A Raízen reportou nesta segunda-feira, 13, que elevou em 13,6% a moagem de cana no segundo trimestre da safra 2023/24, para 37,5 milhões de toneladas. A companhia, beneficiada por um clima favorável e maiores produtividades, voltou ao lucro no período.
A empresa reportou um resultado líquido de R$ 28,4 milhões no trimestre entre julho e setembro, versus prejuízo de R$ 933,5 milhões no mesmo período da safra passada. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 3,7 bilhões, crescimento de 35,2% na mesma comparação.
A Raízen também divulgou um resultado ajustado de R$ 181,3 milhões, ante R$ 1,1 milhão do mesmo período do ano passado. “O lucro líquido ajustado apresentou forte evolução nos trimestres comparáveis, em virtude da evolução do desempenho operacional e geração de margens, mesmo com o impacto da alta de juros no período”, explica.
Por sua vez, a receita líquida somou R$ 59,46 bilhões no segundo trimestre de 2023/24, uma redução anual de 7,4%. Com isso, o lucro bruto atingiu R$ 4,59 bilhões, um aumento de 103,7% na comparação com igual período do ano anterior.

Já o resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 1,71 bilhão, uma elevação de 59% sobre as perdas financeiras do mesmo trimestre de 2022/23.
Em 30 de setembro de 2023, a dívida líquida da companhia era de R$ 30,05 bilhões, um crescimento de 11,9% na comparação com a mesma etapa de 2022. Assim, o indicador de alavancagem financeira, medido pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado, ficou em 1,9 vez em setembro de 2023, queda de 0,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2022.
A Raízen ainda divulgou um Ebitda ajustado de 2,03 bilhões para o segmento de renováveis e açúcar, queda de 10,8% ante o mesmo trimestre de 2022/23.
Segundo a companhia, a receita totalizou R$ 15,23 bilhões – alta de 1,5% na comparação anual –, sendo R$ 9,27 bilhões relativos aos negócios de açúcar (+22,3%) e R$ 5,96 bilhões aos de renováveis (-19,7%).

“O benefício do melhor preço de açúcar já fixado (+21%), maior volume produzido de açúcar e etanol, e menor custo unitário de produção deverão contribuir para aceleração do Ebitda ao longo dos próximos dois trimestres, à medida que o ritmo de vendas evolua”, argumenta a Raízen.
Com um mix de produção mais açucareiro, a maior produtora global de açúcar e etanol de cana aumentou em 20,9% a produção do adoçante, para 2,95 milhões de toneladas. Já a fabricação de etanol de primeira geração avançou 1,9%, para 1,4 bilhão de litros.
A companhia ainda reafirmou seu guidance dizendo que a moagem de cana avançou “em ritmo acelerado, devendo atingir, no mínimo, 80 milhões de toneladas de cana”.
“O mix denota a otimização de produção do açúcar dado ciclo favorável de mercado e rentabilidade superior” em relação ao etanol, destacou a Raízen, citando também uma recuperação na produtividade.

O volume de vendas de açúcar, contudo, caiu 4,8%, para 3,27 milhões de toneladas, em linha com a estratégia de comercialização. O mesmo aconteceu com as vendas de etanol pelas usinas da companhia, que recuaram 3,2%, para 1,4 bilhão de litros.
Segundo a Raízen, a estratégia para a safra está ajustada com o posicionamento de estoques para venda futura e coerente com cenário de preços, depreciado em função da maior oferta do mercado de etanol de cana e de milho no período.
“Ao mantermos estoques mais elevados, nos posicionamos para um potencial melhor ambiente de preços, alavancado pela diferenciação via novas geografias e novas aplicações”, disse a empresa.
A Raízen, também uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil, reportou vendas de 9,18 bilhão de litros nesse segmento, incluindo gasolina, diesel, etanol, combustíveis de aviação, entre outros, alta de 0,9% na comparação anual.
A empresa destacou que obteve “melhores margens, mesmo quando ajustado pelos efeitos dos preços no inventário, denotando que o mercado de combustíveis no Brasil pode operar com melhor rentabilidade”.
Roberto Samora
Com informações adicionais InfoMoney e NovaCana