Votação de plano de recuperação judicial da companhia estava marcada para o dia 30 de maio, mas pode não ocorrer
Os próximos passos para a sucroenergética Abengoa Bioenergia, em recuperação judicial desde setembro de 2017, estão mais incertos a cada dia. A companhia, que já foi acusada de tentar favorecer credores durante a elaboração de seu plano de recuperação judicial, tinha a expectativa de aprovar o documento ainda no primeiro semestre deste ano, mas isso pode não ocorrer.
Segundo reportagem publicada pelo Valor Econômico, a votação marcada para o dia 30 de maio pode ter que ser adiada. O motivo é uma decisão proferida na terça-feira (21) pelo desembargador Araldo Telles, da 2ª Câmara de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Telles determinou que os credores decidam antecipadamente sobre a modalidade da recuperação, optando por um plano único ou cinco planos individuais, um para cada empresa envolvida. Como a Abengoa preparou um plano conjunto, seria preciso definir uma nova data para a apresentação dos planos em separado.
A decisão atendeu a uma solicitação do China Construction Bank, que tem cerca de R$ 40 milhões a receber. O valor representa cerca de 2,7% da dívida total da recuperação judicial da Abengoa Bioenergia, calculada em R$ 1,5 bilhão.
No texto completo, confira um panorama do desempenho financeiro da Abengoa Bioenergia nos últimos 10 anos.
- Evolução do perfil da dívida
- Resultados brutos e líquidos
- Receitas e custos
Os próximos passos para a sucroenergética Abengoa Bioenergia, em recuperação judicial desde setembro de 2017, estão mais incertos a cada dia. A companhia, que já foi acusada de tentar favorecer credores durante a elaboração de seu plano de recuperação judicial, tinha a expectativa de aprovar o documento ainda no primeiro semestre deste ano, mas isso pode não ocorrer.
Segundo reportagem publicada pelo Valor Econômico, a votação marcada para o dia 30 de maio pode ter que ser adiada. O motivo é uma decisão proferida na terça-feira (21) pelo desembargador Araldo Telles, da 2ª Câmara de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Telles determinou que os credores decidam antecipadamente sobre a modalidade da recuperação, optando por um plano único ou cinco planos individuais, um para cada empresa envolvida. Como a Abengoa preparou um plano conjunto, seria preciso definir uma nova data para a apresentação dos planos em separado.
A decisão atendeu a uma solicitação do China Construction Bank, que tem cerca de R$ 40 milhões a receber. O valor representa cerca de 2,7% da dívida total da recuperação judicial da Abengoa Bioenergia, calculada em R$ 1,5 bilhão.
Especificamente em relação a empréstimos e financiamentos, a Abengoa possui débitos de R$ 969,09 milhões, conforme posição registrada em 31 de dezembro de 2018. O valor representa um aumento de 11,2% em relação ao total registrado um ano antes.

Desde 2015, a Abengoa contabiliza todas as suas dívidas nesta categoria como tendo vencimento em até 12 meses. Naquele ano, os débitos da companhia ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão.
Prejuízos desde 2010
As dificuldades financeiras da Abengoa Bioenergia datam de antes do início da recuperação judicial, que aconteceu na sequência de um escândalo contábil envolvendo a matriz espanhola da companhia.
A sucroenergética, que controla duas usinas em São Paulo, registrou seu nono prejuízo consecutivo em 2018. Segundo o mais recente balanço divulgado, as perdas da companhia foram de R$ 208,15 milhões no período de janeiro a dezembro do ano passado.

Apesar do resultado negativo, o prejuízo foi 39,3% inferior aos R$ 342,76 milhões registrados um ano antes – e que representam o segundo pior resultado já contabilizado pela companhia.
Além disso, a Abengoa Bioenergia voltou a apresentar resultados brutos positivos, com um lucro líquido de R$ 47,71 milhões. Isso não acontecia desde 2014 e o valor é o melhor desempenho operacional da companhia em seis anos.

O resultado foi possível, em grande parte, pela redução de 25,7% nos custos de produção em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, em 2018, a Abengoa registrou uma receita líquida de R$ 573,60 milhões – queda de 4,9% em relação a um ano antes.

Com a diminuição menos acentuada dos rendimentos em comparação com os custos, as despesas representaram um valor equivalente a 94% da receita – uma margem apertada, mas mais vantajosa que os 120,3% vistos em 2017.
Renata Bossle – NovaCana
Com informações do Valor Econômico