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Ranking: As dez melhores empresas do setor de bioenergia em 2022

BP Bunge foi a líder, somando a maior pontuação dentre os seis critérios avaliados pela publicação Valor 1000

NovaCana 10 min de leitura

Em 2022, as sucroenergéticas buscaram recuperar seus resultados financeiros e operacionais após uma quebra de safra. Para isso, aproveitaram preços favoráveis do açúcar no mercado internacional, enquanto o etanol segue como coadjuvante.

As empresas que conseguiram surfar nesta onda de retomada da produção agrícola a patamares mais saudáveis tiveram resultados favoráveis. Foi o caso da BP Bunge Bioenergia que, pela primeira vez, liderou o ranking do Valor 1000 das dez melhores empresas no setor de bioenergia. A companhia comanda 11 usinas espalhadas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Tocantins e Mato Grosso do Sul.

O levantamento destaca as dez melhores empresas de diferentes setores. O desempenho é calculado a partir de seis critérios, com pesos diferentes de acordo com sua relevância, representando 70% da nota. Os outros 30% são referentes às ações nas áreas ambiental, social e de governança (ESG na sigla em inglês) pelas maiores companhias em faturamento e é restrita às três empresas com as maiores notas nos seis parâmetros de avaliação.

Os critérios da avaliação feita pelo Valor Econômico têm chancela da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e da Serasa Experian.

Apesar da dianteira na bioenergia em 2022, a BP Bunge, que fez 71,7 pontos, ficou abaixo dos 76 pontos registrados pela São Martinho em 2021. A líder do ranking do ano passado, entretanto, agora ocupa a nona colocação, com 38,1 pontos.

Conforme os resultados financeiros divulgados pela BP Bunge, a companhia faturou R$ 7,26 bilhões em 2021/22 e R$ 7,94 bilhões em 2022/23, representando um aumento safra a safra de 9,4%. Segundo a reportagem do Valor, o etanol foi o principal responsável por estes ganhos, atingindo R$ 4 bilhões.

Confira na versão completa (exclusiva para assinantes) um infográfico completo e mais informações sobre os seis critérios avaliados, além da relação de empresas com os dez melhores resultados em cada um deles.

Em 2022, as sucroenergéticas buscaram recuperar seus resultados financeiros e operacionais após uma quebra de safra. Para isso, aproveitaram preços favoráveis do açúcar no mercado internacional, enquanto o etanol segue como coadjuvante.

As empresas que conseguiram surfar nesta onda de retomada da produção agrícola a patamares mais saudáveis tiveram resultados favoráveis. Foi o caso da BP Bunge Bioenergia que, pela primeira vez, liderou o ranking do Valor 1000 das dez melhores empresas no setor de bioenergia. A companhia comanda 11 usinas espalhadas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Tocantins e Mato Grosso do Sul.

O levantamento destaca as dez melhores empresas de diferentes setores. O desempenho é calculado a partir de seis critérios, com pesos diferentes de acordo com sua relevância, representando 70% da nota. Os outros 30% são referentes às ações nas áreas ambiental, social e de governança (ESG na sigla em inglês) pelas maiores companhias em faturamento e é restrita às três empresas com as maiores notas nos seis parâmetros de avaliação.

Os critérios da avaliação feita pelo Valor Econômico têm chancela da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e da Serasa Experian.

Apesar da dianteira na bioenergia em 2022, a BP Bunge, que fez 71,7 pontos, ficou abaixo dos 76 pontos registrados pela São Martinho em 2021. A líder do ranking do ano passado, entretanto, agora ocupa a nona colocação, com 38,1 pontos.

Conforme os resultados financeiros divulgados pela BP Bunge, a companhia faturou R$ 7,26 bilhões em 2021/22 e R$ 7,94 bilhões em 2022/23, representando um aumento safra a safra de 9,4%. Segundo a reportagem do Valor, o etanol foi o principal responsável por estes ganhos, atingindo R$ 4 bilhões.

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As dez melhores em seis critérios

Dentre os aspectos avaliados, a publicação reitera que foram consideradas somente empresas que apresentaram uma receita líquida igual ou superior à mediana do setor.

