Conheça as 100 usinas e os 50 grupos que mais geraram energia elétrica no último ano. Usina do grupo Cerradinho é destaque e bate recordes
A produção de energia da biomassa da cana-de-açúcar é uma forma das empresas diversificarem seus lucros, fazerem uma boa utilização dos resíduos da plantação e de serem autossuficientes ao utilizar a energia produzida para alimentar seu próprio processo produtivo.
No Brasil, hoje, são quase 200 empresas do setor sucroenergético que não só utilizam a biomassa como principal fonte de energia na maior parte do ano, como também comercializam o excedente.
Em 2017, a produção total de energia gerada pelas usinas chegou a 21,45 TWh. Em comparação com 2016, quando o total foi 21,25 TWh, esse valor foi 0,98% superior, um crescimento menor do que o visto nos últimos anos.
Os maiores grupos em cogeração de energia frequentemente são os maiores grupos em moagem de cana – afinal, o bagaço é a matéria-prima. Assim, no ranking das usinas e grupos que mais produziram energia em 2017 é possível encontrar grandes nomes do setor – mas também algumas novidades.
O NovaCana realizou um levantamento e apresenta a seguir o volume de energia comercializado pelas 100 usinas e pelos 50 grupos que melhor aproveitaram o potencial da cogeração.
A lista completa apresentada a seguir revela também as empresas que mais cresceram em cogeração e aquelas que tiveram fortes quedas na produção de bioeletricidade, um bom sinal de problemas na empresa.

A produção de energia da biomassa da cana-de-açúcar é uma forma das empresas diversificarem seus lucros, fazerem uma boa utilização dos resíduos da plantação e de serem autossuficientes ao utilizar a energia produzida para alimentar seu próprio processo produtivo.
No Brasil, hoje, são quase 200 empresas do setor sucroenergético que não só utilizam a biomassa como principal fonte de energia na maior parte do ano, como também comercializam o excedente. Em 2017, essas usinas produziram 21,45 TWh.
Além disso, os maiores grupos em cogeração de energia frequentemente são os maiores grupos em moagem de cana – afinal, o bagaço é a matéria-prima. Assim, no ranking das usinas e grupos que mais produziram energia em 2017 é possível encontrar grandes nomes do setor – mas também algumas novidades.
Um exemplo é que o ranking dos maiores grupos em cogeração de energia é encabeçado pela Raízen, pela Atvos (ex-Odebrecht Agroindustrial) e pela Tereos Internacional. Os primeiros estão nas duas primeiras posições desde 2014, enquanto a Tereos sempre esteve entre os cinco maiores.
Em 2017, a produção acumulada dos três grupos foi de 5,18 TWh, que corresponde a 24% do total produzido pelas UTEs à biomassa de cana no país.
Para as usinas da Raízen, grupo com maior produção de energia no Brasil desde 2013, a geração de energia no centro de gravidade em 2017 totalizou 2,35 TWh. Em relação ao ano anterior, quando produziu 2,27 TWh, houve um aumento de 3,47%. Inclusive, a receita líquida obtida através da venda dessa energia cresceu 77% em relação à safra anterior.
Já a Atvos produziu 1,83 TWh de energia em 2017, número 13% menor do que no ano anterior, que foi de 2,1 TWh. Apesar de se manter como o segundo maior grupo em cogeração de energia, essa diminuição se deve à queda na moagem da sua maior unidade, a Usina Santa Luzia, na safra 2017/18, devido às geadas que atingiram a região.
O terceiro grupo a ocupar o ranking pelo segundo ano consecutivo, já que estava em quinto lugar em 2015, é a Tereos Internacional. A companhia encerrou 2017 com o total de 1 TWh de energia, 2,29% a menos do que em 2016. Apesar da queda, a empresa manteve uma boa colocação no ranking.
Outros grupos que se destacaram entre os 50 maiores de 2017 pelo aumento na produção de energia foram Cerradinho (76,32%), Tercio Wanderley (31,94%), Cerradão (39,83%) e Biolins, cuja produção cresceu mais de 300% nos dois últimos anos após aumentar em 50% seu potencial de cogeração com uma nova turbina.
Já os grupos que tiveram as maiores quedas foram Tonon (-32,72%) e Renuka (-48,85). Ambos enfrentam momentos financeiros complicados, sendo que a Tonon vendeu duas de suas usinas para a Raízen no ano passado, enquanto a Renuka ainda tenta negociar suas unidades paulistas, que tiveram seus leilões suspensos no ano passado.
CerradinhoBio, da Cerradinho, assume a liderança entre as usinas
Nos últimos dois anos, quando o assunto é cogeração de energia, unidades da Atvos e da Raízen dividiram as primeiras posições no ranking individual das usinas. Em 2017, no entanto, o cenário mudou.
Por mais que os grupos apareçam duas vezes cada dentre as dez maiores usinas em produção – em sétimo e nono lugares e em quinto e oitavo lugares, respectivamente –, o primeiro lugar ficou com a Usina CerradinhoBio, do grupo Cerradinho.
Enquanto em 2016 a usina apareceu em 15º lugar dentre as maiores produções do país, por ter produzido 279,61 MWh de energia, em 2017 sua produção cresceu 76,32%, chegando a 493,01 MWh.
Essa produção é 33% maior do que a do segundo lugar, ocupado pela Adecoagro (368,3 MWh), e é a maior quantidade gerada por uma única usina desde 2013.
O aumento na produção da Usina Porto das Águas se deve especialmente ao investimento que o grupo tem feito em cogeração. Em 2017, sua estrutura foi ampliada, chegando à capacidade de exportação de energia de 850 GWh/ano e à potência instalada de 160 MW.

