Passando por um processo de recuperação judicial desde dezembro de 2015, a Tonon Bioenergia publicou sua relação de credores, dando prazo até a próxima segunda-feira (14) para aqueles que não constam na lista entregarem a documentação necessária para requerer inclusão
Passando por um processo de recuperação judicial desde dezembro de 2015, a Tonon Bioenergia publicou recentemente sua relação de credores, dando prazo até a próxima segunda-feira (14) para aqueles que não constam na lista entregarem a documentação necessária para requerer inclusão. Até o momento, no entanto, os débitos admitidos pela companhia somam R$ 2,47 bilhões (câmbio a R$ 3,80).
Mas isso não é tudo. Além da Tonon Bioenergia, também fazem parte do grupo – e do pedido de recuperação – a Tonon Luxembourg, com um débito de R$ 2,15 bilhões, e a Tonon Holding, que soma mais R$ 827,4 milhões ao montante. No total, o grupo engloba uma dívida de R$ 5,44 bilhões.
Especificamente com relação à Tonon Bioenergia, 90,1% do montante da dívida é derivado de endividamento em dólar. Considerando o total do grupo, a composição da dívida é semelhante, com 94,3% do total dos débitos em dólar. Entre os principais credores, considerando diferente categorizações dentro do documento, estão...
Passando por um processo de recuperação judicial desde dezembro de 2015, a Tonon Bioenergia publicou recentemente sua relação de credores, dando prazo até a próxima segunda-feira (14) para aqueles que não constam na lista entregarem a documentação necessária para requerer inclusão. Até o momento, no entanto, os débitos admitidos pela companhia somam R$ 2,47 bilhões (para efeitos de câmbio, o valor do dólar foi considerado como sendo R$ 3,80).
Mas isso não é tudo. Além da Tonon Bioenergia, também fazem parte do grupo – e do pedido de recuperação – a Tonon Luxembourg, com um débito de R$ 2,15 bilhões, e a Tonon Holding, que soma mais R$ 827,4 milhões ao montante. No total, o grupo engloba uma dívida de R$ 5,44 bilhões.
Especificamente com relação à Tonon Bioenergia, 83,8% do montante da dívida é derivado de endividamento bancário em dólar. Somando-se esse valor aos 6,3% referentes a credores com garantias reais, a companhia tem US$ 585,12 milhões [R$ 2,22 bi] em dívidas vinculadas à moeda estrangeira – 90,1% do total.

Entre os principais credores, considerando diferente categorizações dentro do documento, estão os bancos: BTG Pactual (US$ 20,03 mi ou R$ 76,11 mi), Credit Suisse (US$ 14,78 mi ou R$ 56,16 mi), HSBC (US$ 14,32 mi ou R$ 54,42 mi) e Banco Modal/Energisa (R$ 42,39 milhões).
Considerando o total do grupo, a composição da dívida é semelhante, com 94,3% do total dos débitos em dólar – US$ 1,35 bilhão [R$ 5,13 bilhões].

Problemas com garantias
Além disso, a Tonon Bioenergia também está comprometida com o pagamento de títulos de crédito, os chamados bonds. Sozinho, o Banco de Nova York (BNY Mellon) é agente fiduciário dos detentores de títulos que somam US$ 505,22 milhões [R$ 1,91 bi]. Outros bonds totalizam US$ 20,64 milhões [R$ 78,43 mi].
De acordo com o Valor Econômico, US$ 230 milhões [R$ 874 mi] dos papéis do BNY Mellon têm garantia. Em fevereiro, desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reformaram decisões que liberam garantias dadas por empresas em recuperação judicial a credores, não aceitando argumentos de que os valores seriam essenciais ao desenvolvimento dos negócios.
Com relação à Tonon, a empresa havia obtido, em primeira instância, autorização para vender a safra de cana-de-açúcar e os produtos derivados dados em garantia a credores que adquiriram títulos emitidos no exterior. A decisão, ainda segundo o Valor, foi revertida após análise de recurso apresentado pelo BNY Mellon.
Na ocasião, o relator do processo, Hamid Bdine, determinou que os recursos obtidos com a comercialização dos produtos sejam depositados em conta judicial até o julgamento do caso pelo colegiado.
“As garantias servem como mecanismo de ajuste da taxa de juros. Se o Judiciário liberar essas garantias sem nenhuma contrapartida pode haver impacto na precificação do financiamento”, diz o advogado do BNY Mellon, Eduardo Wanderley, para o Valor Econômico.
Por sua vez, o advogado Paulo Campana, que defende a Tonon Bioenergia, argumentou que o caso envolve bem perecível e não o utilizar acarretaria em prejuízos tanto para a companhia como para seus credores. “O que nós fizemos foi pedir para a juíza [de primeira instância] substituir a garantia da safra deste ano pela do ano seguinte”, afirma Campana. Ele continua: “Até mesmo depósito em juízo prejudica. A empresa precisou dispender valores para cortar, colher e transportar a cana. Os valores depositados não são líquidos. Isso acaba gerando um prejuízo duplo e não é bom para nenhuma das partes”.
Ainda em andamento, o processo agora será analisado pela 1ª Câmara Empresarial.
Tonon Luxembourg traz poço de dívidas
Para completar, os bonds da Tonon Luxembourg – também vinculados ao BNY Mellon – somam US$ 565,44 milhões [R$ 2,15 bi]. A empresa é uma subsidiária da Tonon Bioenergia e participou de uma estratégia que, em junho de 2015, tentou evitar o pedido de recuperação judicial do grupo, o qual acabou sendo acontecendo seis meses depois.
Por meio de uma reestruturação da dívida, a Tonon Bioenergia propôs a troca de US$ 300 milhões [R$ 1,14 bi] em bônus sêniores por títulos com o mesmo vencimento, em 2020, mas pagamento de juros menores que o atual. A empresa passaria a pagar 7,25% por ano até 2017 e, após esse período, voltaria para o antigo patamar de 9,25% anuais.
Essa proposta foi apresentada pouco tempo depois de agências de classificação de risco terem deixado claro o estado delicado da companhia. Tanto a Fitch Ratings quanto a Standard & Poor’s haviam rebaixado a classificação da empresa, indicando aumento do risco de inadimplência.
Bonds do setor sucroenergético preocupam investidores
Segundo reportagem divulgada pelo Valor Econômico, os investidores estão preocupados com os bonds emitidos por empresas do setor – uma questão que não envolve apenas a Tonon. De acordo com o jornal, em média, esses papéis valem atualmente menos de 20% do seu valor original, e mesmo os credores com garantias encaram longas batalhas judiciais para tentar executá-las, em geral sem sucesso.
Além da Tonon, outras três empresas da área emitiram bonds: Aralco (também em recuperação judicial), Grupo Virgulino de Oliveira (GVO) e USJ Açúcar e Álcool. Somadas, essas emissões chegam a US$ 1,8 bilhão [R$ 6,84 bi].
Atualmente, conforme o Valor, esses papéis estão sendo negociados no mercado por entre 2,5% e 45% dos seus valores originais, a depender da situação financeira da usina e da existência ou não de garantias. E não é para menos, afinal, apenas a USJ não deu calote até o momento, embora seus bonds tenham sido ‘contaminados’ e estejam sendo negociados por cerca de 30% de seus valores de face.
Renata Bossle – NovaCana