Utilização de dados padrão da calculadora para a produção agrícola deve gerar pior nota e diminuir a receita das usinas
Ao assumir o papel de um programa para incentivar o consumo de biocombustíveis, um dos grandes desafios do RenovaBio são os estímulos de mercado. Em linhas grossas, o programa precisa criar condições para que as usinas de etanol sejam competitivas e tenham acesso a crédito.
A alternativa criada pelo governo envolve metas para as distribuidoras, acompanhadas pela comercialização de créditos de descarbonização (CBios) em bolsa de valores. Isso gera uma oportunidade de ganhos para os produtores de biocombustíveis, valorizando a eficiência energético-ambiental de cada usina.
Assim, quem souber aproveitar o mercado de papéis criado pela comercialização de CBios terá mais retorno financeiro. Para isso, é necessário organizar a casa e garantir melhores resultados. Dentro do programa, quanto mais sustentável é a rota de produção, maior será o número de certificados, ampliando a receita.
Mas o governo já previu a possibilidade dos usineiros não terem registro de todos os dados do campo, especialmente quando envolvem fornecedores de matéria-prima.
Ao colocar as informações agrícolas na calculadora do RenovaBio, o produtor de biocombustível tem duas opções: preencher com o perfil específico, ou seja, com informações de seus canaviais próprios e dos seus fornecedores; ou com o perfil padrão, que inclui dados fornecidos pela própria calculadora.
Essa segunda opção, no entanto, implica em uma penalização que prejudica a nota final da usina, o que reduz o número de certificados que ela poderá comercializar.
Leia mais:
- Como ocorre a penalização
- Implicações do preenchimento com dados padrão
- Preenchimento das fases industrial e de distribuição
Ao assumir o papel de um programa para incentivar o consumo de biocombustíveis, um dos grandes desafios do RenovaBio são os estímulos de mercado. Em linhas grossas, o programa precisa criar condições para que as usinas de etanol sejam competitivas e tenham acesso a crédito.
A alternativa criada pelo governo envolve metas para as distribuidoras, acompanhadas pela comercialização de créditos de descarbonização (CBios) em bolsa de valores. Isso gera uma oportunidade de ganhos para os produtores de biocombustíveis, valorizando a eficiência energético-ambiental de cada usina.
Assim, quem souber aproveitar o mercado de papéis criado pela comercialização de CBios terá mais retorno financeiro. Para isso, é necessário organizar a casa e garantir melhores resultados. Dentro do programa, quanto mais sustentável é a rota de produção, maior será o número de certificados, ampliando a receita.
Incentivo ao preenchimento da RenovaCalc
A nota de eficiência energético-ambiental, que será multiplicada pelo volume produzido no momento da emissão de CBios, depende do preenchimento da RenovaCalc. Nesta ferramenta devem ser inseridos os dados dos processos agrícolas, industriais, de distribuição e de uso tanto da usina quanto de seus fornecedores. Mas o governo já previu a possibilidade dos usineiros não terem registro de todos os dados do campo, especialmente quando envolvem fornecedores de matéria-prima.
Ao colocar as informações agrícolas na calculadora do RenovaBio, o produtor de biocombustível tem duas opções: preencher com o perfil específico, ou seja, com informações de seus canaviais próprios e dos seus fornecedores; ou com o perfil padrão, que inclui dados fornecidos pela própria calculadora.
Essa segunda opção, no entanto, implica em uma penalização que prejudica a nota final da usina, o que reduz o número de certificados que ela poderá comercializar.

Para o uso de fertilizantes, calcário, gesso e até diesel, a penalização é relativamente pequena em cima do valor dado como típico, em torno de 28% e 29%. Entretanto, para a queima de cana-de-açúcar a penalização é de 82% sobre o valor típico. Neste caso, o uso dos dados padrão pode prejudicar, e muito, a nota final da usina, o que acarreta em menos ganho no mercado dos CBios.
Nesse contexto, a penalização foi criada para incentivar o fornecimento de informações específicas. Contudo, a opção padrão é uma alternativa para o preenchimento da RenovaCalc quando os parâmetros técnicos não são totalmente conhecidos, mantendo a possibilidade de participação para as usinas nestas condições, especialmente no início.
Melhorando a nota
A pergunta que o produtor deve fazer a si mesmo é: “será que estou gerando a quantidade máxima de CBios que eu poderia?”. O preenchimento de dados específicos garante uma nota mais realista e passível de melhoria, enquanto o preenchimento padrão diminui a nota.
Com isso, os responsáveis pela calculadora acreditam que, ao reunir os dados e analisar os processos produtivos, o usineiro pode adquirir uma percepção crítica. Dessa forma, ele se torna capaz de definir onde é possível realizar modificações que vão diminuir as emissões, melhorando a nota e criando novas possibilidades de retorno financeiro por meio dos CBios.
Para definir os valores padrão, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) considerou o que seria um preenchimento típico para cada parâmetro a partir de informações de bancos de dados do setor produtivo e da literatura técnica. Por sua vez, os dados penalizados caracterizam um cenário de altas emissões naquele campo. No caso das queimadas, por exemplo, o dado padrão entende que toda a área passou por esse processo.
É importante ressaltar que caso os dados da usina sejam padrões, isso não necessariamente deve se aplicar a seus fornecedores, e vice-versa. O ideal é que todos os dados preenchidos sejam específicos e que o preenchimento com dados padrão seja feito apenas em último caso. Além disso, cada fornecedor será encarado individualmente.
Naturalmente, os campos relacionados aos critérios de elegibilidade ao programa e a parâmetros como área e produção totais, além de resíduos agrícolas recolhidos, devem ser preenchidos com números próprios e dos fornecedores.
O mesmo ocorre no preenchimento da fase industrial, que exige os dados primários referentes ao processo de produção dos biocombustíveis, não existindo a opção de perfil padrão.
Distribuição
Na fase de distribuição, o produtor deve preencher as informações de acordo com o sistema logístico utilizado em cada fração dos biocombustíveis comercializados. As opções disponíveis são: rodoviário, dutoviário, ferroviário e marítimo (apenas para o etanol de milho importado).
Nesta etapa, as emissões de gases de efeito estufa são calculadas considerando, para cada biocombustível, a distância média de distribuição da unidade produtora até o consumidor em cada sistema logístico. Neste caso, a RenovaCalc também traz a opção de preenchimento de dados padrão.
Caso não existam informações sobre a etapa de distribuição do combustível, a calculadora oferece distâncias médias adotadas para cada sistema logístico, para as rotas definidas para o cálculo da intensidade de carbono. Assim, será adotado o sistema rodoviário como padrão, exceto para a rota de etanol de milho importado, quando será considerado o sistema marítimo.

Rafaella Coury — NovaCana