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Após ano de rebaixamentos, Fitch Ratings prevê um 2016 mais equilibrado para as usinas

Fitch-Ratings 070515É chegado o momento de olhar para trás e fazer um balanço do ano que se encerra, ao mesmo tempo em que se deve seguir em frente e planejar um 2016 melhor

NovaCana 6 min de leitura

É chegado o momento de olhar para trás e fazer um balanço do ano que se encerra, ao mesmo tempo em que se deve seguir em frente e planejar um 2016 melhor. Para o setor sucroenergético isso é particularmente importante, uma vez que as nuvens que ameaçam as companhias permaneceram pesadas ao longo de 2015, especialmente para aquelas fragilizadas financeiramente.

Durante o ano, todas as ações de rating do setor realizadas pela agência de classificação de risco Fitch Ratings foram de rebaixamentos, sem que nenhuma elevação tenha ocorrido. Enquanto a Biosev e a Raízen Energia conseguiram manter suas classificações estáveis em ‘BB-‘ e ‘BBB’, respectivamente, a Jalles Machado caiu de ‘BB-‘ para ‘B+’; a Tonon Bioenergia, que recentemente pediu recuperação judicial, foi de ‘B’ para ‘CC’; a USJ Açúcar e Álcool foi de ‘B+’ para ‘CC’; e a Virgolino de Oliveira foi de ‘C’ para ‘RD’.

Agora, mesmo mantendo a perspectiva negativa para 2016, a Fitch Ratings avalia:

- Porque o risco sistêmico no setor permanece alto

- O índice de alavancagem líquida ajustada das companhias

- O que resta para as usinas em crise

- Tabela com 20 indicadores de cada empresa analisada

- Os dois fatores que podem melhorar e ajudar as empresas

- Expectativa de fluxo de caixa livre para 2016

É chegado o momento de olhar para trás e fazer um balanço do ano que se encerra, ao mesmo tempo em que se deve seguir em frente e planejar um 2016 melhor. Para o setor sucroenergético isso é particularmente importante, uma vez que as nuvens que ameaçam as companhias permaneceram pesadas ao longo de 2015, especialmente para aquelas fragilizadas financeiramente.

Durante o ano, todas as ações de rating do setor realizadas pela agência de classificação de risco Fitch Ratings foram de rebaixamentos, sem que nenhuma elevação tenha ocorrido. Enquanto a Biosev e a Raízen Energia conseguiram manter suas classificações estáveis em ‘BB-‘ e ‘BBB’, respectivamente, a Jalles Machado caiu de ‘BB-‘ para ‘B+’; a Tonon Bioenergia, que recentemente pediu recuperação judicial, foi de ‘B’ para ‘CC’; a USJ Açúcar e Álcool foi de ‘B+’ para ‘CC’; e a Virgolino de Oliveira foi de ‘C’ para ‘RD’.

fitch tabela

Esse movimento baixista já era considerado uma probabilidade em outubro de 2014, quando um relatório da agência afirmou que os rebaixamentos no Brasil possivelmente ultrapassariam as elevações em mais de duas vezes, com as empresas de eletricidade, açúcar e etanol ocupando as posições de maior vulnerabilidade.

Agora, mesmo mantendo a perspectiva negativa para 2016, que indica alto risco, a Fitch Ratings acredita que o número de rebaixamentos e afirmações de ratings nas empresas latino-americanas de açúcar e etanol deve se equilibrar.

“Embora os fundamentos da indústria suportem os recentes aumentos de preços, o risco sistêmico no setor permanece alto, pois os mercados de títulos e bancário estão evitando o aumento da exposição, devido à crise financeira de empresas importantes”, aponta o novo relatório, mais resumido que as análises anteriores.

Para completar o cenário de risco, uma maior desvalorização do real prejudicaria a capacidade das empresas em obter financiamentos, pois parte significativa da dívida do setor está em dólar. Segundo a Fitch, a mediana do índice de alavancagem líquida ajustada das companhias do setor era de 4,2 vezes em 31 de março de 2015, mas a expectativa é de que este índice aumente para mais de 5,0 vezes no ano fiscal de 2016.

Para as usinas em crise resta apenas o desafio de retardar o processo de queima de caixa enquanto tentam lidar com as dívidas de curto prazo e a rolagem da dívida.

Dessa forma, a gestão da liquidez das empresas continua sendo citada como a principal preocupação em relação ao setor. “O mercado de títulos permanece fechado para novas emissões e os bancos nacionais não devem aumentar sua exposição ao setor devido aos recentes casos de inadimplência e aos pedidos de proteção judicial contra falência de importantes companhias do setor”, aponta o relatório.

Assim, segundo as projeções da Fitch, as sucroenergéticas brasileiras registrarão fracas posições de liquidez, com poucas exceções, mesmo considerando o recente aumento dos preços do açúcar e do etanol. Outra ameaça surge nas linhas de crédito mais escassas e onerosas. Resta, assim, o desafio de retardar o processo de queima de caixa enquanto as empresas tentam lidar com as dívidas de curto prazo e a rolagem da dívida.

“A disponibilidade de propriedades e outros tipos de ativos tangíveis para serem monetizados ou usados como garantia em novos financiamentos será essencial”, afirma a agência, que ainda alerta: “Novos rebaixamentos podem ocorrer se a liquidez do setor se deteriorar mais rápido do que a capacidade das empresas de aproveitar o aumento dos preços do açúcar e do etanol”.

Por sua vez, a Fitch considera que as elevações são improváveis a curto prazo, enquanto afirmações de ratings dependerão da continuidade da tendência de alta dos preços internacionais do açúcar e dos preços domésticos do etanol a médio prazo.

“Aumentos contínuos nos preços da gasolina e/ou a implantação de novas diferenciações fiscais que beneficiem a demanda por etanol, em detrimento da gasolina, podem estimular o crédito bancário ao setor e seriam considerados positivos”, pondera.

Fluxo de caixa seguirá negativo

Apesar de levar em consideração a expectativa de aumento nos volumes de cana-de-açúcar processados, a Fitch acredita que a maioria das empresas brasileiras do setor reportará fluxo de caixa livre negativo em 2016. Isso será motivado principalmente pelo aumento dos salários, dos custos de logística e das taxas de juros, além dos investimentos necessários nos canaviais e nos ativos industriais

“Apesar de não haver muito consenso no mercado sobre o patamar a ser atingido pelo preço do açúcar em 2016, as perspectivas para o mercado doméstico de etanol são muito mais positivas do que no início de 2015”

Ainda assim, existe a possibilidade de um alívio em curto prazo, que pode vir do etanol e já durante a entressafra. Além disso, segundo a Fitch, as empresas devem tentar fixar os preços do açúcar em reais em níveis atraentes, o que será importante na próxima safra.

De forma geral, o ambiente de preços é positivo. Apesar da desvalorização do real, os preços do açúcar estão aumentando, o que gera um efeito positivo nos fluxos de caixa operacionais. “Os preços do açúcar começaram a refletir uma expectativa de déficit global para a safra de 2015/2016 e após. Em reais, os preços estão em patamares muito atrativos e subiram 30% em outubro de 2015, em comparação com o início do ano”, aponta o documento.

Para completar, a maior parte das empresas já estaria se beneficiando dos elevados preços domésticos do etanol hidratado. “Apesar de não haver muito consenso no mercado sobre o patamar a ser atingido pelo preço do açúcar em 2016, as perspectivas para o mercado doméstico de etanol são muito mais positivas do que no início de 2015”, completa a Fitch.

Renata Bossle – NovaCana

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