Neste quesito – que possui o maior peso na nota final entre setores e é o critério usado no ranking geral das mil maiores empresas do país –, a Copersucar lidera com ganhos de R$ 70,14 bilhões no período analisado, um valor 6,3% abaixo dos R$ 74,88 bilhões de um ano antes, segundo a publicação.

A companhia, entretanto, não possui fabricação própria, sendo atualmente responsável pela comercialização da produção de 34 usinas. Em 2022, inclusive, a Copersucar também foi a campeã dentre as maiores exportadoras de açúcar.

Recentemente, a empresa recebeu, juntamente com a Evolua Etanol – joint venture com a Vibra Energia –, a certificação para comercialização de etanol destinado à fabricação de combustíveis aéreos sustentáveis (SAF). Além disso, pretende entrar no mercado de comercialização de energia elétrica de biomassa, além de biogás.

De forma geral, o ranking de receita líquida feito pelo Valor 1000 teve poucas modificações frente ao ano anterior. A segunda colocação permaneceu com a Tereos, com R$ 18,36 bilhões, uma alta anual de 21,6%; a empresa começou operar a sua primeira usina de biogás no país, que utiliza como matéria-prima a vinhaça, resíduo da destilação do etanol, em setembro do ano passado.

Em seguida, veio a Be8 (antiga BSBios), que ampliou seus ganhos líquidos em 18,7%, para R$ 9,38 bilhões.

A Inpasa, empresa de etanol de milho que começou a investir em mais uma usina em Mato Grosso do Sul e outra no Maranhão, havia ficado em 10º lugar em 2021, mas conseguiu a quarta colocação em 2022, com ganhos de R$ 8,59 bilhões (+109,3%).

Com isso, a FS caiu para a quinta posição. Ainda assim, a produtora de etanol de milho, que está investindo em sua unidade localizada em Primavera do Leste (MT), registrou ganhos de R$ 7,55 bilhões, aumento anual de 13,8%.

A BP Bunge ficou em sexto neste critério, com ganhos de R$ 7,26 bilhões (+18,5%). São Martinho, Olfar, Oleoplan e Lincoln Junqueira vieram na sequência no critério de maior peso da pesquisa, sendo que apenas a última não estava na lista um ano antes.

Já na margem Ebitda, contabilizada pelo Ebitda em relação à receita líquida, a Adecoagro Brasil, empresa que também vem investindo em biometano na sua frota, foi a vencedora, com 70,1%.

A companhia ainda apareceu em outros dois critérios. Um deles é a alavancagem financeira, que contabiliza a dívida financeira sobre o Ebitda, ficando em terceiro lugar com 0,15 ponto. Já na cobertura de juros, dado pelo Ebitda sobre as despesas financeiras, a Adecoagro elenca a sexta posição, com 3,9 pontos.

A campeã em rentabilidade, por sua vez, foi a FS, com 136% – o critério é dado pelo lucro líquido sobre o patrimônio líquido. A companhia também esteve na dianteira na evolução da receita líquida, com 92,5%.

Na alavancagem financeira (dívida financeira líquida sobre Ebitda), a Santa Isabel foi a primeira colocada por possuir uma dívida negativa. Segundo o Valor, isso indica a situação de caixa líquido da empresa, ou seja, caixa e disponibilidades de caixa superiores à dívida financeira bruta no período analisado.

A empresa também esteve em sétimo lugar na margem Ebitda (58,7%), terceiro em rentabilidade (46%), nono em evolução da receita líquida (14,4%) e em segundo em cobertura de juros – representado pelo Ebitda sobre despesas financeiras –, com 7,14 pontos.

Neste último quesito, aliás, a campeã foi a Pedra Agroindustrial, com 9,6 pontos. A companhia também esteve entre os dez melhores desempenhos em outros quatro critérios: margem Ebitda, rentabilidade, evolução da receita líquida e alavancagem financeira.

Raízen entre as melhores de petróleo e gás

A Raízen, maior sucroenergética do país e controladora de 34 usinas, não faz parte do ranking da bioenergia, mas isso não se deve à resultados ruins, afinal, a companhia compila números favoráveis. A metodologia adotada pelo Valor 1000 reúne as empresas do grupo no setor de petróleo e gás, pois a controladora também atua na distribuição de combustíveis.

