Etanol: Mercado

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RenovaBio chega a 10 milhões de CBios validados pela ANP


EPBR - Publicado: 01 Out 2020 - 12:12

O RenovaBio atingiu a marca de 10 milhões de créditos de descarbonização (CBios) validados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), nesta quarta (30). O volume representa 67% do total de 14,9 milhões de CBios necessários para cumprir a meta de 2020 e o residual de 2019, que também precisa contratado este ano.

“O mercado de CBios vem registrando significativas variações positivas à medida que o RenovaBio avança. Com essa tendência de crescimento, a expectativa é que se tenha CBios suficientes para atingimento da meta para 2019 e 2020 até o início de dezembro”, informou a ANP.

Os créditos podem ser emitidos por produtores de etanol, biodiesel e biometano e são listados na B3, onde podem ser comprados pelas distribuidoras, que são obrigadas a cumprir metas anuais de aquisição de CBios, pa proporção da participação do mercado de gasolina e diesel. Mas também estão disponíveis para investidores no mercado de balcão da bolsa.

Segundo a ANP, 103,7 mil títulos foram aposentados pelas distribuidoras até o fim de setembro – os dados da B3 não estão disponíveis nesta quinta (1º), mas na última atualização consultada pelo novaCana, em 15 de setembro, 657,97 mil créditos haviam sido comercializados.

“Cabe destacar que o valor médio do CBio negociado na B3 variou de R$ 20 a R$ 37,35 no mês de setembro”, afirma a ANP.

Mudanças no RenovaBio

Em setembro, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) cortou em cerca de 50% as metas de compras obrigadas de CBios em 2020. Além da redução, foi considerado de “interesse da política energética nacional” que as compras por outros investidores sejam consideradas para o cumprimento das metas.

A medida, que ainda precisa ser regulamentado pela ANP, partiu de um entendimento do Ministério de Minas e Energia (MME) de que esta seria uma forma de preservar os consumidores em um cenário de alta demanda por CBios, que poderia inflar os preços.

O CNPE também decidiu autorizar o dispositivo previsto na Lei do RenovaBio que prevê uma redução das obrigações das distribuidoras em troca de contratos de compra de biocombustíveis de longo prazo – superior a um ano e firmado com emissor dos CBios.

Na revisão das metas para 2030 prevaleceu a proposta do MME, de redução no volume de compras obrigadas de CBio em cerca de 50% em 2020, para 14,5 milhões de créditos – ao longo do ciclo de dez anos, a nova curva se aproxima da anterior, chegando a 91 milhões de créditos em 2030, frente a 95 milhões antes da revisão.

O ministério espera, com isso, que não haja escassez de créditos ao longo dos dez anos do programa, o que comprometeria a confiabilidade do RenovaBio – a revisão foi necessária diante do desequilíbrio do mercado causado pela pandemia de covid-19, especialmente na produção e demanda por etanol.

Gustavo Gaudarde
Com informação adicional novaCana.com