já mostrou que a participação de cana terceirizada está aumentando nas usinas. Os preços mais convidativos e a praticidade de terceirizar uma parcela das preocupações agrícolas parecem interessar cada vez mais às usinas sucroenergéticas.

O problema é que, na média, o prejuízo está imperando nos canaviais. A confirmação veio com a maior pesquisa já realizada entre os fornecedores de cana do Brasil. Após percorrer nove estados brasileiros e analisar 4,2 milhões de hectares, os custos de produção foram todos mapeados. Para se ter uma ideia da abrangência, isto representa quase metade de toda área cultivada com cana no Brasil.

O trabalho revelou a intensidade dos problemas relacionados diretamente ao custos, preço de venda e lucro dos canaviais, além do contraste entre as principais regiões produtoras.

Do preparo do solo até a colheita da cana, a análise esmiuçou cada etapa do cultivo para descobrir como está sendo gasto o dinheiro para fazer a principal matéria-prima sucroenergética crescer. O trabalho divide e detalha alguns resultados em 24 localizações, posicionadas entre os principais produtores do país.

O Portal NovaCana já mostrou que a participação de cana terceirizada está aumentando nas usinas. Os preços mais convidativos e a praticidade de terceirizar uma parcela das preocupações agrícolas parecem interessar cada vez mais às usinas sucroenergéticas.

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), mostram que até outubro desse ano o Centro-Sul já contava com 45,6% da cana utilizada fornecida por terceiros. O valor é quase 10% superior ao resultado obtido há quatro safras.

O problema é que, na média, o prejuízo está imperando nos canaviais. A confirmação vem com o resultado da maior pesquisa já realizada entre os fornecedores de cana do Brasil. O Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) da Esalq/USP, percorreu nove estados brasileiros e analisou os custos e preço de venda de quase metade de toda área cultivada com cana no Brasil.

O Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege) da Esalq/USP, realiza um levantamento anual com os fornecedores de cana das três principais regiões produtoras do Brasil: Centro-Sul Tradicional (SP e PR), Centro-Sul Expansão (MG, GO, MS e MT) e Nordeste (PB, PE e AL). No total, foram 1,4 milhões de hectares de cana plantada acompanhados na pesquisa referente a safra 2014/15, em um total de 15 pontos amostrais. Para a safra atual, já são 24 pontos amostrais que totalizam 4,2 milhões de hectares de cana (veja mapa abaixo).

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A amostra permite observar bem o cenário, mas o responsável pelo estudo, o pesquisador João Rosa, quer avançar mais. “Estamos procurando aumentar a amostra e a representatividade do estudo a cada ano”, disse durante a apresentação. Para a safra 2016/17 a ideia é realizar uma parceria com a Orplana, em que serão integradas todas as associações da organização ao estudo, dobrando os números de pontos amostrais e elevando a área da pesquisa para 7,1 milhões de hectares.

Evolução

Observando a linha do tempo desde o primeiro levantamento, realizado na safra 2007/08, plantar cana não parece ser um bom negócio. Lucros foram registrados em apenas duas safras (2010/11 e 2011/12) da região de expansão. As demais regiões sempre amargaram prejuízos em todas as últimas nove safras e, no caso do Nordeste, em apenas duas safras a margem foi positiva. No Centro-Sul, pelo menos as margens foram suficientes para cobrir o custo operacional total (veja os três gráficos abaixo).

“A gente observa principalmente uma queda no preço da cana-de-açúcar e manutenção dos custos operacionais. Assim há essa tendência de queda na margem líquida”, analisou Rosa.

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Fechamento e previsões

Os resultados da pesquisa são gerados com base em indicadores dos processos envolvidos no cultivo da cana: preparo de solo, plantio, tratos planta, tratos soca e colheita. Em todas essas etapas, são considerados os custos com máquinas, mão-de-obra e insumos.

A realidade da safra 2014/15 não trouxe muitas alegrias a quem planta cana. Em nenhuma das regiões estudadas foi verificado lucro e em apenas uma – Centro-Sul Expansão – houve margem positiva. O resultado é que os fornecedores estão pagando para produzir. Na região tradicional o preço pago pela cana foi o mesmo do custo operacional total (COT): R$ 63 por tonelada de cana. Se somados os custos de oportunidade, aqueles imobilizados em terras e maquinário, chega-se a um custo total (CT) de R$ 81 por tonelada de cana na região. Ou seja, os produtores saem no prejuízo.

No Centro-Sul Expansão o preço foi levemente superior ao COT – R$ 62 ante R$ 57 – mas também não foi suficiente para gerar lucro. Já o Nordeste apresentou o pior cenário: vendendo cana a R$ 71 por tonelada, não conseguiu cobrir os R$ 86 do COT, gerando margem e lucro negativos.

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Na safra atual, com dados consolidados até outubro deste ano, tudo permanece bastante semelhante. Uma pequena queda no COT da região tradicional permite que haja perspectiva de margem. O prejuízo cai pela metade, mas permanece negativo. O preço de venda se mantém nos mesmos R$ 63 por tonelada. A região de expansão, por sua vez, apresenta leve melhora no preço da cana – R$ 65 – mas também demonstra aumento dos custos. Isso faz com que perca a margem positiva e que o prejuízo aumente de R$ 4 para R$ 16 por tonelada de cana em comparação à safra passada.

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A explicação é simples. Segundo João Rosa, a qualidade da cana é o que define esse tipo de comportamento. “Isso se dá pela menor produtividade apresentada nas regiões estudadas”, explicou. Em resumo, como a cana está pior, o preço diminui. Além disso, os gastos com plantio também aumentaram por causa da mecanização, que demanda grandes desprendimentos com mudas de cana. O mesmo pode ser observado na colheita: por ser mecanizada em sua maior parte, aumenta o número de impurezas presentes no produto que vai para a usina.

Apenas no Nordeste o gasto com mecanização ainda não é tão expressivo, visto que a maior parte do plantio e da colheita na região é realizada de forma manual.

Aumento de produtividade é primordial

O pesquisador apresentou também a produtividade necessária para nivelar o COT. As simulações foram realizadas para cana em área própria e área arrendada. Os gráficos mostram quantas toneladas precisam ser produzidas a mais por hectare para que os custos operacionais sejam cobertos.

De acordo com Rosa, é preciso pensar em novas maneiras de elevar essa quantidade de cana para que os rendimentos alcancem níveis aceitáveis. Para quem produz em área própria, a necessidade de incremento verificada varia de 1 a 32 ton/ha.

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Para quem arrenda, o custo da terra é um dos grandes limitadores do aumento da rentabilidade. Para que o produtor consiga pagar os custos de produção nesses espaços, seria necessário aumentar – e muito – a produção. “Tem de ter uma média, na maioria das regiões, em torno de 120 a 130 ton/ha com arrendamento”, destacou o pesquisador.

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Rosa também demonstrou quanto da cana em área arrendada é utilizada para pagar os custos da terra e quanto sobra para o restante da operação. Como exemplo, ele citou a região de Sertãozinho (SP), uma das regiões de maior produção de cana do país e também local em que a competição por terra é grande, tornando seu custo ainda maior. No caso, com produtividade de 85 ton/ha, 28 ton/ha se destinam apenas para pagamento do arrendamento, enquanto as 57 ton/ha restantes precisam dar conta de todos os outros custos de produção. “Ou seja, em uma área arrendada, 33% do que se produz vai só para pagar a terra. Tem de tomar cuidado e analisar melhor antes de contratar”, ponderou.

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Jorge Mariano – NovaCana

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