Assim, a empresa ficou em sétimo lugar na classificação das dez melhores de seu setor, com 36,7 pontos, abaixo dos 38,7 pontos de um ano antes. A campeã entre as empresas de petróleo e gás foi a Shell, com mais que o dobro de pontos da Raízen.

Dentre os seis critérios, a Raízen apareceu em destaque em dois, tendo ficado em segundo lugar na receita líquida e em nono na evolução da receita líquida.

Além disso, em 2022, a empresa ocupou a terceira colocação no ranking geral das mil maiores companhias do país, uma posição acima da vista no ano anterior. A receita líquida de R$ 245,83 milhões representa um aumento anual de 28,5%, segundo a reportagem.

A gigante sucroenergética vem investindo fortemente no etanol de segunda geração, tendo duas unidades em operação, cinco em construção, com lançamento previsto entre 2024 e 2025, e mais três em planejamento. Além disso, o SAF também é um alvo da empresa, que teve seu etanol certificado para a produção em agosto deste ano.

Disciplina operacional e financeira

Um dos fatores relevantes no desempenho da BP Bunge foram as exportações, ainda segundo o Valor. Em 2022/23, o volume financeiro obtido com as vendas de etanol para o mercado externo foi de R$ 539 milhões, enquanto o açúcar atingiu R$ 2,9 bilhões. Juntos, eles representaram 43% da receita líquida da empresa no período.

Estados Unidos, Coreia do Sul e o continente europeu são os principais destinos. O presidente-executivo da companhia, Mario Lindenhayn – que deixará a empresa em janeiro –, disse que há uma busca pelo etanol brasileiro devido a maior eficiência em relação a redução de emissão de carbono, algo cada vez mais valorizado por programas estrangeiros.

No mercado norte-americano, a entrada se deu após a certificação da Agência de Proteção Ambiental (EPA), dos Estados Unidos, obtida pelas unidades agroindustriais da BP Bunge. Quatro usinas do grupo ainda receberam o selo do California Air Resources Board (Carb), exigido para a exportação para a Califórnia.

Além disso, assim como vários pares do setor, a empresa também recebeu aval para fornecer etanol à produção de SAF, em outubro deste ano.

Os resultados favoráveis obtidos pela companhia são atribuídos por Lindenhayn à disciplina operacional e financeira, além de investimentos contínuos na área agrícola e infraestrutura tecnológica. “Esse rigor operacional e financeiro resultou na condição de sermos hoje uma das empresas do setor com menor endividamento e uma sólida saúde financeira”, disse.

Desde o início das suas operações da joint venture até o ciclo 2022/23, a BP Bunge já investiu mais de R5 6 bilhões, conforme o presidente-executivo. Os valores foram direcionados especialmente para aprimoramento da produtividade agrícola, além da operacional, em especial equipamentos. Os destaques, de acordo com Lindenhayn, foram os investimentos em trato cultural, do plantio até a colheita, e agricultura regenerativa.

O executivo também informou à reportagem do Valor que 86% dos 450 mil hectares sob a gestão da BP Bunge possuem aplicação de vinhaça. Até 2025, a companhia quer atingir 96% das lavouras. Além disso, a companhia já substituiu o uso de fertilizantes nitrogenados em 100% da área de plantio usando defensivos biológicos e de 40% nas áreas de soqueira, que possuem alto índice de pragas.

Com isso, a empresa pretende ampliar a sua moagem em 16% na safra atual, de 2023/24, o que representaria um crescimento de até 16% na comparação com a temporada anterior. A meta inclui atingir a capacidade plena de moagem das unidades em dois anos.

Ainda assim, a BP Bunge também esteve envolvida em situações negativas. Em março deste ano, 212 trabalhadores que prestavam serviços a usinas de etanol e produtores de cana-de-açúcar foram resgatados em condições análogas à escravidão; parte deles atuava de forma terceirizada para a BP Bunge.

Por meio de uma nota, a companhia se manifestou na época no ocorrido, repudiando o fato e dizendo estar colaborando com as investigações.

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Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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