Além da Usina CerradinhoBio, as usinas São Martinho, do Grupo São Martinho, Vale do Tijuco, do CMAA, e Bevap/Enervale foram as que tiveram o maior crescimento na produção entre os dois últimos anos.
A Usina São Martinho ficou em terceiro lugar no ranking com 344,49 MWh, um crescimento de 18,16% em relação a 2016, que foi de 291,55 MWh. O grupo também aparece na quarta posição, com a Usina Boa Vista, que produziu 333,16 MWh em 2017, uma redução de 2,32% em relação ao resultado de 2016, 341,08 MWh.
Já a usina Vale do Tijuco, que não estava entre as 25 maiores do país em 2016, chegou ao total de 273,94 MWh em 2017, um aumento de 19,76% em relação ao valor anterior, de 228,74 MWh.
Por fim, a Bevap/Enervale, que também não estava entre as 25 maiores do país no ano anterior, pois teve uma produção de 219,43 MWh, teve um aumento de 20,87% entre os dois anos, concluindo 2017 com 265,22 MWh de energia produzidos.

A listagem completa das usinas de cana-de-açúcar que registraram geração de energia elétrica, assim como os dados agrupados por grupos, estados e totais, estão disponíveis em uma planilha interativa na plataforma NovaCana DATA.
Cogeração em alta – mas não muito
Na evolução mês a mês, a geração no centro da gravidade das usinas seguiu o movimento esperado em relação às épocas da safra. Isso é diferente do que ocorreu em 2016, quando houve uma queda na produção de junho graças principalmente às chuvas que afetaram a região de São Paulo, estado com a maior produção de cana-de-açúcar do país.
Assim, no acumulado de 2017, a produção total de energia gerada pelas usinas chegou a 21,45 TWh. Em comparação com 2016, quando o total foi 21,25 TWh, esse valor foi 0,98% superior. O crescimento, entretanto, é menor do que o visto nos últimos anos, quando o índice se manteve acima de 5%.
A desaceleração da geração por biomassa de cana aconteceu justamente em um momento onde o preço da eletricidade no mercado spot estava em alta. Contudo, o período também coincide com uma redução da moagem no Centro-Sul do país e com um contexto setorial onde a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) promoveu um leilão de descontratação, voltado a empreendimentos aprovados em leilões de energia de reserva nos últimos anos, mas que não seguiram adiante por problemas financeiros ou com fornecedores.
Inclusive, no começo de 2017, dos 21 projetos de usinas de cogeração em andamento – ou seja, desconsiderando três cancelamentos recentes –, quatro eram considerados de baixa viabilidade.
Para completar, as termelétricas à biomassa ainda alegam enfrentar uma elevada judicialização no Mercado de Curto Prazo (MCP) devido a liminares concedidas a hidrelétricas que estão protegidas contra o chamado risco hidrológico do sistema. Esse ponto foi recentemente levantado pelo gerente de bioeletricidade da União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica), Zilmar Souza.
“Há três anos, as usinas à biomassa vêm gerando excedentes que são liquidados no Mercado de Curto Prazo, recebendo normalmente algo como 10% dos valores que deveriam receber”, afirmou Souza durante reunião realizada com o MME na sede da entidade. Ele ainda completa: “São usinas que produzem uma energia renovável e sustentável, mas não recebem pelos excedentes produzidos acima da garantia física por não terem liminares judiciais que as protejam no MCP”.
Em relação aos estados, São Paulo mantém, com folga, sua posição como principal gerador de energia elétrica a partir do bagaço de cana-de-açúcar. Ainda assim, em 2017, sua produção caiu em relação ao ano anterior.
Paraná e Alagoas também viram uma diminuição na quantidade de energia gerada no centro de gravidade das usinas. Nesses casos, as quedas foram ainda mais expressivas do que a do estado paulista, de 11,2% e 7,9%, respectivamente. Já Minas Gerais obteve um aumento de 15,1% na sua produção entre os dois últimos anos.
NovaCana DATA
Rafaella Coury — NovaCana

