A trading RCMA Group, um dos principais produtores e exportadores de commodities do mundo, aposta no primeiro déficit mundial de açúcar em cinco anos
O mercado mundial de açúcar está caminhando para o seu primeiro déficit em cinco anos a medida em que a seca reduziu a oferta do produto no Brasil, disse o RCMA Group, um dos principais produtores e exportadores de commodities do mundo.
“No geral, nós temos um pequeno déficit iminente”, disse Drake, cuja companhia provavelmente negociará mais de 450 mil toneladas de açúcar refinado neste ano.
O mercado mundial de açúcar está caminhando para o seu primeiro déficit em cinco anos a medida em que a seca reduziu a oferta do produto no Brasil, disse o RCMA Group, um dos principais produtores e exportadores de commodities do mundo.
A safra da cana-de-açúcar do país poderá cair cerca de 10% na próxima safra, que começa em 1o de abril do próximo ano, disse Jonathan Drake, o operador-chefe da empresa de trading com sede em Cingapura. A produção de açúcar no ano que vem poderá ser reduzida em quase 3,5 milhões de toneladas se mais cana for usada para produzir etanol, disse o executivo em entrevista à agência de notícias Bloomberg no início do mês.
Em Nova York, os contratos futuros do adoçante despencaram 53% desde a maior alta registrada há três anos, em 2011. Agora o clima seco no Brasil e na Índia, os dois maiores produtores, podem diminuir a produção e reduzir os estoques globais pela primeira vez desde 2010, estima o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA. O Brasil, que agora passa por um período de eleições presidenciais, tem a possibilidade de aumentar a quantidade de etanol anidro que é adicionada na gasolina e elevar o preço do combustível fóssil, disse Drake.
“No geral, nós temos um pequeno déficit iminente”, disse Drake, cuja companhia provavelmente negociará mais de 450 mil toneladas de açúcar refinado neste ano. “Depois que a eleição no Brasil acabar, depois que eles definirem qual será o novo preço da gasolina-etanol, imagino que dentro dos próximos 90 dias o açúcar alcançará o menor valor dos próximos três anos”, disse Drake, que por mais de duas décadas negociou commodities na Cargill.
Os preços do adoçante subiram para 17.12 centavos de dólar por libra-peso em 7 de outubro, a maior alta em quatro semanas, depois de avançar 6,2% em setembro, o maior valor em sete meses. Os contratos aumentaram 0,7% o valor dos futuros, que na quinta-feira, 9, chegaram a 17,04 centavos de dólar por libra-peso na ICE Futures.
Trabalhador usa empilhadeira para transportar sacas de açúcar da Guarani em São José do Rio Preto, SP. 
Impulso
A vitória do candidato a presidente Aécio Neves ajudaria o negócio e daria um estímulo à indústria de etanol, disse Drake. O governo aumentou a mistura de etanol anidro à gasolina para 25%. Em abril do ano passado, este percentual era de 20%. Em setembro deste ano, o Senado aprovou uma medida provisória que eleva a mistura para 27,5%.
A safra de cana-de-açúcar já será menor neste ano. Espera-se uma redução de 4,8% da colheita para 619 milhões de toneladas. Muito disso se deve a problemas climáticos nas regiões produtoras do Centro-Sul, estima o USDA. Monções fracos também podem diminuir a colheita na Índia, disse Drake. A produção pode cair de 350 para 342,8 milhões de toneladas, disse o ministério da agricultura do país.
A expectativa é que os estoques globais caiam 2,4% para 44,4 milhões de toneladas no final da safra 2014/15, a primeira queda em cinco anos, segundo dados do USDA.
Enquanto Drake prevê uma escassez iminente, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) espera que o mundo tenha um excedente de 1,3 milhões de toneladas em doze meses, iniciados em 1º de outubro, o quinto superávit anual consecutivo, enquanto o impacto de qualquer choque na produção poderia provavelmente ser reduzido por grandes estoques do produto.
Estoques
A previsão é que a produção cresça 0,6% para 183,75 milhões de toneladas no próximo ano, enquanto o consumo aumentará 2,1% para 182,45 milhões de toneladas, diz a entidade com sede em Londres. Ao passo em que haverá um excedente, o mesmo será menor que o excesso de oferta, de 3,99 milhões de toneladas nos últimos doze meses, disse a ISO em 26 de agosto.
Na Tailândia, o segundo maior exportador do mundo, o governo está encorajando os produtores a plantar açúcar ao invés de arroz a fim de reduzir o excesso de oferta do grão. Embora seja muito cedo para fazer qualquer previsão, a medida pode ajudar a aumentar em um milhão de toneladas a produção doméstica do país, disse Drake. Exportadores poderiam preferir guardar o adoçante nos armazéns e esperar por uma subida nos preços, uma vez que os futuros indicam um prêmio para as entregas a serem feitas meses mais tarde em detrimento daquelas com datas mais próximas, disse ele.
O Rabobank está mantendo uma visão “positiva” dos preços para 2015, disse nesta quinta-feira (9) o banco em um relatório. A demanda excederá a oferta em 3,2 milhões de toneladas na safra iniciada em Outubro, comparada com o mercado quase balanceado nos últimos doze meses, disse o banco.
A queda do real em relação ao dólar tem sido “o maior fator de pessimismo” para o açúcar, que é dominado pelo câmbio americano, disse Drake. O real caiu 11% no terceiro trimestre.
Chanyaporn Chanjaroen - Bloomberg
Tradução e adpatação Leonardo Siqueira - NovaCana
Foto: Paulo Fridman/Bloomberg